NFL

A chegada de Nick Foles ao Jacksonville Jaguars e o contrato que manda um recado

Nick Foles, quarterback do Philadelphia Eagles

Nick Foles finalmente está chegando a Duval. O quarterback, que foi MVP do Super Bowl LII, vai assinar um contrato de quatro anos com o Jacksonville Jaguars, com valor total de US$ 88 milhões, e finalmente vai conquistar seu sonho de ser um signal caller titular na National Football League.

Sob o novo contrato, cujos detalhes foram apurados por Ian Rapoport e Mike Garafolo, da ‘NFL Network’, Foles poderá conquistar até US$ 102 milhões com incentivos por produtividade e fatura US$ 50,125 milhões garantidos (maior quantidade de dinheiro garantido na história dos Jags.

Esses valores maiúsculos representam como um QB pode se valorizar rapidamente na liga.

Agora abrimos o questionamento: Foles faz por merecer um contrato de US$ 22 milhões por ano?

Vamos primeiro recapitular a trajetória de Foles na NFL.

Selecionado na terceira rodada do draft de 2012 pelo Philadelphia Eagles, Foles simplesmente teve uma carreira marcada pela inconsistência, com muitos altos e baixos, até agora.

Após disputar apenas sete jogos em sua temporada de calouro, Foles somou seus melhores números em 2013, quando completou 64% de seus passes para 2.891 jardas, 27 touchdowns e duas interceptações em 13 jogos com a franquia da Filadélfia.

Contudo, depois de apenas oito jogos em 2014 e de um ano muito apagado, ele foi trocado para o então St. Louis Rams. E foi lá que o QB viu sua carreira chegar basicamente ao fundo do poço (Jeff Fisher, pode se esconder debaixo do edredom agora).

Em 2015, nos Rams, ele disputou 11 jogos e foi preciso em apenas 56,4% de seus passes para 2.052 jardas, sete touchdowns e 10 interceptações. Fechou a temporada com um passer rating pífio de 69.0.

Na cabeça do jovem quarterback, os pensamentos de aposentadoria do futebol americano foram ficando mais claros após o duro ano. Questionamentos, inseguranças depois dos muitos altos e baixos.

Mas então veio 2016 e Andy Reid (esse não precisa de edredom, pode aparecer à vontade) salvou a vida do atleta no Kansas City Chiefs. Foles foi reserva de Alex Smith, mas participou bem dos três jogos em que entrou em campo (65,5% de passes certos para 410 jardas e três TDs, sem interceptações).

Isso rendeu um retorno aos Eagles em 2017, em um papel similar, o de reserva. E uma contratação que ninguém deu nada na época acabou mudando a história de uma franquia.

O titular Carson Wentz se lesionou durante a campanha em 2017, Foles assumiu o comando do ataque e liderou os Eagles ao primeiro título de Super Bowl de sua história. A campanha nos playoffs teve 73% de passes completados para seis TDs e uma interceptação, terminando com o prêmio de MVP do Super Bowl LII depois da vitória sobre o New England Patriots. Seu Philly Special está eternizado na memória de todos..

Em 2018, mais uma vez Nick Foles assumiu na reta final da temporada, depois de mais uma lesão de Wentz, e comandou a equipe em três vitórias consecutivas, chegando novamente à pós-temporada. Ainda houve uma vitória fora de casa sobre o Chicago Bears, na rodada de wild card dos playoffs, antes da queda diante do New Orleans Saints.

Eu repassei a trajetória de Foles para mostrar como que um QB que estava basicamente aposentado em 2016 chega ao patamar mais alto de ser o ‘franchise quarterback’ de uma organização em menos de três anos.

Se eu acho arriscado pagar tudo isso a Nick Foles? Sem sombra de dúvidas.

Vamos supor que você, novo leitor do Quinto Quarto, começou a acompanhar futebol americano ontem de madrugada e sequer ouviu falar em Foles direito. Basta pegar as estatísticas de sua carreira para ver que ele nunca se firmou de fato.

Foram 54 jogos no total (44 como titular) em sete anos na NFL até agora. Foles entra em sua oitava temporada com 974 passes certos de 1.581 lançados (61,6%) para 11.165 jardas, 68 touchdowns e 33 interceptações.

Números nada espetaculares, não é mesmo?

E, agora, pela primeira vez de fato em sua carreira, Foles chega a um time para ser o líder de fato. E com contrato de gente grande.

Neste caso, o contrato é mais do que apenas notas de dólar. É uma afirmação à torcida, ao vestiário e à NFL: “nós encontramos o nosso quarterback”.

O perigo disso? Nick Foles sempre jogou melhor sendo um reserva do que como titular.

Ele é muito mais clutch do que consistente.

A vantagem de Foles (e um dos maiores indicadores iniciais de que o negócio seria selado) é que John DeFilippo, seu ex-treinador de quarterbacks, foi contratado em janeiro para ser o novo coordenador ofensivo dos Jaguars.

Chegou a verdadeira hora do “vamos ver”…

Começo da era Nick Foles, fim da era Blake Bortles

Com a chegada de Foles, os Jaguars obviamente vão liberar Blake Bortles de seu contrato nos próximos dias.

Bortles passou cinco anos em Jacksonville e assinou uma extensão (nada inteligente) de três anos com a organização da Flórida há apenas 13 meses.

O que ele fez desde a extensão? Além de ser o responsável pela queda de cabelos da torcida dos Jags, Bortles lançou 13 touchdowns, 11 interceptações, cometeu oito fumbles, foi para o banco e voltou ao campo em 2018.

Ele encerra sua passagem pela franquia que o selecionou com a terceira escolha geral do draft de 2014 tendo acertado 59,3% de seus passes para 17.646 jardas, 103 touchdowns e 75 interceptações.

E também tendo conquistado os corações de muitos com sua cara de simpático.

PS: escrevi esse trecho final com lágrimas nos olhos. Um ídolo do QQ está desempregado.

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