NFL

Cam Newton e o iminente término de seu casamento com os Panthers

Cam Newton, quarterback do Carolina Panthers

(Crédito: Twitter/reprodução)

Se alguém lesse o título deste texto há quatro anos pensaria: “o Bruno enlouqueceu de vez? Já podemos mandar ele para um psiquiatra?”. Mas a questão é que estamos em 2019. E, sim, o casamento de Cam Newton com o Carolina Panthers está cada vez mais próximo

Desde 2015, quando ganhou o prêmio de MVP da NFL, Newton não é mais o mesmo. Naquela temporada, o camisa 1 acertou 59,8% de seus passes para 3.837 jardas, 35 touchdowns e 10 interceptações (passer rating de 99.4), além de correr 132 vezes para 636 jardas totais e 10 TDs.

Foi no ano passado o único ‘flerte’ do signal caller com seu antigo eu. Em 14 jogos, ele conectou 67,9% de seus passes para 3.395 jardas, 24 touchdowns e 13 interceptações, com 101 corridas para 488 jardas e quatro TDs.

A derrota no Super Bowl 50 para o Denver Broncos de Peyton Manning, na mesma temporada 2015 em que faturou o MVP, foi um divisor de águas para o astro dos Panthers. Mas no pior sentido possível.

Exceto em 2018, quando ele também já vinha sofrendo com lesões, as demais temporadas do ‘Superman’ desde então foram de um QB que está longe de estar entre os melhores.

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Newton foi derrotado em cada um dos últimos oito jogos em que foi titular dos Panthers. Em apenas dois jogos na atual temporada, ele acertou 50 passes de 89 (56,2%) para 572 jardas, nenhum touchdown e uma interceptação.

E o pior de tudo: conhecido sobretudo por sua mobilidade e capacidade de ganhar jardas com as pernas, o signal caller de 30 anos de idade correu apenas cinco vezes para… DUAS JARDAS NEGATIVAS em 2019.

É, basicamente, você tentar defender um cozinheiro que, no passado, cozinhava pratos belíssimos, mas hoje em dia só sabe queimar o ovo na hora de fritar uma omelete.

Newton foi desativado pelo restante da temporada no dia 5 de novembro, devido a uma lesão no pé (lesão Lisfranc) sofrida na pré-temporada e, posteriormente agravada. O tratamento não surtiu o efeito desejado e o jogador não vai pisar mais em campo em 2019.

Agora, há mais motivos para os Panthers cortarem Newton (ou trocá-lo) em 2020 do que razões para manter o quarterback.

Algumas delas são:

Dinheiro: com um ano remanescente em seu contrato, Newton ‘pesará’ US$ 19,1 milhões no teto salarial da franquia da Carolina do Norte em 2020. Caso dispensem o QB, os Panthers se livrariam disso no salary cap e teriam que arcar com apenas US$ 2 milhões de dinheiro ‘morto’.

Problemas de produtividade: algumas das estatísticas apresentadas acima mostram que Newton está longe de ser o que foi um dia. QB com grande mobilidade, Newton correu para mais de 33 jardas em apenas um de seus últimos nove jogos como titular. Considere que, no total de sua carreira profissional, ele soma 4.806 jardas terrestres, terceira maior marca da história da NFL por um QB.

Histórico de lesões: Newton tem um histórico recente considerável de problemas físicos. Sem falar nas lesões nas costas/costela em 2014 e na concussão sofrida em 2016, em 2017, ele passou por cirurgia para reparar um manguito rotador parcialmente rompido em seu ombro direito. No ano passado, mais problemas crônicos no ombro o levaram a ser desativado pelos últimos dois jogos. E, agora, a lesão Lisfranc no pé que não melhorou com era esperado. Tais problemas tornam cada vez mais improvável que Newton volte a ser o que era.

Outras prioridades: Carolina terá que cuidar dos contratos de astros importantes como o running back Christian McCaffrey, corpo e alma do ataque do time atualmente, o outside linebacker Shaq Thompson e o cornerback James Bradberry. Isso sem falar em Mario Addison Bruce Irving, Gerald McCoy e companhia.

Dos tópicos acima, que baseei muito em um texto bem legal de David Newton, da ‘ESPN’ dos Estados Unidos, eu resolvi excluir o fator Kyle Allen. O reserva de Cam teve um início bom de temporada 2019, com cinco vitórias nos primeiros seis jogos, mas enfrentou uma oscilação nas últimas semanas.

Ainda acho prematuro dizer que Allen é o futuro dos Panthers na posição de QB, mas ele é, ao menos, um jogador decente.

Fato é que, com o iminente término do casamento, o torcedor de Carolina já pode começar a se lamentar. No fundo, ele saberá que, se isso acabar mesmo se concretizando, é a decisão certa a ser tomada. Mesmo com Newton sendo o jogador mais importante da história da organização.

A ligação de Newton com o Carolina Panthers é quase simbiótica. Em um evento de caridade nesta semana do Dia de Ação de Graças, o QB preferiu não especular muito sobre seu futuro na organização. Mas ele deu uma declaração que diz muito de sua relação com a franquia e seu desejo de ficar.

“Charlotte é minha casa. Charlotte é um lugar que eu sei que as pessoas me conhecem. Elas não estão apenas assumindo. Elas sabem como sou. Elas conhecem minha energia. Sabem do que eu gosto e do que não gosto. Eu ter esse tipo de presença, isso me lembra que… está certo. Estamos ansiosos por mais incontáveis anos em Charlotte para impactar na comunidade de maneiras que vão além do jogo de futebol americano”, falou.

David Tepper, proprietário dos Panthers, deixou claro nas últimas semanas que uma decisão sobre o futuro de Newton ainda não foi tomada e que a prioridade é ver o QB, selecionado com a primeira escolha geral do draft de 2011, saudável novamente.

Mas é apenas um discurso. No final das contas, todos sabemos que o futuro de Newton para 2020 e além reside em outro lugar que não seja os Panthers. Será bom para ele recomeçar em outra franquia e bom para o time.

Quando esses dois fatores se juntam na NFL, a determinação final é apenas uma questão de tempo.

Qualquer coisa além de um divórcio mais do que amistoso no ano que vem será uma surpresa para mim e para muitos de vocês, certamente.

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