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Com demissão de Mike Maccagnan, New York Jets expõe de novo seu fuzuê

Mike Maccagnan, ex-general manager do New York Jets

(Crédito: Twitter/reprodução)

Estava sentado em casa, depois de ler a bombástica notícia da demissão do general manager Mike Maccagnan pelo New York Jets. Confuso, fui dar uma volta, olhei para a estante de livros e vi o meu velho dicionário Aurélio.

Peguei e estava folheando aquele bloco de páginas e páginas com palavras. Passei pela letra B e uma coisa me chamou a atenção no verbete “bagunça”. Olhei de novo e lá estava um escudo familiar:

Minha cabeça também ficou uma bagunça ao ver a notícia do desligamento do GM.

Foi então que li a coluna da fenomenal Judy Battista, repórter renomada do ‘NFL.com’, na qual ela fala sobre uma franquia disfuncional. O “Same Old Jets”. E o texto inteiro vale muito a leitura, mas alguns trechos em particular me chamaram a atenção.

Seguem os excertos:

“Mas, para alguns times, a disfunção é como um imã que nunca deixa de fornecer um campo de força. E, na quarta-feira, os Jets bateram nele como, digamos, um quarterback batendo no traseiro de seu offensive lineman” (olha a referência a Mark Sanchez e seu Butt Fumble aí).

“John Idzik e Maccagnan cometeram mais do que erros suficientes para justificar suas demissões. Mas times ruins não melhoram mudando constantemente de direção e alterando suas prioridades. Isso torna risível a ideia de que os Jets possam estar se aproximando do New England Patriots” (John Idzik é um antigo GM dos Jets).

Bem, como nota Battista, Bill Belichick pulou do barco há 20 anos e deixou de ser head coach dos Jets para ser o comandante da franquia mais bem-sucedida da história da National Football League (leia-se New England Patriots). Isso quer dizer alguma coisa.

Mas vamos voltar à notícia da demissão nesta quarta.

O técnico Todd Bowles foi demitido no final da temporada 2018 e, em janeiro, Adam Gase (desligado pelo Miami Dolphins após 23 vitórias e 25 derrotas em três anos como técnico) foi trazido para ser o novo head coach da franquia nova-iorquina.

Maccagnan esteve diretamente envolvido no processo de contratação.

Gase chega e, ao lado de Maccagnan e de Christopher Johnson, CEO dos Jets, faz ‘splashes’ na free agency e contrata nomes como o versátil running back Le’Veon Bell e o linebacker C.J. Mosley, entre outros.

Passa o draft de 2019, em que os Jets pegaram o defensive tackle Quinnen Williams, um dos melhores prospectos deste ano.

O time tem o jovem e promissor quarterback Sam Darnold para continuar a ser lapidado, tem o defensive end Leonard Williams e o safety Jamal Adams na defesa. Enfim, tem tudo para entrar nos trilhos e seguir com sua reconstrução.

E, quando tudo parece estar caminhando para a frente, vem o facão e corta o capitão do navio.

É fato que, ao lado de Bowles, Maccagnan fez parte de um Jets que somou 24 vitórias e 40 derrotas ao longo dos últimos quatro anos. E que, nas últimas três temporadas de ambos juntos em NY, os Jets foram o único time da liga a não vencer pelo menos seis jogos em um campeonato sequer.

Mesmo com bons drafts, Maccagnan fez muitas cag**** na free agency durante sua passagem.

Ainda assim, é incompreensível uma mudança assim. Sobretudo no timing em que se dá.

De acordo com Ian Rapoport, da ‘NFL Network’, os rumores de discórdia entre Gase e Maccagnan eram verdadeiros e que o ponto central foram as divergências dos montantes de dinheiro gastos na free agency em jogadores como Bell e Mosley, além de até mesmo a visão relacionada às contratações.

“Adam Gase gosta de Le’Veon Bell, apenas não gostava da ideia de gastar tanto dinheiro para um jogador naquela posição”, falou Rapoport no programa Up to the Minute, referindo-se ao contrato de quatro anos, US$ 52,5 milhões, fechado com Bell. “É realmente apenas a posição de running back em si. Então ele gosta do jogador, apenas não amava o preço”, frisou.

“Então, as discordâncias no preço eram algo que foram problemas claros”, ressaltou Rapoport.

Ah, e cinco dias atrás, Gase negou veementemente que havia um clima ruim entre ele e Maccagnan e se disse “muito irritado” com as reportagens falando sobre esses ‘rumores’.

Mais algumas perguntas:

– Como tudo isso não ficou claro no momento em que Gase e Maccagnan conversaram durante o processo de contratação do treinador?

– Como Johnson e a diretoria dos Jets não sabiam de tudo isso na hora de decidirem contratar o novo head coach para trabalhar com seu GM? Qualquer um sabe que são dois cargos que precisam estar em sintonia!

A resposta para ambas: porque o NY Jets só sabe ser assim e não tem perspectivas de mudar.

PS: Horas depois da demissão, Christopher Johnson deu uma coletiva justificando o desligamento de Maccagnan.

“Quanto mais eu olhava, mais eu percebia que queria seguir em frente. Foi apenas mergulhando profundamente na organização, apenas passando profundamente por esta offseason que entendi como essa organização estava carente em certas maneiras. Esta não é uma decisão que eu poderia ter tomado no final da temporada. Eu poderia com Todd (Bowles). Não poderia com Mike”, falou o CEO.

OK, Johnson, tudo bem. Eu vou tentar entender o seu raciocínio. Mas, por favor, pelo menos por enquanto, evite chamar o New York Jets de “organização”.

E a primeira grande transação após a mudança:

Agora GM interino dos Jets, Gase não demorou para se movimentar e trocou o inside linebacker Darron Lee com o Kansas City Chiefs, na noite desta quarta. O time de NY recebe uma escolha de sexta rodada do draft de 2020, segundo Ian Rapoport.

Lee foi selecionado pelos Jets na primeira rodada do draft de 2016 (20ª escolha geral), e teve três temporadas bem apagadas nos Jets: 241 tackles, quatro sacks e três interceptações em 40 jogos.

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