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Marcus Mariota: modernidade que vem de Oregon

Crédito: Reprodução

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Explosivo, rápido, ágil, intenso, veloz.

Os adjetivos para descrever Marcus Mariota lembram aqueles que falavam sobre Michael Vick no início de sua carreira. Mas o produto de Oregon não tem somente pernas velozes.

Vencedor do prêmio Heisman de 2014, o quarterback de Oregon impressionou todo o mundo do futebol americano universitário na última temporada. Ele já tinha tido bom 2013, mas a temporada de Jameis Winston foi tão fora da curva, que Mariota foi deixado de lado.

Mas 2014 veio, e junto, a explosão de Mariota: 68% de acerto de passes, 41 touchdowns anotados e apenas quatro interceptações. Se não bastasse os números ótimos, ainda venceu Winston na semifinal do futebol americano universitário.

Seu combine dividiu opiniões. Chegou em Indianapolis disputando de igual para igual a posição número um geral no draft com o quarterback de Florida State. Nas atividades atléticas, voou, anotando tempo de 4,52 na corrida de 40 jardas, e tendo bons resultados nos saltos verticais e horizontais.

Mas então chegou a hora dos lançamentos e algumas dificuldade do jogador apareceram. Pés confusos, muito recuo para lançar, bolas que chegavam ligeiramente atrasadas. Em contra partida, Winston teve desempenho exímio.

Mariota agora não estava sendo cotado nem para o top 10 do draft em algumas simulações.

Muitos questionavam o descendente de polinésio, falavam que ele era apenas um produto do sistema de ataque de universidade de Oregon, outros que era apenas um “one-hit wonder”. “Se até Matt Leinart ganhou o Heisman e não foi bem na NFL, porquê Mariota não seguiria esse caminho,” a corneta soava a todo vapor, mas Mariota parecia não dar ouvidos. Continuou sua preparação e começou a responder os críticos.

Primeiro veio o teste wonderlic, que testa a inteligência de jogadores que aplicam para o draft. Mariota teve uma pontuação de 33 sobre 50. Em 1998, Peyton Manning teve uma pontuação de 28. Podia se escutar alguns resmungos no mundo da NFL, o “mimimi” já estava se instaurando.

Depois disso veio o Pro-Day de Oregon, e o quarterback teve uma atuação que dividiu opiniões. Uns falavam que ele melhorou muito desde o draft, fazendo melhor trabalho de pernas dentro do pocket, outros diziam que ainda faltava naturalidade em seus lançamentos. De uma forma ou de outra, houve consenso que ele havia melhorado desde de sua atuação e Indianapolis.

Mesmo assim, continua atrás de Winston nas simulações. As dúvidas sobre Mariota fazem sentido.

Oregon adota um tipo de ataque up-tempo, rápido, priorizando passes profundos que tem como objetivo pegar defesas desprevenidas. Dessa forma, Mariota usou durante praticamente todas sua carreira a formação shotgun, além de sempre ter que fazer leituras superficiais das defesas. Olheiros enxergam isso como uma fraqueza, uma vez que sistemas de ataques na NFL são muito mais complexos do que isso, e defesas são muito mais rápidas e intensas das que ele encontrou na faculdade. Outro ponto fraco do jogador é sua presença no pocket. Sempre que se encontrava em apuros, abusava de sua velocidade para ganhar jardas. Aqueles que conhecem a NFL sabem que essa característica não dura muito tempo no profissional, RGIII que o diga.

Mas acima de tudo isso, está um jogador atlético, rápido, e muito inteligente. Em seu último ano da faculdade, só teve matérias de golfe e yoga, pois eram o únicos créditos que lhe faltavam. Mariota pode ter problemas de adaptação, mas dos quarterbacks móveis que vieram para a liga recentemente, é um dos mais completos, com velocidade, braço preciso e uma inteligência que vem sendo subestimada por scouts.

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