NFL

Jordy Nelson aposenta-se como o queridinho de Aaron Rodgers

Aaron Rodgers, quarterback do Green Bay Packers, e Jordy Nelson

(Crédito: Twitter/reprodução)

Não foi uma surpresa, mas não deixa de ser algo que vale notícia para quem curte a NFL e acompanhou a liga nos últimos dez anos. Jordy Nelson, um dos grandes recebedores da segunda década do século XXI, anunciou sua aposentadoria nesta quarta-feira. Ou melhor, James Jones, seu ex-colega na equipe do Wisconsin, anunciou para ele em furo para a ‘NFL Network', onde trabalha atualmente.

Quando Jordy Nelson foi draftado pelo Green Bay Packers, em 2008, a franquia estava em um traumático processo de troca de guarda. Aaron Rodgers finalmente assumiria o comando do ataque naquela temporada, depois de anos com Brett Favre, que terminou sua trajetória nos Packers com 13 vitórias em 2007 e mais uma derrota horrorosa nos playoffs.

Hoje nós temos na cabeça essa mudança como algo limpo, perfeitamente lidado pela diretoria de Wisconsin por ter substituído um membro do Hall da Fama por um futuro membro do Hall da Fama. Só que o negócio foi feio porque Favre não queria mesmo se aposentar – e provou isso com suas paradas nos Jets e Vikings – e o time caiu para apenas seis vitórias em 2008, apesar de Rodgers não ter ido mal: 4.038 jardas, 63,6% de passes completos, 28 TDs e 13 INTs.

Nelson em sua temporada de calouro foi o terceiro recebedor com mais jardas, mas precisou de apenas 366 jardas para assumir esse posto. O ataque ainda precisava de ajustes.

O camisa 12 cresceu bastante na temporada seguinte, mas Donald Driver e Greg Jennings continuavam dominantes e Nelson tímido. Isso se repetiu na temporada regular de 2010, quando parecia que a 36ª escolha poderia ter sido alta demais para o recebedor de Kansas State.

Mas os playoffs chegaram. Oito recepções, 79 jardas e um TD contra os Falcons, quatro recepções e 61 jardas contra os Bears na final da NFC e nove recepções, 140 jardas e um TD no Super Bowl contra os Steelers, o primeiro e único Super Bowl dos Packers nos últimos 20 anos. Sim, ele teve o maior jogo em recepções e jardas até aquele momento na sua carreira justamente na grande final.

Isso evidenciou que Jordy Nelson tinha o necessário para ser o queridinho de Aaron Rodgers dali para a frente. Donald Driver era o cara de Favre e já estava próximo do final. Greg Jennings pegou a virada das eras e sempre foi um personagem controverso, adorando a atenção da imprensa e fãs e as animosidades criadas.

Na temporada espetacular dos Packers em 2011, com 15 vitórias e o MVP de Aaron Rodgers, Nelson foi o principal recebedor com 1.263 jardas e 15 TDs. Suas temporadas de 2013 e 2014 seguiram sendo em alto nível, com uma ida ao Pro Bowl no pacote.

A sua lesão no ligamento do joelho em 2015 na pré-temporada foi uma grande penalização para uma equipe com grandes aspirações. Rodgers teve que ser especialmente milagreiro, com duas hail mary para decidir partidas e James Jones e seu gorro como principal WR. A trajetória acabou em um jogo incrível no wild card round contra o Arizona Cardinals.

Mas a carreira de Nelson ainda precisava de uma coroação individual e ela veio em 2016, com 14 TDs, quase 100 recepções (97), 1.257 jardas e o prêmio de Comeback Player of the Year.

Apesar de o gás ter claramente diminuído em sua temporada final nos Packers e sua única no Oakland Raiders (em 2018), Nelson continuou causando impacto. Porém, o sucesso coletivo que ele teve na pós-temporada que elevou seu status nunca mais veio. Aaron Rodgers precisa de ajuda e a mudança generalizada que aconteceu, especialmente na última offseason, é a mostra que a diretoria dos Packers entendeu isso. Demorou muito, mas se concretizou.

O corpo de recebedores está completamente renovado com a saída de Randall Cobb. Davante Adams teve excelente temporada em 2018, apesar do lixo tóxico que os Packers foram, com 1.386 jardas e 13 TDs. Ele pode ser o Jordy Nelson nessa nova fase.

Mas veja bem: ele não está no nível de Julio Jones, DeAndre Hopkins e Antonio Brown. E, com isso, quero dizer que ele não faz verão se não tiver alguém subindo de patamar. No ano do título, Nelson apareceu porque as atenções estavam também estavam em Driver, Jennings e Jones. Quando o camisa 87 tornou-se o cara, ele tinha Jones, Cobb e Jermichael Finley, antes de sua séria lesão.

Marquez Valdes-Scantling, Equanimeous St. Brown, Geronimo Allison (é o corpo de recebedores com os melhores nomes na história) ou alguém no Draft precisam ser complementares a Adams no sistema de Matt LaFleur. A mesma mensagem serve para os running backs, já que nas duas paradas de sucesso de LaFleur ele contou com touros no backfield, seja o duo Devonta Freeman/Tevin Coleman em Atlanta ou Todd Gurley em Los Angeles. Derrick Henry no Tennessee também foi bem explorado pelo jovem treinador.

O trabalho dos Packers é deixar Aaron Rodgers feliz, já falamos isso. Entretanto, é difícil que ele seja tão feliz como nos áureos tempos quando pegava o snap e podia olhar para o camisa 87. Jordy Nelson foi o seu grande companheiro e alvo e dificilmente aparecerá alguém tão constante e produtivo por tantos anos para tirar seu título. Rodgers pode ligar para Tom Brady e ambos se consolarem por terem que encarar a mesma depressão na mesma hora.

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