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Jogos da NFL que você precisa relembrar: Jets x Dolphins (semana 13 de 1994)

DAN marino fake spike

Depois de uma semana de folga, voltamos à nossa série “Jogos da NFL que você precisa relembrar”, pela primeira vez entrando nos anos 90. Depois de pincelar a década de 10 e mergulhar nos anos 2000, voltamos um pouco no tempo para falar de um quarterback que colocou a NFL na era do passe. Dan Marino destruiu recordes e mais recordes e fez o quarterback, que já era uma estrela em décadas anteriores, tornar-se o rei do futebol americano.

Um jogo de temporada regular nesta série pode ser algo esquisito. Por isso sinto que já temos que ir para os tópicos antes que você feche a janela com o texto. Antes, digo que se você quiser conferir os outros jogos que selecionamos, fizemos um listão com partidas maravilhosas e históricas que nos deu na telha falar.

ENTRE VÁRIOS JOGOS DA NFL, POR QUE O QQ ESCOLHEU ESSE?

Dan Marino estava encapetado. Era um duelo de uma divisão que estava completamente embolada, Don Shula já era uma lenda e tivemos um lance histórico. São razões suficientes, não?

A história de Marino e Shula em Miami é incrível, fascinante e triste ao mesmo tempo. Draftado em 1983 na 27ª posição, Marino entrou na NFL em uma equipe que disputou o Super Bowl na temporada anterior. A defesa era espetacular, a linha ofensiva era incrível, os running backs eram destacáveis. Só que o QB Dan Woodley não era lá muito empolgante,  apesar de à época ser o QB mais jovem a ser titular em um Super Bowl. Por isso Marino foi selecionado e logo na semana 5 de sua temporada de calouro saiu do banco para assumir o posto de comandante do ataque. Na semana 6 ele seria o titular pela primeira vez e só foi deixar de sê-lo 20 anos depois quase.

Em sua segunda temporada como titular, Marino chegou ao Super Bowl, perdendo um duelo contra Montana e os 49ers. Se esperava que esse duelo fosse se repetir e que os Dolphins teriam sua chance de ganhar um anel com seu quarterback imóvel, mas de braço sensacional.

Avançamos dez anos até a temporada 1994. Nada de título para o camisa 13. Nem uma ida ao Super Bowl, aliás, depois da primeira. As derrotas doídas se empilhavam e o corpo começa a ser afetado. Em 1993 ele rompeu o tendão de Aquiles. Em 1994, Marino estava de volta e com algumas performances espetaculares fez sua equipe liderar a AFC East – à época com cinco equipes – ao fim da semana 12, com sete vitórias e quatro derrotas.

Para ajudar Marino tinha Irving Fryar, wide receiver que foi para o Pro Bowl por causa de suas 1.270 jardas e sete TDs em 94. O lado esquerdo da linha ofensiva tinha Richmond Webb (All-Pro naquele ano) e Keith Sims, Pro Bowler. Enfim, longe de ser aquele time de 1984, mas tinha jogadores de qualidade.

O New York Jets estava na cola, com 6-5. Pete Carroll era o treinador, provando que ele tem mesmo 150 anos e que mascar chiclete de forma frenética rejuvenesce uma pessoa. Boomer Esiason, MVP em 1988 e outro QB que amaldiçoa os Niners até hoje por não ter vencido um Super Bowl, estava na franquia. Os Jets tinham vencido o jogo anterior. Os Dolphins perdido os dois últimos. O jogo seria no Giants Stadium.

COMO FOI A PARTIDA (DISPUTADA NO DIA 27 DE NOVEMBRO DE 1994)

Já antecipo que os Jets foram os Jets. Só não teve um butt fumble porque aí já seria sacanagem demais. Eles abriram o placar com um field goal curto no final do primeiro quarto e, no drive seguinte, Marino foi interceptado em um claro lance que o QB pensou uma coisa, Mark Ingram achou outra – sim, Mark Ingram, mas calma, esse é o pai do atual running back do Baltimore Ravens – e deu m**.

Os Jets avançaram no campo e na primeira jogada do segundo quarto não conseguiram entrar na end zone em uma terceira para o goal na linha de um. O time tentou a quarta descida, foi uma jogada de passe onde tudo deu errado, Esiason salvou achando livre o tight end e este….

Vou parar de falar e mostrar. Olha o frame abaixo e me explica como isto foi uma recepção e não foi um TD. Jets, caras…

jets touchdown dolphins

Enfim, vamos avançar. Mesmo sem esse TD dado, os Jets conseguiram dois touchdowns e tinham uma vantagem de 17 a 0 no começo do terceiro quarto. Marino conseguiu finalmente um drive sólido que terminou com passe para Mark Ingram Sr. para cortar a diferença para 17 a 6, já que uma tentativa de dois pontos não deu certo. Os Jets logo reagiram e conseguiram mais um TD para abrir 24 a 6 com três minutos faltando no terceiro quarto.

Já deu para perceber que o jogo esquentou. Os Dolphins avançaram rapidamente e Marino achou Ingram para um lindo passe na end zone e conseguiu a conversão com Fryar.

A defesa dos Dolphins finalmente apareceu para o jogo e interceptou Boomer Esiason logo no início do último quarto. Os Dolphins avançaram rapidamente, com Marino partindo para o no huddle. Muitos dos truques que vimos com Peyton Manning, Marino fez antes, impressionante. Ele acertou apenas sete passes em 14 no primeiro tempo para 84 jardas e duas INTs, mas no segundo tempo até a metade da campanha que abriu o último quarto ele tinha 14 de 17 para 176 jardas e três TDs. O último passe desse drive foi uma bomba para Ingram marcar seu terceiro TD. A diferença estava em três pontos agora.

Esiason estava perdidinho e sofreu dois fumbles, ambos recuperados pela sua equipe. Punt. Porém, no retorno do punt, fumble dos Dolphins, o quarto turnover do time no dia, contra um dos Jets. Os Jets tinham a bola com 5:46, três pontos de vantagem e a bola na linha de 38 do campo de ataque. Corrida, nada. Esiason tenta um passe longo e… interceptação de J. B. Brown.

Os Dolphins não conseguiram nada e chutaram um punt que quase rendeu um turnover. Os Jets não fizeram algo decente e devolveram a bola com 2:34 e botaram o adversário na linha de 16.

Caso você não tenha visto Marino jogar, nem mesmo com o YouTube escancarado para você, pegar o vídeo abaixo a partir do 1:51:00 é legal. O QB dos Dolphins começa lá atrás, manda ver um no huddle no estádio adversário, sem ouvir direito qualquer instrução e perde Irving Fryar logo no primeiro passe, machucado.

Marino vai conectando passes e o relógio evaporando e evaporando, já que os recebedores não saíam pela lateral. Com 43 segundos na linha de 19, ele acerta um passe para Ingram e logo sinaliza o spike com o sinal universal com a mão direita. Ele vai lentamente para a linha de scrimmage e a defesa não está posicionada, de forma horrível, com 26 segundos faltando. Ele ainda grita clock, clock, outro “sinal” para o spike. Sacana demais.

Dos jogadores da linha defensiva apenas um vai atrás de Marino e quase chega nele. O QB recebeu o snap, olhou para MARK INGRAM DE NOVO e passou. O cornerback dos Jets, completamente perdido, não virou a cabeça. Ingram virou e recebeu a bola na end zone. Touchdown, Dolphins pela primeira vez à frente do placar, com 22 segundos faltando.

DESFECHO

Os Dolphins venceram o jogo e chegariam a 10 vitórias naquele ano, a 25ª temporada de Don Shula no comando da equipe. A franquia venceu a AFC East, superando pelos critérios de desempate o New England Patriots, que teve uma bela reação com o calouro Drew Bledsoe na segunda metade da temporada. Marino conseguiu se vingar de Joe Montana, que estava jogando pelo Kansas City Chiefs, vencendo o wild card round na que seria a última partida do genial QB.

No divisional round, os Dolphins pegaram o San Diego Chargers, abriram 21 a 6, levaram a virada, mas tiveram a chance de ganhar o jogo com um field goal de 48 jardas de Pete Stoyanovich. Nada feito. Os Dolphins nunca venceriam um título com Dan Marino como signal caller.

Já os Jets foram destruídos depois de levar um fake spike na cabeça, perdendo todos os jogos que restaram. Carroll foi demitido e os Jets venceram três partidas no ano seguinte e uma no ano posterior. Torcedor dos Jets, não fique mal. Pelo menos Rex Ryan e Mark Sanchez chegaram a duas finais de conferência seguidas.

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