NFL

Jason Garrett nos Giants: isso vai dar certo ou não?

Jason Garrett, técnico do Dallas Cowboys

Por anos nós fizemos piadas com Jason Garrett. Ele foi nosso alvo favorito, a razão para termos mansões nos Jardins, um escritório no maior arranha-céu da Avenida Paulista e um horário na TV Globo que sublocamos para a novela das 21h. Era fácil: ele sempre estava ali, aplaudindo à beira do campo – um ex-GM que tem um podcast apelidou ele de The Clapper – perdendo jogos de forma doída, sendo superado nos playoffs por outros treinadores com melhores planos de jogo, tendo elencos bons mas que nunca chegaram lá. E “lá” nem precisa ser o título ou disputar um Super Bowl, só chegar em uma final de conferência.

Nem isso.

Enquanto isso o New York Giants ganhou um Super Bowl superando Tom Brady e os Patriots. O Philadelphia Eagles ganhou um Super Bowl superando Tom Brady e os Patriots. O Washington Redskins… ok, o Washington Redskins foi pior.

No nosso podcast falávamos que Jason Garrett só se mantinha no cargo porque devia ter algum conteúdo incriminador de Jerry Jones. Nada justificava aquele tipo de confiança desmedida. Até que Jones e os Cowboys decidiram que chegou a hora de um divórcio.

Foram 85 vitórias, 67 derrotas, três conquistas da NFC East e três derrotas no jogo divisional, duas derrotas para o Green Bay Packers que foram piores que um chute naquele lugar para um homem. Não sei fazer a mesma referência com as senhoras e senhoritas. Aceito ajuda nos comentários.

Jason Garrett seguiu em frente e em vez de tirar um aninho de folga, depois de 10 temporadas comandando a equipe com mais mídia, possivelmente torcida e pressão da NFL, pulou para dentro de outro barco. Logo no rival de divisão New York Giants – onde também atuou como joagador -, voltando a ser um coordenador ofensivo, posição que ocupou entre 2007 e 2009 nos Cowboys antes de assumir o posto de head coach no meio da temporada 2010.

Uma pergunta surge: por quê?

Jason Garrett nos Giants: isso vai dar certo?

Nós zoamos Jason Garrett. Mas ele sabe mais de futebol americano do que eu, pode ter certeza disso. Quando jornalistas, comentaristas, formadores de opinião, pitaqueiros e torcedores de boteco partem para cima de uma profissional com palavras duras, é normal perder essa referência. O cara foi head coach da NFL por uma razão.

Dá para pensar em N razões para ele não ter conseguido chegar no topo da NFL em Dallas. Em uma transmissão, Tony Romo disse que Jason Garrett não era um treinador “estrategista”, pensando mais no plano geral. Quando ouvi isso comecei a rir, afinal pensei no plano geral como sendo o quanto de palmas ele daria por quarto.

Mas novamente, vamos deixar a maldade de lado. É normal que coordenadores quando são alçados a head coaches mudem de atitude. Alguns seguem sendo os mesmos, cuidando de sua “especialidade” como se fossem coordenadores e deixando o outro lado da bola para alguém. Sean McVay nos Rams é um exemplo.

Bill Belichick cuida de tudo, até como seu long snapper faz xixi em uma terça à noite. Garrett, por relatos, dava liberdade a seus coordenadores e se preocupava com outras facetas, como o desenvolvimento de atletas. Ele não chama jogadas desde 2012. Agora com esse poder, ele pode elevar Daniel Jones, Saquon Barkley e outras peças de um ataque que será novo em idade e estilo de jogo.

Os resultados “blé” dos Cowboys em muitos anos – foram quatro temporadas 8-8 – não podem ser jogados só no ex-treinador. Jones por anos preferiu a opção chamativa à certa. Tony Romo sofreu com lesões. A defesa foi péssima em algumas temporadas, sendo a pior em jardas em 2013. Escolhas de Draft ruins, como Morris Claiborne em sexto em 2012, não ajudam.

Tá, já estou parecendo o agente dele

Ele não é perfeito, já sabemos disso. Mas um cara ruim não ganha uma declaração dessas de um “subordinado” dias depois de deixar seu cargo.

“Ele colocou seu coração e alma ao treinar. Ele acredita em seus jogadores com todo seu coração. Nos força a ser melhores do que podemos ser em várias situações. Me fez acreditar que poderia voltar de várias lesões: meu joelho, meu dedo, minha lesão no pescoço. Um cara que me inspirou e me fez ser um jogador de futebol americano melhor do que achava que poderia ser. Então, no meu ponto de vista, é um treinador inacreditável, um cara inacreditável e uma pessoa que amo”, disse Sean Lee.

Se alguém disser isso sobre mim algum dia eu já posso morrer em paz. Vamos dar uma chance a Jason Garrett.

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