NFL

Jameis Winston nos Saints deve ser a resposta a uma pergunta crucial

Jameis Winston, quarterback da NFL

Pleno domingão pós-Draft 2020. Equipe do Quinto Quarto dando uma descansada após uma cobertura pesada da semana inteira de NFL Draft 2020 e surge uma bomba: Jameis Winston no New Orleans Saints!

O negócio foi selado na terça-feira (28), com os Saints oficializando a chegada de Winston ao time. No domingo (26), o ‘Yahoo Sports!’ soltou a notícia em primeira mão e Ian Rapoport, da ‘NFL Network’, confirmou o acerto iminente.

E eu, realmente, não sabia muito o que pensar em um primeiro momento. Vi a notícia. Parei. Refleti. O que eu vou escrever?

Não cheguei a uma resposta definitiva, mas fiquei animado para escrever um texto opinativo. Aqui estou.

Quem acompanha o QQ há algum tempo já sabe que eu sou torcedor do New Orleans Saints. Amo esse time há mais de uma década. Sou empolgado, mas muitas vezes o que sobra é a desilusão.

Ver Winston se tornar um membro da Who Dat Nation gera sensações diversas. Pensamentos paradoxais. É um quarterback ex-Tampa Bay Buccaneers, rival da divisão NFC South. Até aí, problema algum, é muito normal jogadores da National Football League fazerem trocas desse tipo.

Mas, acima de tudo, é um quarterback controverso. Em vários aspectos (inclusive extracampo, mas não vamos focar nisso aqui).

É um cara selecionado com a primeira escolha geral do draft de 2015. Um signal caller com um braço potente e um estilo de jogo arrojado, para dizer o mínimo.

Winston, a meu ver, em cinco anos de carreira é a definição do que chamamos de “8 ou 80”, “besta ou bestial”. Como você quiser fazer essa analogia.

Primeiro, vamos olhar para suas estatísticas na temporada 2019:

  • 380 passes completados de 626 lançados (60,7%);
  • 109 jardas aéreas (maior marca de sua carreira);
  • 33 passes para touchdown (maior marca da carreira);
  • 30 interceptações (maior marca negativa da carreira).

Isso sem falar nos fumbles. Além de liderar a NFL em interceptações desde 2015, com 88, Winston também divide a ponta da liga em outra estatística desagradável, que é a que representa os fumbles sofridos (50 no total, ao lado de Kirk Cousins, do Minnesota Vikings).

Se levarmos em conta os fumbles perdidos, são 23, também o deixando na liderança negativa.

O ‘The Ringer’ (site maravilhoso, aliás), publicou um baita artigo dissecando Winston mais cedo neste mês. Vale a pena dar uma lida. Foi dele, aliás, que tirei alguns dados para este meu artigo.

E eles lembraram bem que o último passe de Winston com a camisa de Tampa Bay foi uma pick-six (interceptação retornada para touchdown), na semana 17 da temporada 2019 contra o Atlanta Falcons.

E isso é TÃO Winston!

Em partes, é por isso que Winston é uma figura que gera polarização. Ao mesmo tempo que vemos um QB que lançou para 19.737 jardas em cinco temporadas (média de quase 3.950 jardas por ano) e 121 TDs, também vemos um jogador que soma 138 interceptações/fumbles em apenas 72 jogos. Grosso modo, é pouco menos de 2 [email protected]#s por partida. 1.9 mer*@s para ser mais preciso. É muita coisa.

Há uma tabela sensacional neste artigo do ‘The Ringer’ que citei acima e que representa um bom comparativo.

Exposto isso tudo acima, Winston não é um quarterback ruim. Ele tem todas as ferramentas de um QB titular na NFL. Eu realmente acredito nisso.

Em seu primeiro ano trabalhando com Bruce Arians em 2019, Winston teve o que julgo ser o ano mais interessante de sua carreira. Ele lançou para mais de 5.000 jardas pela primeira vez em sua trajetória na liga e ultrapassou a marca de 30 TDs igualmente de maneira inédita.

Deixando as 30 interceptações de lado um pouco, afinal ele jogou em um sistema de ataque extremamente agressivo, temos números de um QB que tem potencial para conduzir uma equipe.

Tem apenas 26 anos, um canhão no braço e a capacidade de vencer jogos. A campanha de 9-7 em 2016, apesar de não encher os olhos, não nos deixa mentir. Sim, foram 28 vitórias e 42 derrotas em cinco temporadas como titular, pouco mais de 5 vitórias por ano. Mas muitos times dos Bucs também não ajudaram o nosso QB.

Se quiser provar que pode mesmo ser um QB viável na NFL, Winston terá que, nos Saints, responder a uma pergunta. O mistério que eu fiz no título deste artigo está chegando ao final.

Esta pergunta é: “o problema era mesmo o Tampa Bay Buccaneers?”.

Se ele começar a jogar bem na Louisiana, a resposta será afirmativa. E, em meio a isso, outra resposta afirmativa será dada à seguinte pergunta:

“Temos agora o sucessor natural de Drew Brees?”.

O tempo, como sempre, nos mostrará as respostas corretas.

E a renovação com Taysom Hill?

Por falar em possível sucessor de Brees, é inegável que Taysom Hill possa ser um candidato. Ainda que eu realmente não acredite nele como um QB de fato, com todas as letras.

Mas fato é que os Saints estão bastante satisfeitos com o que têm recebido por parte de Hill. Tanto que o time fechou um novo acordo de dois anos, com valor total de US$ 21 milhões (que pode chegar a US$ 22 milhões mediante incentivos), com o ‘canivete suíço’ neste domingo. Este, sim, anunciado já de maneira oficial.

O que assusta um pouco são os US$ 16 milhões garantidos já na assinatura. Evidenciam que Sean Payton e companhia podem ter um plano maior para Hill.

Fato é que tal contrato dará a chance de Hill provar que pode ser o ‘herdeiro’ de Brees. Mas, caso isso não ocorra, ele poderá se ver livre em um futuro próximo para respirar novos ares.

A concorrência de Winston também poderá atrair coisas positivas e ajudar Payton a decidir quem ficará com a futura vaga de titular depois que a lendária camisa 9 for pendurada (e aposentada).

Mostrar se ele pode se tornar um futuro franchise QB caberá ao próprio Hill.

Enquanto isso, os Saints fazem a sua parte do trabalho para tentar iniciar uma transição suave à ‘era pós-Brees’.

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