NFL

Jamal Adams consegue o que deseja, Jets resolvem problema e Seahawks investem pesado

Jamal Adams, safety do New York Jets

Uma das maiores novelas da offseason de 2020 da National Football League chegou ao fim no último sábado (25): o safety Jamal Adams foi trocado pelo New York Jets com o Seattle Seahawks.

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O time de Nova York se livrou de uma maçã podre em seu vestiário e a franquia do estado de Washington desembolsou (muito) alto por um safety. Esse é o resumo da troca, basicamente.

E o preço pago pelos Seahawks foi altíssimo:

  • Os Jets recebem: o safety Bradley McDougald, uma escolha de primeira e uma de terceira rodadas do Draft NFL 2021, e uma escolha de primeira rodada do Draft NFL 2022;
  • Os Seahawks recebem: Adams e uma escolha de quarta rodada do Draft NFL 2022.

Nem é preciso ser um grande entendedor da NFL e de negócios para saber que, independentemente do talento que Adams tem, os Jets conseguiram um acordo lucrativo.

Adams vinha criando um clima tenso nos últimos meses. Ele pediu para ser trocado publicamente, distribuiu alfinetadas e, nesta última semana, em uma entrevista ao ‘New York Daily News’, o atleta destruiu o técnico Adam Gase e o general manager Joe Douglas.

Sobre Gase, Adams disse que ele “não é o líder ideal” para ajudar a organização a “chegar à Terra Prometida”. O camisa 33 ainda questionou a condução de Douglas em relação à sua situação contratual.

O defensive back ainda caracterizou a ideia de que a organização queria monitorá-lo para ver se ele estava completamente dentro da franquia como algo “muito desrespeitoso”.

Jamal Adams não queria mais ficar no New York Jets. E, quando se chega a tal ponto de ebulição, a melhor coisa é despachar tal jogador e aliviar o ambiente.

Tudo girava em torno do fato de que Adams queria uma extensão contratual para agora e os Jets queriam aguardar 2021 para isso. Além disso, o safety desejava algo em torno de US$ 17 milhões por temporada.

Que Jamal Adams me desculpe, mas um strong safety ganhando US$ 17 milhões por ano tem que ser aqueles talentos de ‘um em uma geração’. Ele é excelente, mas calma lá.

E a postura que ele adotou publicamente não o ajuda nessa causa. Jogadores com síndrome de diva precisam compensar com MUITO talento para seguirem na NFL. Antonio Brown é a prova cabal disso (óbvio que os problemas graves extracampo pesaram bastante no êxodo do WR na liga).

Selecionado com a sexta escolha geral do Draft NFL 2017, Adams vem de uma temporada 2019 muito consistente. O defensor somou 75 tackles, sete passes desviados, uma interceptação (retornada para touchdown de 61 jardas) e 6,5 sacks (maior marca entre DBs).

O desempenho o levou a ser selecionado para seu segundo Pro Bowl e ainda para o primeiro time All-Pro.

Ainda assim, pagar a média salarial que ele desejava não era viável. Adams não joga em uma das posições mais glamorosas da NFL.

Então, na minha visão, o negócio foi ótimo para os Jets. E arriscado para os Seahawks.

Carentes da Legion of Boom, que se desfez como uma explosão (com perdão do trocadilho), os Seahawks resolveram reforçar a secundária defensiva com um nome de primeira qualidade. Adams é isso.

Mas o preço pago foi o que me deixou de queixo caído. Altíssimo.

Além das escolhas altas de draft, Seattle ainda se comprometeu basicamente a oferecer o contrato que Adams deseja.

É um negócio que PRECISA dar certo no curto/médio prazo. Caso não dê, o time de Pete Carroll e do coordenador defensivo Ken Norton Jr. terá um bocado para lamentar.

Os Seahawks jogaram suas fichas e estão certos em tentar aumentar a qualidade defensiva, que deixou a desejar nos anos recentes (sexta pior defesa contra o passe da NFL no ano passado). Mas o custo foi significativo.

Talvez nem Jets nem Seahawks sejam os vencedores. Adams sim é o grande ganhador deste negócio.

Após muito chilique, ele conseguiu o que queria, está chegando para uma franquia mais preparada para vencer e viu que pode conseguir as coisas no grito.

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