NFL

Jacoby Brissett é bom? Um estudo de caso

Jacoby Brissett, quarterback da NFL

Como você já deve ter notado, é o segundo texto esta semana com estudo de caso no título. O terceiro, “Fui no banheiro: um estudo de caso” está esperando aprovação do editor. Brincadeira: não temos um editor.

A resposta para a pergunta, se você acompanha o Indianapolis Colts mais de passagem, seja porque você não torce para o time ou então porque ele pouco passa nas transmissões para o Brasil é sim. Jacoby Brissett é bom.

Afinal, estamos falando quarterback que tem 1.926 jardas em 10 jogos, 15 TDs e apenas 4 INTs e ainda mais três TDs corridos. E ele assumiu um problemão, afinal o franchise player e quarterback titular dos Colts, Andrew Luck, deu aquele abraço para a franquia 12 dias antes da temporada começar.

Palpites, opiniões e informações sobre a semana 12 da NFL. Dê o play enquanto você lê este texto. E CONTINUE DEPOIS!!

Mas uma coisa fascinante de falar e ler quem acompanha os times de forma muito mais próxima do que qualquer pessoa – seus torcedores fanáticos – é descobrir coisas novas.

Por exemplo, antes da janela de trocas fechar, o New York Jets despachou Leonard Williams para os Giants por um preço relativamente baixo. Eu acompanho a NFL. Faço parte do Quinto Quarto. Leio podcasts, escuto notícias, provo vídeos com meus dedos (não nessa ordem). Eu achei que aquilo era estranho.

Falei isso no Twitter. E vi que o perfil de torcedores dos Jets tinha uma opinião “um pouco diferente” da minha. Eles basicamente se ofereceram para pagar uma passagem para Nova York para fazer a longa mudança de Jets para Giants do defensor.

E o mesmo se aplica para Jacoby Brissett.

Tem mais.

 

Isso me fez reexaminar a minha posição sobre Jacoby Brissett durante o jogo e olhar para trás, nas últimas semanas, mais vídeos, relatos e opiniões no Twitter. Ai está explicado o que está no título sobre estudo de caso.

Vamos às resoluções.

A NFL é dura com o meião da tabela

Sim, chocante. Mas me escuta.

Vamos pegar a NFL desde o título do St. Louis Rams, que foi uma bela mostra de como os ataques chutariam a bunda das defesas com maior constância. Claro que times com boas defesas ainda são muito competitivos. Mas são cada vez menos frequentes. E cada vez mais é necessário ter um QB monstro.

Esse título dos Rams tinha Kurt Warner como mestre de cerimônias. Depois tivemos Tom Brady, Big Ben, Russell Wilson, Aaron Rodgers, Peyton Manning e Drew Brees. Ou seja, uma lista de pelo menos quatro quarterbacks lendários, um que irá para o Hall da Fama sem dúvidas (Big Ben) e um que, para mim, se quebrar as duas pernas amanhã, tem uma possibilidade de ir para Canton (Wilson).

Você vai falar: mas e Joe Flacco, Nick Foles e Eli Manning? Sim, medianos. Mas ambos tiveram campanhas e momentos inacreditáveis nos playoffs. Se Joe Flacco, 11 TDs e 0 INTs naqueles playoffs, fosse Trent Dilfer, os Ravens não venciam os Broncos de Manning.

Tenho desculpas para Dilfer e Brad Johnson? Não.

Sigamos em frente.

Aliás, uma paradinha na seguida em frente: Peyton Manning na caminhada rumo ao Super Bowl 50 estava mais para Dilfer do que para Eli Manning.

Agora sigamos em frente com o meu ponto.

Muitos quarterbacks medianos ganharam o Super Bowl. Mas cada vez mais isso é raro e cada vez mais as defesas têm que realmente ser históricas para esse quarterback sortudo ganhar seu anel.

A defesa dos Ravens de 2000 era algo sobrenatural. Se fosse 10% menos, talvez não desse para ser campeã. Enquanto que, se a defesa dos Bears de 85 quisesse apenas deixar alguém sem pernas, mas não arrancar seu coração para fora, o ataque ainda poderia ganhar jogos.

Walter Payton teve 2.034 jardas de scrimmage em 1985 e os QBs dos Bears passaram, juntos, das 3 mil jardas. Os números dos Ravens de 2000 não estão tão longe disso.

Mas nos playoffs, os Bears de 85 tiveram 363, 232, 408 jardas de ataque em seus jogos. Os Ravens 240, 134, 282 e 244 jardas. Isso que os Bears estavam em uma era que as defesas ainda pegavam pesado, algo que começou a ser mais soft nos anos 90 e especialmente 2000.

Mas que por$%$ estou falando de Bears e Ravens em um texto sobre Jacoby Brissett?

Jacoby Brissett é um reserva ótimo mas um titular insuficiente

Jacoby Brissett tem bons números, como já falamos. Mas Jacoby Brissett teve a melhor linha ofensiva da NFL até a semana 8 segundo o Pro Football Focus com o Deus da OL Quenton Nelson e o excelente Anthony Castonzo.

Marlon Mack também é ajudado por essa linha, mas ele é um bom running back por qualquer métrica. Falando ainda sobre com a OL ajuda, só ver que Jonathan Williams surgiu na semana 11 com 116 jardas e ontem teve mais 104 contra os Texans. Quem é Jonathan Williams? Pois é.

Também ajuda ter um corpo de recebedores que, se não é incrível, é interessante. E um treinador de mentalidade ofensiva e que muitos colocam um peso enorme na sua conta na conquista dos Eagles contra os Patriots poucos Super Bowl atrás.

Apesar de ontem ter ideias duvidosas, Frank Reich é um bom treinador. Não é um Freddie Kitchens.

Isso quer dizer que é só colocar um idiota qualquer, como eu, como QB que tudo dará certo? Claro que não. Só ver Brian Hoyer.

Ou eu fingindo que sou um jogador de futebol americano para a tristeza de testemunhas na Avenida Paulista em uma noite fria de agosto.

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Brissett ainda é um QB hesitante, especialmente se precisa soltar o braço. E isso pode ser visto no seu número de jardas por tentativa de passe: 6,8 jardas, apenas o 25° maior número.

Se você quiser contra-argumentar e dizer que Tom Brady também tem 6,8, eu respondo: isso tem total relação com a linha ofensiva. A dos Colts é muito melhor que a dos Patriots neste momento. Tanto que o torcedor dos Pats quer mais a volta de Isaiah Wynn que um santista quer a volta de Robinho.

E não é como se Brady fosse um ás da bola longa constante também. E ele tem 42 anos. Seu braço estar junto ao corpo é mais um milagre MADE BY TB12.

Se a defesa dos Colts fosse inacreditável – não é ruim, mas não é dominante – ter um Brissett seria mais do que suficiente. Especialmente porque ele oferece a alternativa da corrida.

Ele é um game manager nesse sentido, cortando turnovers idiotas, sendo competente se a jogada é clara e conseguindo sair do pocket com velocidade.

Ao mesmo tempo, vendo o jogo de ontem e outros jogos da temporada, ele tem dificuldade se a jogada não se desenvolve da maneira esperada. Seu processamento não é trubiskyano, mas não é um Core i7.

E os Colts, para vencer jogos, precisam que Brissett seja acima de sua média. No primeiro jogo contra os Texans ele foi. Contra os Texans nesta quinta ele não foi.

Então chegamos na crueldade máxima: Jacoby Brissett é um reserva excelente. Aliás, é exatamente isso que ele é até em 2019, já que até duas semanas antes da estreia dos Colts, esperávamos que Andrew Luck ocupasse o cargo de QB em algum momento deste ano.

Mas para os Colts, ele é um QB insuficiente, já que a defesa não ganhará jogos sozinha constantemente – como a defesa dos Patriots está fazendo – e Brissett não é tão acima da média para elevar essa equipe ao patamar de força da AFC.

Sabe quem fez isso quando o elenco tinha muitos buracos porque o GM era horroroso? Andrew Luck.

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