NFL

Erro, eliminação e um grito sem som pelo New Orleans Saints

Sean Payton, técnico do New Orleans Saints

(Crédito: Twitter/reprodução)

14 de janeiro de 2018. U.S. Bank Stadium. Terceira para 10 jardas na linha de 39 do campo do Minnesota Vikings. Dez segundos restando.

É bem capaz que vocês já saibam do que estou falando.

O passe de Case Keenum para Stefon Diggs, que resultou em um touchdown de 61 jardas, é algo que me atormentou por tempos. Eu custei a acreditar naquela eliminação no divisional round. Nada dava para superar aquela decepção do lance que ficou conhecido como Minneapolis Miracle.

Até a noite deste domingo, 20 de janeiro de 2019. Ah, janeiro, você é implacável nas alegrias e ainda mais nas decepções para nós, torcedores do New Orleans Saints.

E a temporada 2018 terminou para a nação Who Dat de uma maneira ainda mais melancólica e mais amarga. Foi com um erro grotesco da arbitragem. E na nossa casa! O sagrado Mercedes-Benz Superdome, onde ainda estávamos invictos em playoffs na era ‘Payton-Brees’.

Com o placar empatado em 20 a 20 e o Los Angeles Rams com um pedido de tempo remanescente, nosso Drew Brees lançou um passe para o lado direito do campo para Tommylee Lewis para uma potencial primeira descida. Mas o cornerback Nickell Robey-Coleman colidiu com o recebedor dos Saints antes de a bola chegar. O que era para ser uma interferência no passe não foi marcada.

Sim, fomos nós que chegamos a abrir 13 a 0 no primeiro quarto. Fomos nós que tivemos um segundo quarto pífio e desperdiçamos chances ao longo do jogo. Mas nada muda essa não-marcação.

Eu pude sentir na pele um pouco do que Sean Payton estava sentindo. Revolta. Decepção. Raiva em um nível inexplicável.

Um grito sem som.

Após o field goal de Greg Zuerlein, com 15 segundos restando no último quarto, o placar ficou em 23 a 23 e a decisão foi para a prorrogação.

Eu estava sentado no sofá da sala. Ao meu lado, minha namorada, Vitória, acompanhava a minha aflição. As mãos suadas. E a comemoração por um pequeno triunfo no cara ou coroa. Começamos com a posse de bola e só quem conhece essa regra da NFL de ‘o primeiro que marcar o touchdown no overtime leva a po*** toda’ sabe do que estou falando.

Um passe incompleto de Brees. Logo depois, uma interferência no passe da defesa (essa sim vocês marcaram, né?). Bola na linha de 40 e a esperança estava viva.

Mas então tudo mudou. Brees foi pressionado por Dante Fowler Jr., forçou o lançamento e foi interceptado por John Johnson III na linha de 46 do campo de L.A.

Cinco jogadas mais tarde, lá estava eu ajoelhado em frente à TV. Olhos fixos na TV e repetindo em voz baixa: “vai errar, vai errar, vai errar…”. Com os dedos cruzados para completar o ritual. No fundo, entretanto, eu sabia que Zuerlein não ia errar.

FG de 57 jardas no meio do Y (chute mais longo para vencer um jogo na história dos playoffs) e Superdome calado. Uma perplexidade sentida na alma.

E eu caído no chão da sala. Por três segundos antes de me levantar, sentar no sofá e ficar com os olhos marejados. Quase lágrimas de incredulidade.

Para mim, essa temporada dos Saints teve dois momentos de lágrimas. Primeiro, de alegria quando Brees se tornou o líder da história da liga em jardas, lá na semana 5 contra o Washington Redskins. E, agora, de tristeza. De raiva. De indignação.

Certamente, um dos momentos mais tristes que vivi como torcedor dos Saints. E pior: uma tristeza que, na verdade, não foi verdadeiramente culpa dos nossos guerreiros.

Os Saints de 2018 foram um dos times mais talentosos que vi jogar. Até nos momentos de ligeira crise no ataque, que começou de forma mais flagrante naquela derrota por 13 a 10 para o Dallas Cowboys, na semana 13, eu via algo diferente.

Um ataque sensacional e uma defesa que foi crescendo no momento certo.

Campanha 13-3, a melhor de toda a Conferência Nacional. A chance de jogar todas em casa na pós-temporada. Tudo isso não serviu de nada.

A equipe de arbitragem liderada por Bill Vinovich fez o favor de apagar tudo isso.

E nenhuma ligação ou mea culpa da NFL vai resolver. O desfecho não será alterado.

Drew Brees vai entrar em sua 19ª temporada na NFL em 2019 (assim espero) e teremos mais uma chance. Mas a janela está fechando.

E é exatamente disso que eu tenho medo.

Uma potencial participação no Super Bowl LIII nos foi roubada. E este texto é o meu grito sem som.

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