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Emocionado, Brett Favre entra para Hall da Fama; confira mais sobre a cerimônia

(Crédito: Instagram/reprodução)

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A noite deste sábado (6) foi uma noite inesquecível para os oito membros da Classe de 2016 do Hall da Fama do Futebol Americano (PFHOF). Brett Favre, Marvin Harrison, Tony Dungy, Kevin Greene, Orlando Pace, Ken Stabler, Dick Stanfel e Edward DeBartolo Jr. estão oficialmente imortalizados na galeria de lendas do esporte da bola oval e, para fazer jus aos grandes nomes, a cerimônia também tinha que ser memorável.

Conheça mais sobre os oito membros da Classe de 2016 do Hall da Fama

O ex-quarterback Brett Favre fechou os discursos dos ‘imortais’, e o seu foi o mais longo de todos, com mais de 36 minutos de fala totalmente espontânea, sem papel para ler e outros recursos do tipo. E, antes de subir ao palco, o ídolo do Green Bay Packers foi ovacionado pelos torcedores do time, que compareceram em bom número e gritaram “Go, Pack, Go!”.

O discurso de Favre foi marcado pela emoção. Sua esposa, Deanna, foi sua apresentadora na entrada no Hall da Fama, mas quem foi mais lembrado pelo ‘Gunslinger’ foi seu pai Irv, que faleceu em 2003 com apenas 58 anos de idade.

Favre dedicou quase nove minutos para falar sobre seu pai. Vale lembrar que, um dia depois do falecimento dele, em 2003, o signal caller decidiu atuar mesmo assim no Monday Night Football contra o Oakland Raiders e o camisa 4 teve uma de suas atuações mais memoráveis, passando para 399 jardas e quatro touchdowns na vitória verde e dourada por 41 a 7.

Brett Favre revelou que, na viagem de avião para Mississippi para o funeral de Irv, depois do jogo contra Oakland, Deanna disse a ele: “seu pai tinha me dito que ele esperava ou mal podia esperar pelo dia que você entraria para o Hall da Fama, assim ele poderia apresentá-lo”.

Infelizmente, o sonho do pai do quarterback não se realizou e, desta forma, é fácil entender a emoção do ex-atleta.

“Até aquele momento, eu nunca tinha pensado sobre o Hall da Fama”, falou Brett Favre, neste sábado. “Assim, um novo objetivo entrou na minha cabeça. Eu disse a mim mesmo: ‘vou entrar para o Hall da Fama para que eu pudesse reconhecer o fato de como ele era importante’”, prosseguiu.

Favre pouco conseguiu segurar a emoção. Depois de uma longa pausa, ele disse “isso é mais difícil do que qualquer terceira para 15”, referindo-se a uma conversão difícil dentro de um jogo de futebol americano.

Irv, aliás, foi treinador do filho no colégio. E o ex-quarterback revelou que, um dia, ouviu seu pai dizendo aos treinadores assistentes após uma partida que seu filho poderia até não ter jogado bem, mas que ele iria se redimir.

“Eu quero que você saiba, pai, que passei o resto da minha carreira tentando me redimir e deixá-lo orgulhoso. Espero que eu tenha conseguido”, declarou.

Sobre a escolha de sua esposa Deanna para apresentá-lo na noite especial, o eterno camisa 4 deu uma explicação simples: “ela estava lá muito antes do meu primeiro passe para touchdown e muito depois do último. Por isso, foi uma escolha fácil”.

(Crédito: Instagram/reprodução)

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Brett Favre é o 25º quarterback a fazer parte da galeria de imortais do futebol americano em Canton, Ohio, e seu busto de bronze agora estará ao lado do busto de Ron Wolf, ex-general manager dos Packers que fechou a troca que trouxe o quarterback do Atlanta Falcons para o Green Bay Packers em 1992.

Atualmente com 46 anos de idade, Favre entrou para o Hall da Fama em seu primeiro ano de elegibilidade. Ele se aposentou em 2010, após 20 temporadas dedicadas à NFL, sendo 16 vestindo a camisa do Green Bay Packers. Lá ele venceu o Super Bowl XXI e fez parte de uma era vitoriosa para a organização.

No ano passado, inclusive, Favre entrou no Hall da Fama dos Packers e teve sua camisa 4 aposentada.

Na plateia nesta noite estavam Ted Thompson, general manager que trocou Favre com o New York Jets em 2008, além do quarterback Aaron Rodgers e do kicker Mason Crosby, únicos dois jogadores que atuaram com Favre e ainda seguem no elenco dos Packers, e Mike McCarthy, atual comandante da franquia de Wisconsin.

“Atlanta até Minnesota, 20 anos”, falou Favre, relembrando seu início nos Falcons e o encerramento da carreira nos Vikings. “Mas não se enganem sobre isso, eu serei lembrado como um Packer”, completou.

Brett Favre abriu seu discurso com uma brincadeira, dizendo que iria perguntar a Thompson e a McCarthy se poderia jogar no começo da partida deste domingo (7), o Hall of Fame Game, contra o Indianapolis Colts.

Na reta final, quando já estava falando por quase meia hora, ele deu mais mostras de seu bom humor.

“Eles me disseram que tenho de oito a 10 minutos, e eu agora estou com cada um desses caras me cronometrando. Eu vou atrás de um recorde mundial. Não dou a mínima”, brincou, sobre o tempo de falatório.

No fechamento do discurso, o camisa 4 deixou um conselho em uma linda mensagem.

“Trabalhe tanto quanto for possível, coloque tudo na linha, e aconteça o que acontecer. Mas você não vai olhar para trás e se lamentar. Eu não me arrependo de nada. Isso não quer dizer que foi perfeito. Eu não me arrependo de nada, e é disso que tenho mais orgulho”, finalizou.

(Crédito: Instagram/reprodução)

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Marvin Harrison e companhia discursam

A noite, é claro, não foi apenas de Brett Favre. Marvin Harrison, que passou todas as suas 13 temporadas no Indianapolis Colts, foi o primeiro a discursar.

O wide receiver, observado na plateia por companheiros como Peyton Manning, Adam Vinatieri, Reggie Wayne, Jeff Saturday e Edgerrin James, entre outros, agradeceu aos torcedores pelo apoio durante sua carreira.

“Os torcedores é que tornam este esporte possível. Eu digo isso do fundo do meu coração. Sem ofensa, Green Bay, eu tive os melhores torcedores do esporte”, falou Harrison, que aproveitou também a ocasião para tirar sarro dos torcedores do Philadelphia Eagles.

“Eu sou da Filadélfia, a casa dos Eagles. Se você escolhe errado no cara ou coroa na Filadélfia, eles querem trocá-lo logo na segunda-feira pela manhã. Então, eu não estava acostumado com isso em Indianápolis. Por isso, tivemos os melhores torcedores”, declarou o wideout, dando uma cutucada gigante nos Eagles.

Harrison agradeceu também a Bill Polian, executivo membro do Hall da Fama que liderou os Colts durante sua carreira, e também homenageou seus companheiros, em especial Manning.

“Peyton, eu quero dizer que você chegou na liga e eu fui feliz por fazer parte disso. E eu vi a ética de trabalho que você tinha, e carregamos isso por mais alguns anos. Então eu quero lhe agradecer, também, Peyton”, afirmou.

Marvin Harrison fez um agradecimento geral fechando seu discurso.

“Por último, mas não menos importante, quero dizer obrigado a todos em Canton. Esta é minha nova casa. Eu tive um grande grupo de caras que me receberam. Eu quero dizer muito obrigado”, finalizou.

O linebacker Kevin Greene, uma máquina de sacks durante sua carreira, não esqueceu que entrar para o Hall da Fama é muito mais do que algo individual.

“Estou aqui como membro da Classe de 2016, e sem dúvida que é uma grande honra individual. Sem dúvida é. Mas devo ser honesto, eu estou me apoiando nos ombros de muitos, muitos jogadores, muitos treinadores, muitas pessoas”, observou o defensor, que passou por Pittsburgh Steelers, Carolina Panthers, Los Angeles Rams e San Francisco 49ers.

O offensive tackle Orlando Pace, que atuou por 13 anos na NFL, sendo 12 nos Rams e um nos Bears, afirmou que Deus lhe deu as ferramentas para ter sucesso.

“Meu sonho começou quando eu tinha sete anos de idade, em Sandusky (Ohio). Com meu tamanho e habilidade atlética, talvez Deus tenha me destinado a algo grande. O sonho sempre começa como um sonho. É preciso muito trabalho para torná-lo realidade”, disse.

Tony Dungy, um dos técnicos mais vitoriosos da história da National Football League e primeiro treinador afro-americano a vencer um Super Bowl, aproveitou a ocasião para lembrar do falecido Dennis Green, que o contratou como coordenador defensivo do Minnesota Vikings em 1992 e o colocou no caminho para ser técnico principal.

“Denny usou da sua maneira para me ensinar as responsabilidades de ser um head coach, me ensinou sobre as coisas dentro e fora de campo. Ele fez isso porque ele queria me ver um técnico principal, e ele queria que eu estivesse preparado e pronto para quando a oportunidade surgisse, e eu o amo por isso”, falou, emocionado.

Dungy também pediu para seus ex-jogadores presentes se levantarem durante a cerimônia.

“Não há dúvidas na minha cabeça que estou aqui por causa de vocês”, declarou.

Eddie DeBartolo Jr., ex-proprietário do San Francisco 49ers, é o único membro da Classe de 2016 que não atuou na NFL.

“Eu tenho uma confissão a fazer: eu poderia ser o único membro deste grande Hall que não entrou para seu time de futebol americano no colegial”, falou. “Compartilhar este palco com estes senhores incríveis atrás de mim é mais do que uma lição de humildade. Nós todos podemos estar usando estas mesmas jaquetas, mas eles têm coisas que eu nunca poderia preencher”, completou.

O quarterback Ken Stabler e o guard Dick Stanfel entraram para o Hall da Fama postumamente, já que Stabler e Stanfel faleceram em julho e junho do ano passado, respectivamente.

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