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Em palestra, Maikon Bonani compartilha sua experiência e observa: “contrato na NFL não vale nada”

(Crédito: Quinto Quarto)

(Crédito: Quinto Quarto)

Em busca de trocar experiências com praticantes e entusiastas do futebol americano aqui no Brasil, o ex-kicker da Universidade de South Florida (USF) e do Tennessee Titans Maikon Bonani concedeu uma palestra em Sorocaba, interior de São Paulo, evento promovido pela empresa Huddle Sports Market, e a apresentação, que contou com a presença do QUINTO QUARTO, foi bastante interessante e descontraída.

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Atualmente com 26 anos de idade e nos Estados Unidos desde os 12 anos, quando seu pai mudou de emprego e foi obrigado a ir morar no país da América do Norte, Bonani, que nasceu em Matão (SP), ressaltou que viveu situações complicadas nos EUA, mas que aprendeu muitas lições para chegar onde está hoje.

Como ele próprio frisa, seus pais, seu irmão e ele foram para os Estados Unidos sem saberem falar quase nada em inglês. Aos poucos, ele foi aprendendo a língua e, no high school (o colegial), ele praticou futebol, tênis e futebol americano, cujo primeiro contato veio por meio do técnico da escola, que percebeu a força de seu chute. Levou a sério a modalidade mais popular dos Estados Unidos e, mais tarde, foi chamado para ganhar uma bolsa esportiva na University of South Florida (USF), localizada em Tampa. Foi lá onde viveu seus momentos mais emblemáticos no esporte, como a partida contra o Kansas, em 2008, quando acertou o chute decisivo da vitória do seu time, mesmo sendo novato.

Um ano depois de viver muitas alegrias, entretanto, Maikon Bonani acabou fraturando a vértebra enquanto trabalhava em um parque temático, no seu emprego temporário, e o contratempo exigiu seis meses de recuperação, completamente afastado do esporte. Porém, Bonani, apesar de admitir que até chorou na época, soube superar a situação.

Os treinos “militares”, como ele mesmo classifica, na USF, renderam posteriormente uma chance na NFL. Depois de não ter sido selecionado nem na sétima rodada do draft de 2013, Maikon afirmou ter achado que a chance de tentar virar profissional havia acabado, mas logo depois do término do draft, em uma noite de sábado, ele recebeu uma ligação do Tennessee Titans o convidando para fazer um teste. Apesar de ter superado o experiente Rob Bironas, em termos de desempenho, na offseason, acabou sendo dispensado.

“Eu ganhei do Bironas, mas como, em números, foi por muito pouco, preferiram manter o veterano”, destacou, explicando ainda um pouco do duro mundo da National Football League.

“Não ganhei nada por jogar na NFL. Lá, você só ganha se for para o elenco final, se estiver na semana 1 (da temporada regular). Se não, você ganha apenas uns 300 dólares por estar no camp. Eu joguei apenas na pré-temporada”, disse. “Contrato na NFL não significa nada. Quando você fica no roster, você tem uma parcela garantida e o resto, se você for mandado embora, você não vê nunca”, completou.

Maikon Bonani também contou como são frias as relações entre atletas e o general manager da equipe.

“Muitos jogadores têm até medo de olhar para o gerente, porque se você der um sorriso para ele e ele não gostar de algo, pode te mandar embora, tem o poder para isso. Eles veem os jogadores como um monte de carne que joga futebol americano. Quando me chamaram para falar que eu tinha sido dispensado, agradeceram, explicaram que preferiram ficar com o Bironas, e que meu voo saía daqui a três horas”, finalizou.

Antes de comparecer à palestra, Maikon Bonani conversou com crianças da escolinha de futebol americano do Sorocaba Vipers, em mais uma iniciativa que ajuda a promover o esporte no Brasil.

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