NFL

Drew Brees diz “adeus” e me deixa apenas com lágrimas e gratidão eterna

Ao final daquele 17 de janeiro de 2021, eu e todos os torcedores do New Orleans Saints já sabíamos. Uma das carreiras mais lindas da história da National Football League tinha chegado ao fim. Todas as memórias presas em seus olhos no formato de lágrimas contaram tudo. Sim, nosso Drew Brees já estava nos dizendo adeus.

Agora, poucos dias antes de completar dois meses daquela amarga noite, veio uma oficialização que dói. O torcedor Who Dat sente na pele a aposentadoria de seu maior ídolo. O anúncio veio no Instagram, em um vídeo dos lindos filhos do camisa 9. E foi em um domingo, o dia em que Brees costumou por tantos e tantos anos demonstrar toda aquela magia que só quarterbacks de seu nível conseguem.

O aperto no coração é inevitável. Mas neste domingo, foi apenas isso. As lágrimas já caíram depois daquela eliminação dolorosa para o Tampa Bay Buccaneers por 30 a 20. Em um Mercedes-Benz Superdome mais vazio do que o habitual.

Brees saiu de campo cabisbaixo, olhando as arquibancadas preenchidas pelo vácuo. O choro contido. E um aceno para a torcida que, a partir de agora, só terá lembranças mágicas. O prazer de vê-lo jogar ao vivo fica no passado. É até difícil cair a ficha.

Drew Christopher Brees me fez torcer pelos Saints. Foi no dia 24 de janeiro de 2010. Já gostava da NFL antes disso. Mas faltava um time de fato para chamar de meu. Para fazer sofrer semana após semana. Tinha uma simpatia pelo Chicago Bears e pelo Indianapolis Colts. Mas só o NO Saints que mexeu comigo de fato.

E, aqui, mais de 11 anos depois, cá estou escrevendo este texto emocionado para o Quinto Quarto. O mesmo QQ onde escrevi tantas vezes sobre Brees. Na alegria e na tristeza.

Mas posso dizer que Brees me deu MUITO mais alegrias do que tristezas. Com toda a certeza. Enquanto muitos ‘torcedores’ destruíam Brees nas redes sociais logo após a eliminação para os Bucs, eu resolvi refletir. E, no resto de ânimo que tive naquela noite triste, deixei uma mensagem de gratidão no Instagram oficial dos Saints. Foi o meu jeito de demonstrar minha admiração.

Admiração essa que jamais deverá ser esquecida por nenhum que se diga, de fato, torcedor da franquia da Louisiana. Brees não apenas é o cara que nos trouxe o único Super Bowl de nossa história. Foi o maior jogador do New Orleans Saints em todos os tempos.

Voltando àquele dia 24 de janeiro, há 11 anos, Brees foi fundamental na vitória por 31 a 28 sobre o Minnesota Vikings, na final da NFC. Eu, na época sem acesso à ‘ESPN’ e a qualquer tipo de streaming oficial, resolvi usar o famoso ‘linkão corsário’. Imagem Full HD (#sqn) e travando uma vez por minuto. Mas parei para ver aquele jogo só por gostar da bola oval.

Acabei saindo no começo do que ainda era uma paixão. O primeiro flerte. Virou um amor esportivo, posso dizer com segurança. Os Saints tomaram conta de boa parte da minha vida.

E, para mim, Brees é quase sinônimo de New Orleans Saints. Ainda não acompanhava NFL na sua época de San Diego Chargers. Cheguei pouquinho depois, lá por 2006. Coincidentemente, o mesmo ano em que Brees chegou à organização que mudaria sua vida. E que mudou as vidas da sofrida Who Dat Nation.

Teve furacão Katrina, teve Bountygate e muitas outras turbulências e momentos tristes da nossa história. Mas nós lavamos a alma naquela temporada 2009.

A vitória sobre os Vikings nos levou ao primeiro Super Bowl de nossa história. E, no Dolphin Stadium, a vitória por 31 a 17 sobre o Indianapolis Colts de Peyton Manning nos deu o primeiro título.

Brees teve uma atuação impecável naquela noite de 7 de fevereiro, com 32 passes certos de 39 para 288 jardas e dois touchdowns. E seu trabalho foi completado por Tracy Porter, que retornou aquela interceptação de Manning. 74 jardas até a end zone. TD que colocou um ponto final.

Desde então, batemos na trave diversas vezes. Das temporadas 2010 até a fatídica temporada 2020, foram duas eliminações na rodada de wild card, quatro na rodada de divisão e uma doíiiida na final da Conferência Nacional (NFC) para o Los Angeles Rams, em 2018. Também ficamos quatro temporadas sem ir ao Super Bowl, curiosamente todos com campanha 7-9.

Mas Brees sempre fez mágica. Superou lesões nos últimos anos. Suou sangue o quanto pôde. Não dava mais. O braço não era mais o mesmo, a condição física estava deixando a desejar e nem a sorte estava tanto do nosso lado, ainda que o coração do camisa 9 sempre estivesse ali.

É por isso que todos temos que ser eternamente gratos a Brees. Torcedor dos Saints ou não, agradeça por ter tido a chance de vê-lo jogar. É o mínimo que peço.

Duas décadas na NFL desde que foi selecionado pelos Chargers na segunda rodada do Draft NFL 2001. E 15 anos dedicados aos Saints, onde ele realmente se sentiu em casa. O time que apostou nele depois de muitos darem sua carreira como acabada após uma lesão grave no ombro direito.

Agora, com 42 anos, ele fecha sua trajetória linda com um anel de Super Bowl na mão (que deveriam ser dois ou mais para fazer jus à sua carreira brilhante).

Líder da história da NFL em jardas de passe (80.358), segundo de todos os tempos em passes para TD (571) e também em porcentagem de passes precisos (67,7%). Um gênio que jamais ganhou um prêmio de MVP da NFL, apenas um troféu de MVP naquele Super Bowl XLIV.

O fim não foi como queríamos, lançando três interceptações pela primeira vez em um jogo de playoffs. Mas, sinceramente, NINGUÉM vai se lembrar dessa partida. Perto do que Brees fez pela cidade de New Orleans, isso não é nada.

Neste texto, não vou falar mais sobre as inúmeras marcas e recordes de Brees. Isso você pode conferir neste belíssimo texto da ‘ESPN’ norte-americana. Aqui eu prefiro focar em Brees, pura e simplesmente.

Meu maior ídolo dos esportes americanos disse “goodbye”. E, na minha língua nativa, eu respondo:

MUITO OBRIGADO, DREW!

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