NFL

Demitido, Matt Patricia não pode reclamar de falta de tempo no Detroit Lions

O timing não foi dos mais comuns, mas a queda de Matt Patricia do cargo de head coach do Detroit Lions era uma questão simplesmente de tempo. Juntamente com ele, rodou o general manager Bob Quinn, que igualmente tinha contrato com a franquia de Michigan até a temporada 2022 da NFL.

A demissão de Patricia e Quinn se deu dois dias depois da derrota feia para o Houston Texans por 41 a 25, no Dia de Ação de Graças. Quando seu time é humilhado em rede nacional, no maior feriado dos Estados Unidos, e seu técnico já está balançando, é isso que tem boas chances de acontecer. E aconteceu.

Patricia não pode reclamar de falta de tempo. Ele pagou por suas muitas decisões erradas, pelo seu temperamento um tanto quanto complicado e por sua teimosia.

Contratado pelos Lions em 2018, Patricia teve duas temporadas consecutivas abaixo dos 50% de aproveitamento. E, em 2020, sua terceira, a campanha até agora era de 4-7, abaixo de 50% novamente.

Antes da atual temporada, o alto escalão do Detroit Lions mandou uma mensagem clara: ou a equipe competiria por vaga na pós-temporada ou então era rua. Ficou claro mesmo antes da semana 12 que os Lions não seriam esse time. E o destino foi selado.

O trabalho de Patricia nos Lions foi medíocre, para dizer o mínimo. Foram 13 vitórias, 29 derrotas e um empate à frente da equipe. Desde a chegada do novo head coach, o time ficou entre os dez piores da National Football League em pontuação, defesa total e defesa contra o passe. Além disso, a equipe está empatada com o menor número de turnovers forçados (takeaways) na NFL desde 2018, com somente 43.

Isso fica ainda pior quando lembramos que Matt Patricia foi coordenador defensivo do New England Patriots por seis anos e é um treinador de mentalidade defensiva. E a defesa dos Lions foi uma verdadeira piada desde que ele chegou.

O aproveitamento de 31,4% dos Lions durante a passagem do ‘barba’ foi a sexta pior da NFL no período. E o técnico teve a pior porcentagem de vitórias entre times com média de 21 pontos ou mais por jogo na era Super Bowl (mínimo de 40 jogos no comando da equipe).

Se eu for ficar falando as estatísticas negativas aqui, vamos longe. Melhor parar.

Já Quinn estava no cargo de GM desde 2016 e os Lions tiveram 31 vitórias, 43 derrotas e um empate com ele no cargo. Foram três temporadas abaixo dos 50% depois de 9-7 nos dois primeiros anos dele como general manager. Entregou muito pouco.

Fato é que as demissões foram motivadas pela inércia que a organização vem demonstrando nos últimos anos. Não, a culpa não é totalmente de Patricia e Quinn. Não mais do que a culpa de um time que por anos vem sendo mal administrado e longe dos títulos.

Sheila Ford Hamp, nova proprietária da equipe, que assumiu o comando das mãos de sua mãe Martha Firestone Ford, visivelmente deseja tirar o seu time do limbo. E os cortes importantes neste sábado (28) são uma medida completamente necessária.

O Detroit Lions não vence um título de divisão há 26 anos, com a última vendo tendo sido na longínqua temporada 1993. E o time não ganha uma partida de playoffs desde 1991. São dados vergonhosos que Hamp não faz questão de varrer para debaixo do tapete.

“Não podemos esconder nosso passado, isso é certo. Mas eu acho que estou muito dedicada a mudar esta nave e realmente fazer a diferença e espero que não tenhamos que olhar muito para trás, apenas olhar adiante”, disse Hamp.

Patricia estava visivelmente com os dias contados. Não somente pelos resultados em campo, mas também por alguns fatores fora das quatro linhas.

Antes mesmo de Patricia comandar o time em uma partida, em 2018, o jornal ‘Detroit News’ publicou uma matéria relembrando uma acusação de agressão sexual envolvendo Patricia, décadas atrás, que foi completamente negligenciada pelos Lions durante o processo de contratação.

Depois disso, a primeira partida de Patricia no comando do time foi uma pancada por 48 a 17 sofrida diante do New York Jets, em pleno Monday Night Football. E, com o passar dos anos, ainda rolaram papos de atrito entre o head coach e seus jogadores. O clima nunca foi realmente leve com Patricia por lá.

Impossível também esquecer algumas decisões questionáveis de Quinn e Patricia, como a decisão de trocar o wide receiver Golden Tate com o Philadelphia Eagles em 2018 e o safety Quandre Diggs com o Seattle Seahawks em 2019. Foram negociações bem contestadas não apenas pelos torcedores como por outros jogadores do elenco.

Agora, Patricia seguirá para o mercado e dificilmente arranjará um novo emprego como head coach, provavelmente sendo fadado a algum cargo de coordenador defensivo. E os Lions seguem com o coordenador ofensivo Darrell Bevell como interino.

A NFL é uma liga de resultados. Os Lions queriam “avanço significativo” neste ano. Ele não veio. E aqui estamos.

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