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Cowboys apostam em Mike McCarthy revigorado e que sabe o mapa da mina

Mike McCarthy, head coach da NFL

Sai Jason Garrett, entra Mike McCarthy. No dia seguinte ao anúncio do desligamento de Garrett, o Dallas Cowboys anunciou seu novo head coach. E é um comandante com um tremendo de um currículo na National Football League.

Como líder do Green Bay Packers por 13 temporadas (2006 a 2018), McCarthy somou 125 vitórias, 77 derrotas e dois empates. A franquia de Wisconsin foi aos playoffs em nove dessas 13 temporadas, chegou duas vezes à final da Conferência Nacional (NFC) e ganhou o Super Bowl XLV sobre o Pittsburgh Steelers. No AT&T Stadium, que será sua nova casa agora nos Cowboys.

Ao longo do dia, li três ou quatro textos de análise da imprensa dos Estados Unidos. Uma boa parte criticou a contratação de McCarthy. Talvez pelo fato de ele ser considerado um treinador um tanto quanto ‘old-school’ e da velha guarda. Isso em meio a uma febre vanguardista e inovadora que a NFL vem adotando nos últimos anos.

Mas um texto em especial me chamou a atenção: um artigo escrito por James Jones, ex-wide receiver dos Packers, para o NFL.com.

Nele, o wideout, que defendeu os Packers de 2007 a 2013 e também em 2015 (ou seja, jogou por oito anos com McCarthy em GB), foi muito a favor da contratação de McCarthy por Jerry Jones, o chefão dos Cowboys.

E foi basicamente o único dos textos que li que realmente se encaixou com o que penso.

Reportagens brilhantes recentes dos jornalistas Tom Pelissero, da ‘NFL Network’, e Rob Demovsky, da ‘ESPN’ norte-americana, mostram o quanto McCarthy mergulhou no futebol americano durante seu ano sabático em 2019 e estudou demais.

Ele já é, inegavelmente, um treinador consolidado. E, agora revigorado, ele tende a acrescentar muito à franquia texana.

Sim, o processo de contratação foi dos mais rápidos já vistos na NFL nos últimos anos. Os Cowboys entrevistaram apenas McCarthy e Marvin Lewis, ex-Cincinnati Bengals, antes de optarem pelo primeiro.

Não, a contratação de McCarthy não é tão atrativa como a de Urban Meyer, técnico da Universidade de Ohio State, ou a de outro ‘aspirante a Sean McVay’ poderia ser. Eu até compreendo uma grande pulga atrás da orelha por parte da torcida dos Cowboys, tão judiada nas últimas décadas

Mas McCarthy sabe algo que Garrett nunca conseguiu saber: o caminho das pedras.

O novo head coach dos Cowboys chegou aonde Jerry Jones daria tudo para chegar. Não só chegou ao Super Bowl, mas levantou o Vince Lombardi Trophy.

E a chegada dele acrescenta algo tão importante quanto aos ‘vaqueiros’: um profissional que saberá como desenvolver o talento de Dak Prescott e companhia.

Profissional de mentalidade ofensiva e com nada menos do que 26 anos de experiência como técnico na NFL, tendo circulado por Kansas City Chiefs, New Orleans Saints, San Francisco 49ers e Packers (como treinador de QBs, coordenador ofensivo ou HC), McCarthy com certeza terá (muito) mais ferramentas do que Garrett para trabalhar com Prescott, Ezekiel Elliott e um ataque recheado de talentos de primeira linha como os wide receivers Amari Cooper e Michael Gallup.

E, como James Jones destacou, o dinâmico ataque ‘up-tempo’ adotado por McCarthy é um trunfo para soltar a fera que pode estar adormecida dentro de Prescott. Se ele não chegar ao próximo patamar sob McCarthy, talvez o camisa 4 não seja mesmo o franchise quarterback dos Cowboys (e consequentemente não mereça os US$ 30 milhões anuais que ele deseja).

Trabalhando com um QB de temperamento mais complicado, como Aaron Rodgers aparenta ser, e tendo enorme sucesso nos Packers, McCarthy é o cara para iniciar como capitão de um novo navio. Ou seria um touro mecânico para os Cowboys? Enfim…

Prescott vem de uma temporada 2019 bem interessante em termos estatísticos, tendo acertado 65,1% de seus passes para 4.902 jardas, 30 touchdowns e 11 interceptações, além de correr para 277 jardas e três TDs. Em resumo, material sobre o qual é possível trabalhar existe em Dak.

Com um ‘novo velho’ McCarthy, que mergulhou em estudos históricos, que adora usar analytics e que deve trazer novas ideias até mesmo para o campo de treinamento, os Cowboys podem prosperar.

Talvez ele não seja tanto “a decisão mais inteligente que o Dallas Cowboys poderia ter tomado”, como escreveu James Jones. Mas, com toda certeza, é a mais realista e promissora para o que os Cowboys precisam: vencer para ontem.

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