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Como derrotar New England? Ora, “copiando” o jeito de jogar dos Patriots

(Crédito: Instagram/reprodução)

De forma alguma quero rebaixar a brilhante e emocionante vitórias dos Eagles. Pelo contrário, a franquia da Philadelphia venceu porque soube jogar à sua maneira.

Contudo, muito do que se viu no Super Bowl LII vem da escola vitoriosa de Bill Belichick e dos Patriots. Doug Pederson usou de molde e deu seu toque para os Eagles. Não há nada de imoral ou ilegal em copiar alguns aspectos. Reproduzir algo tão vitorioso e vibrante só engrandece a vitória. Sem falar que copiar é próprio do ser humano. Faz parte da nossa sobrevivência. Copiamos para aprender, copiamos para evoluir. Até copiamos hábitos ruins. Então por que não copiar hábitos vencedores? E a partir deles dar uma nova cara e atitude.

Ou alguém aí quer usar de molde os Browns? Times campeões precisam de inspiração. E o principal aspecto copiado foi a individualização dentro do time.

Belichick já cansou de falar e vai continuar falando: faça o seu trabalho. Cada jogador tem sua função e ela deve ser feita com precisão e intensidade. Não adiante querer fazer mais e deixar de cumprir sua função principal. Não à toa, os Eagles sofreram perdas enormes ao longo da temporada e mesmo assim conseguiram substitutos que chegaram e fizeram o serviço. Isso é muito Patriots. Sem Wentz, Sproles, Peters e o time seguiu produzindo. Quantas vezes a gente viu isso em New England?

E adivinha quem vai servir de modelo após uma vitória tão impressionante? Sim, os Eagles serão copiados. Não tenho dúvida que todas as outras 31 franquias, inclusive os Patriots, vão dissecar as chamadas ofensivas de Pederson. Existe um novo padrão a ser seguido na NFL e ele está na Philadelphia.

Doug Pederson levanta o Troféu Vince Lombardi

(Crédito: Instagram/reprodução)

Fora que os Eagles não venceram os Patriots com uma defesa avassaladora, sufocando Brady e tal. Eu sei que a jogada do fumble foi decisiva, mas os Eagles venceram no que os Pats fazem de melhor: ataque dinâmico e muita confiança.

Os Eagles nunca desistiram da partida. Nem com um terceiro quarto avassalador de Brady e parceiros. Nem com a virada após liderar boa parte do jogo. Pode ser que o exemplo dos Falcons tenha deixado os Eagles vacinados, mas essa sempre foi uma característica dos Patriots. Nunca desistir. E mais do que isso: entrar com tudo no quarto período. É nele que as coisas se decidem. Essa os Eagles aprenderam.

Os Eagles também aprenderam que é uma bobagem tentar estabelecer o jogo corrido. O jogo aéreo é que deve ser estabelecido. Com um jogo de passe constante, as corridas são inesperadas e vão além de gastar o tempo e cansar a linha adversária. Belichick acredita fielmente nisso e gosta de se armar com três corredores (James White, Dion Lewis e Rex Burkhead). Os Eagles também. Le Garrette Blount, Jay Ajayi e Corey Clement são capazes de correr, bloquear, chamar atenção da defesa adversária e recebem passes. As possibilidades aumentam com um trio assim. A defesa que já tem que marcar os recebedores fica maluquinha. Não à toa, as duas defesas no Super Bowl foram jantadas, regurgitadas e saboreadas novamente.

Mas as semelhanças não param por aí. A posição de tight end é valiosa e crucial no esquema das duas equipes. Rob Gronkowski (1,98m e 129 kg) e Zach Ertz (1,96 m e 113 kg) são bem parecidos fisicamente. Dois alvos grandes, atléticos e com mão firmes. Ambos alternam muito bem entre pegar passes e bloquear. Os Eagles precisavam de alguém parecido com Gronk. É algo como atacar na mesma moeda. Fazer com que o inimigo experimente um pouco do seu próprio veneno.

E o venenoso Patriots sempre abateu suas presas com uma infinidade de movimentos pré-snap. É muito raro ver uma jogada de ataque dos Pats sem que ninguém cruze de um lado para o outro, ou que alguém saia de um lado e vá para o outro, ou que simplesmente ande e volte para o mesmo lugar. O movimento gera ansiedade e confusão na defesa, as zonas caem e vira um bolo doido. Pois bem, Philadelphia absorveu isso muito bem e fez bom uso. E para desenhar e desempenhar jogadas “movimentadas” é preciso muita repetição e entendimento mútuo. Uma marca registrada pelos Patriots, mas que os Eagles souberam imitar.

Assim como imitaram uma característica do ataque de New England. Não há time que explore o momento melhor do que os Pats. Exemplo: Gronk emendou seguidas recepções no início do terceiro quarto e como recompensa fez a recepção do TD, finalizando a campanha que ele ajudou a construir. Isso desmoraliza o defensor, que é batido seguidas vezes e ainda tem que abaixar a cabeça ao ceder um TD.

Os Patriots sempre foram mestres nisso. Mas o Eagles são ótimos aprendizes, tanto que agora eles são os novos mestres. Foles também se aproveitou de seus companheiros que estavam “pegando fogo”. Ou seja, saber curtir o momento, taí mais um ensinamento. Nelson Agholor teve seu momento bem explorado. Blount conseguiu suas carregadas consecutivas. Alshon Jeffery teve seu momento, até o momento da interceptação, quando parou de ser um alvo constante.

Najee Goode comemora após a conquista do Super Bowl LII

(Crédito: Instagram/reprodução)

Mas como eu disse no início do texto, os Eagles venceram porque jogaram à sua maneira. E a maneira de conduzir é bem diferente da de New England. Pederson chama as jogadas, aprendeu isso com o mestre Andy Reid. Aprendeu e evoluiu. Reid tem uma enorme dificuldade de lidar com as situações mais decisivas da partida. Pederson usou dois tempos ao final do primeiro tempo que foram cruciais para o resultado da partida.

Primeiro ele pediu um tempo antes da chamada que resultou no TD de Foles. Era uma quarta descida e o time poderia ter chutado um field goal. Mas Pederson pediu tempo, escolheu sua melhor jogada e saiu com os seis pontos. Na posse seguinte dos Pats, Brady vinha conduzindo uma campanha que tinha cheiro de pontuação. O time estava embalado e avançando rapidamente em campo. O treinador dos Eagles sentiu o momento da equipe adversário e pediu um tempo, mesmo após um spike feito por Brady. O tempo esfriou os ânimos e New England não conseguiu transformar o momento em pontos.

Em resumo, os Eagles usaram a forma vencedora de New England, mas de um jeito próprio, nada de uma cópia barata. Agora os Eagles são a formação vencedora, o molde a ser seguido e copiado.

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