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Opinião: como Bill Belichick tranquiliza até quando o momento é estranho

Eu já vou admitir que o texto de hoje não vai inventar a roda. Nem ser comentado como o mais polêmico da história do Quinto Quarto no nosso Reddit, que na verdade não existe. Os Patriots começaram a free agency de forma estranha, perdendo jogadores. Eu ligaria um sinal de alerta se estivesse falando de qualquer outra franquia.

O que Bill Belichick está fazendo nesta offseason faria algumas bases de fãs querer matar seu treinador/GM/pica das galáxias da franquia

O New England Patriots chegou nesta offseason indicando que muitas coisas mudariam, mesmo que, oficialmente, nada tenha sido dito, porque estamos falando da franquia que menos vaza coisas dos esportes americanos. No fim a mudança na comissão técnica não envolveu ambos coordenadores porque Josh McDaniels resolveu ser o inimigo número 1 de Indiana, posição ocupada por John Starks por anos.

No time, tirando a questão que não há um plano B caso o quarterback de 40 anos se machuque, a equipe teria 4 nomes de importância média a grande entrando na free agency. Eram eles:

Nate Solder: não estamos aqui falando de Anthony Muñoz, mas Solder era um left tackle bom e que não perdia jogos. A verdade é que a linha ofensiva dos Patriots continua não sendo boa, mas o fato que Tom Brady tem um release rápido e é um QB que te mata em passes curtos e de média distância, não precisando esperar rotas longas, ajuda a mascarar essa deficiência.  Mesmo assim, era bom manter um ponto forte dessa linha e tudo indicava que ele era um dos que Belichick gostaria de segurar.

Malcolm Butler: pelo visto não vamos mesmo saber por que ele não jogou no Super Bowl. A trajetória dele foi quase bizarra, aparecendo para ser o herói quando ninguém sequer sabia seu nome.  Para a temporada seguinte, ele basicamente virou o cornerback #1, não foi mal, mas mesmo assim Belichick trouxe Stephon Gilmore em um contrato nada característico dos Patriots. Na temporada passada Butler não jogou bem, pelo visto teve problemas de indisciplina e ficou muito claro que em campo ele também não segurou a onda.  Isso quer dizer que ele não deveria jogar o Super Bowl LII e pelo menos ser considerado para um novo contrato? Não acho.

Dion Lewis: ele deve sua carreira a Belichick. O running back soube ganhar seu espaço sendo uma ameaça dupla e um excelente jogador para combinar com outros RBs durante o jogo, como aconteceu nos dois últimos anos.

Danny Amendola: sempre apareceu quando mais foi necessário, ou seja, no jogo contra o Baltimore Ravens nos playoffs em 2015 e na final de conferência contra os Jaguars há dois meses. Sem Edelman, sem Gronkowski, Amendola foi o MVP daquela partida entre os não-Bradys.

Era normal e esperado que todos os quatro não fossem ficar, mas qualquer combinação Lewis-Butler saindo deixaria o torcedor dos Patriots de boa. Agora, perder os quatro foi um golpe, especialmente Amendola, que foi para os Dolphins em uma negociação que não dá para entender pelo lado dele – os Dolphins são horríveis e ele não está enchendo sua conta – e para os Dolphins, já que é um jogador com grande histórico de lesões em uma equipe que precisa reforçar basicamente todas as posições. E ninguém sabe se a equipe está tentando construir para ganhar ou tankar. Ou pior: para ficar no meião.

E aqui eu devo admitir. Precisei fazer um podcast com Bruno de Abreu Bataglin para saber se era só eu que estava estranhando o que estava rolando nos Patriots. Claro, sempre tendo que falar que não dá para ficar contra o que Belichick faz.

Solder saiu porque recebeu um contrato quase absurdo dos Giants. Segundo o jogador de linha, ele não foi muito diferente do que o que os Patriots ofereceram, o que eu duvido, porque Belichick não ia deixar Solder receber mais que Brady de salário. E segundo porque os Pats colocam todo tipo de cláusula de produtividade, o que para um jogador de linha de 30 anos não é nada delicioso.

Ok, parece até que você quer meter o pau em Belichick… (/leitor deste texto)

Não é isso, mas que é estranho, é claro que é. Na temporada passada nós já vimos, especialmente na defesa, um time que estava sofrendo com falta de peças. James Harrison teve que vir aos 63 anos de idade e logo ele se tornou um pass rusher de suma importância. A lesão de Dont'a Hightower colocou o corpo de linebackers em parafuso. Não é a toa que os Patriots não conseguiram parar Nick Foles e companhia para vencer o Super Bowl: no fim, as peças não estavam lá.

A temporada já começou assim aliás: Kony Ealy veio dos Panthers em troca de uma escolha alta de Draft e foi cortado pouco tempo depois. Cassius Marsh também veio em troca com picks e foi cortado depois de um começo de temporada horrível.

E aí não tem como pensar em Chandler Jones, líder em sacks da NFL em 2017 e que poderia ter recebido um contrato antes de se valorizar tanto e precisar ser negociado para os Cardinals, porque os Patriots não teriam como pagar ele na free agency. Não tem como não pensar em Jamie Collins e a mesma questão do contrato que não veio no momento certo. Talvez Jimmy Garo… não, deixa quieto que não quero ter minha casa queimada.

Ok, parece até que você está metendo o pau em Belichick (/leitor deste texto)

É claro que terão “erros” na conta desse treinador tão animado e de alto astral. O que nós temos que lembrar nessas horas que ele coloca interrogações na nossa cabeça e na dos torcedores é que seus Patriots nesses 20 anos não são uma constante.

A free agency está esfriando. Ouça o Quinto Quarto Expresso #104 para saber o que está rolando na rapa do tacho:

Há pelo menos três eras nesses 17 anos, incluindo uma série de cinco anos que o time perdeu para os Ravens e os Jets de Mark Sanchez, ambos em casa, foi para o Super Bowl para ser traumatizado pelo Eli Manning de novo, e depois perdeu de novo para Ravens e finaliza com uma eliminação para os Broncos. Só que nesse período nós vimos uma verdadeira reconstrução do time, com Wes Welker ganhando importância, Rob Gronkowski começando a despontar e uma virada nos jovens talentos da defesa, que foram ganhando mais espaço (McCourty, Chung, Hightower, Collins, Jones, Flowers). Ou seja, no “pior” momento, Belichick estava renovando as peças que no fim trariam mais dois anéis.

O maior mérito de Bill Belichick, além de seus planos de jogo, foi sempre abrir mão de jogadores de nome por convicção de que eles não valeriam o que outros times pagam. E enquanto isso, criar novos atletas pelo Draft ou então tirando ele do banco do banco de outros elencos. É isso que ele vai fazer de novo em mais uma reconstrução expressa que até pode gerar pânico no começo, mas que não vai durar nem alguns meses.

Os Patriots não são a dinastia que perdura e sim a dinastia que se reconstrói a todo momento, em uma liga onde janelas duram quatro ou cinco anos antes de reconstruções de semelhante tempo. Só vermos o San Francisco 49ers. Belichick alcançou um nível que seus erros basicamente precisam ser reconsiderados, já que o resultado em campo sempre mata quem quer matar essa franquia. Nisso ele é o Alex Ferguson da NFL. Então para esta offseason, torcedor dos Patriots: R-E-L-A-X.

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