NFL

Com virada inacreditável, Seahawks vencem Packers e chegam ao terceiro Super Bowl da franquia

Inacreditável. Um jogo simplesmente inacreditável. Perdendo por 16 a 0 no intervalo e por 19 a 7 com menos de três minutos restando para o fim, o Seattle Seahawks ressurgiu no seu CenturyLink Field, virou a partida, viu o Green Bay Packers empatar e na prorrogação venceu a final da Conferência Nacional por 28 a 22.

Com esse triunfo, os atuais campeões voltam ao Super Bowl e terão a chance de ser a primeira equipe desde o New England Patriots de 2003 e 2004 a vencer dois anéis seguidos. O rival sairá da partida entre os Patriots e o Indianapolis Colts. Será a terceira grande final da franquia de Seattle. Na primeira ida, derrota para o Pittsburgh Steelers em 2005/06. Na segunda, em fevereiro de 2014, vitória acachapante contra o Denver Broncos.

A virada no quarto período e a vitória no tempo extra foi impulsionada por Russell Wilson (14/29, 209 jardas, 1 TD e mais um corrido e quatro interceptações), que estava fazendo uma partida péssima e claro, ele, Marshawn Lynch, com 157 jardas em 25 carregadas e um touchdown.

Até daria para dizer que foi o resultado foi injusto com os Packers, se não fosse a tremenda incompetência da equipe em aproveitar momentos chaves da partida, que, como visitante, em Seattle, precisam ser capitalizados. Dá para citar três muito claros: dois no começo da partida, com duas campanhas que terminaram em field goals de 18 e 19 jardas, e o onside kick no final do duelo, que já entrou para a história do esporte. Green Bay, nesse caso, está do lado errado dela.

Mas vamos ao jogo.

Primeiros 30 minutos: festa do turnover e visitante folgado 

Na primeira campanha, o ataque dos visitantes andou com competência, principalmente por causa das pernas de Eddie Lacy. Já na redzone, Aaron Rodgers tentou o passe na zona mais perigosa de toda a NFL: a área que Richard Sherman protege. Batata. A tentativa para Davante Adams caiu na mão do cornerback, que saiu pelo fundo. Interceptação.

Porém, as primeiras campanhas dos Seahawks foram um fracasso tremendo. Na primeira ida para campo, Russell Wilson passou, a bola desviou na mão de Jermaine Kearse e Ha Ha Clinton-Dix interceptou, retornando até a linha de quatro. Uma falta atrasou a bola até a a linha de 19 jardas.

E os Packers continuaram atacando. Optando por Eddie Lacy, a equipe chegou até a linha de meia jarda, mas não conseguiu entrar na end zone. Field goal com gosto azedo. Só que os cabeças de queijo teriam mais oportunidades logo: no retorno do kickoff, Doug Baldwin foi displicente e sofreu o fumble. Morgan Burnett pegou a bola no chão e completou o turnover.  Novamente com a chance de fazer o TD, Aaron Rodgers bateu na parede e Mason Crosby entrou novamente em campo para fazer 6 a 0.

Wilson entrou em campo novamente, mas por pouco tempo: three and out. Começando na linha de 44 jardas, agora Rodgers tomou para si a responsabilidade – mesmo baleado, sua movimentação foi boa durante grande parte da tarde – e com três passes fundamentais os Packers marcaram seu primeiro touchdown: Jordy Nelson para 15 jardas, Richard Rodgers onze jardas e Randall Cobb na end zone, fugindo da pressão e achando Cobb livre na terra prometida. Fim de primeiro a quarto, 13 a 0 para os visitantes, o que ficou até barato para os mandantes.

Se o primeiro quarto foi movimentado, o segundo foi mais ainda e teve toques de comicidade. Green Bay conseguiu mais três pontos em um field goal, dessa vez de 40 jardas, em uma campanha marcada pela péssima disciplina da defesa campeã do Super Bowl.

A partir daí um show de horrores de dois quarterbacks, que normalmente são seguros. Russell Wilson tentou um passe completamente displicente para Kearse, que marcado duplamente, não teve chances de pegar a bola. Clinton-Dix teve a segunda interceptação da tarde. Mas na campanha seguinte, Rodgers fez um passe horroroso, interceptado por Byron Maxwell.

O que poderia ser uma faísca para trazer a torcida de volta para a partida e o zero do marcador, foi um anticlímax. O ataque avançou bem, mas um passe na end zone do camisa 3 foi interceptado por Sam Shields.

Pô, Russell Wilson acertou algo no primeiro tempo, você deve se perguntar. Acertou. Dois passes, para 12 jardas, em nove tentados. Desses seis passes errados, três foram interceptações. Aaron Rodgers passou para 116 jardas, com 12 passes certos em 21 e 1 TD, mas duas interceptações.  16 a 0 no placar para os Packers, graças a Eddie Lacy (57 jardas), a defesa sufocante e o time de especialistas, que garantiu duas ótimas posições de campo.

Para os Seahawks, o resultado ainda deixava o time no lucro, tamanha a péssima atuação da equipe inteira, principalmente do ataque aéreo.

Segundo tempo: jogada improvável e uma virada inacreditável

Depois de algumas campanhas infrutíferas das duas equipes, a primeira pontuação do segundo tempo veio em grande estilo. Depois de ficar em uma segunda para 31 jardas por causa de um sack sensacional de Clay Matthews, Seattle alinhou para o field goal de 37 jardas. Só que Pete Carroll não queria apenas três pontos. O punter Jon Ryan, fazendo as vezes de holder, pegou a bola e ao invés de ajeitar para Steven Hauschka, ele levantou, correu e passou para o tackle Garry Gilliam, que correu a rota, recebeu uma bola pela primeira vez na carreira  e fez o touchdown. 16 a 7 e CenturyLink Field explodindo.

Mas os 30 minutos finais não foram como os primeiros. Os dois ataques começaram a cuidar melhor da bola e a pontuação escasseou. A jogada mais explosiva foi de James Starks, que disparou 32 jardas, fazendo os Packers entrarem no campo de ataque. Mason Crosby entrou em campo e acertou o chute de 48 jardas, aumentando a diferença para 12 pontos.

Faltando cinco minutos para o fim, os Seahawks receberam a bola de volta. O que poderia ser uma campanha para ainda tentar respirar se tornou em mais uma interceptação de Wilson, agora fruto da atenção de Morgan Burnett, outro jogador da defesa que se destacava. Mas calma, porque um bom jogo da NFL não pode acabar sem emoção.

Marshawn Lynch e Russell Wilson decidiram jogar pelo chão. Aproveitando o cansaço da defesa, Lynch teve uma corrida de 14 e outra de 26 e o quarterback, em uma read option, entrou na end zone. Cinco pontos de diferença faltando dois minutos e nove segundos.

Só que Seattle fez o onside kick. E Brandon Bostick, tight end do time de especialistas dos Packers, fez uma trapalhada: a bola bateu no capacete e sobrou para Chris Matthews, dos Seahawks, recuperar o chute. Com a bola, mesmo esquema do último drive. Wilson correu 15 e oito jardas. E Marshawn Lynch entrou na end zone para um TD de 24 jardas. E para completar, uma conversão de dois pontos fez os Seahawks liderarem pela primeira vez, faltando um minuto e 33.

Inacreditável.

Só que do outro lado está Aaron Rodgers (19/34, 178 jardas, um touchdown e duas interceptações). Foram quatro passes que fizeram a equipe sair da linha de 22 jardas até a linha de 30 no ataque em um minuto e quinze segundos, contra uma defesa que é conhecida pela competência. Crosby, clutch, fez o field goal de 48 jardas para empatar a partida em 22.

Prorrogação.

Inacreditável.

Tempo extra: durou pouco

No importantíssimo cara ou coroa, os Seahawks ganharam. Um passe de 35 jardas para Doug Baldwin – 106 jardas em seis recepções – botou a equipe em área de field goal. E outro passe, que rendeu mais 35 jardas, fez Jermaine Kearse, fazendo a sua primeira recepção da noite, entrar na end zone e decidir o inacreditável jogo. Seattle Seahawks 28, Green Bay Packers 22. Festa do 12th Man.

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