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Christian McCaffrey pode provar ao Carolina Panthers que vale investir em um canivete suíço

Christian McCaffrey, running back do Carolina Panthers

O grande dilema na National Football League do século XXI é: vale ou não investir uma boa grana em um running back? O Carolina Panthers resolveu se tornar o mais recente time a responder a essa pergunta de maneira afirmativa e recompensou Christian McCaffrey.

A franquia da Carolina do Norte acertou uma extensão de contrato de quatro anos com o camisa 22, renovação com valor de US$ 64 milhões, segundo informações de Ian Rapoport, da ‘NFL Network’.

Em resumo: os US$ 16 milhões por temporada tornam McCaffrey o running back mais bem pago da história da liga. Ele ultrapassa Ezekiel Elliott (US$ 15 milhões/ano), do Dallas Cowboys, neste ranking.

Mas o investimento valerá a pena?

Confira o podcast desta semana, no qual escolhemos os 10 melhores QBs e não-QBs da NFL

Eu poderia ser mal-educado comigo mesmo e responder à pergunta que fiz com “eu ainda me chamo Bruno Bataglin e não Michel de Nostredame (também conhecido como Nostradamus)”. E encerrar o texto por aqui. Mas não é para isso que criamos o Quinto Quarto.

Então, prefiro iniciar um debate breve (mas enobrecedor) para você (que certamente é fanático pela bola oval).

Nos últimos anos, vimos Le’Veon Bell bater o pé com o Pittsburgh Steelers, boicotar a temporada, forçar o time a deixá-lo sair na free agency e, então, ele assinou um contrato com o New York Jets pior do que o que os Steelers tinham oferecido. A primeira temporada em Nova York foi ruim e mostrou (até agora) que Pittsburgh estava certo.

Melvin Gordon igualmente não acertou uma extensão com o Los Angeles Chargers em 2019 e, neste ano, conseguiu um contrato pior com o Denver Broncos na free agency.

David Johnson fechou uma extensão de três anos com o Arizona Cardinals em 2018, contrato com valor de US$ 39 milhões (sendo US$ 30 milhões garantidos). Desde então, ele caiu absurdamente (bota absurdamente nisso) de produção até o ponto em que, em 2019, ele disputou 13 jogos (nove como titular) e correu para apenas 345 jardas e dois TDs, acrescentando ainda 36 recepções para 370 jardas e quatro TDs.

Isso em comparação a um Johnson que, em 2016, foi titular em todos os 16 jogos dos Cards, com 293 corridas para 1.239 jardas e 16 TDs, com mais 80 recepções para 879 jardas e quatro TDs.

O resultado? Neste ano, ele foi trocado com o Houston Texans (em uma clara ‘desovada’ de contrato) em um negócio ótimo para os Cardinals e péssimo para os texanos (parabéns, Bill O’Brien – forte ironia).

Enfim, os três exemplos acima são apenas uma parte do que apresentei logo no início deste texto. Há mais por aí.

Mas temos que falar de McCaffrey. Ele é o objeto deste texto.

Seu valor para o ataque dos Panthers é inegável. São duas temporadas consecutivas ultrapassando as 1.000 jardas terrestres, incluindo um ano histórico em 2019. Em 16 jogos como titular no ano passado, o canivete suíço de 1,80m correu 287 vezes para 1.387 jardas e 15 touchdowns, e fez 116 recepções para 1.005 jardas e quatro TDs.

Ou seja, ele foi responsável por 2.392 jardas de scrimmage e 19 TDs da franquia da Carolina do Norte nesta última temporada.

McCaffrey se tornou apenas o terceiro jogador da história da NFL a ultrapassar as 1.000 jardas terrestres e 1.000 jardas aéreas em uma única temporada.

Se olharmos apenas para isso, o astro vale muito o investimento, ainda mais tendo apenas 23 anos de idade e com duas seleções para o time All-Pro em três temporadas na liga.

O problema é que running backs costumam ter uma queda abrupta de produtividade após alguns anos de carga de trabalho intensa.

Neste caso dos Panthers, particularmente, acredito que o investimento seja inteligente devido à idade de McCaffrey e o tempo de seu contrato, que irá até a temporada 2025, quando o jogador estará próximo de seus 29 anos.

Além do mais, ele é realmente um jogador diferenciado e será ainda mais importante para um Panthers em transição. Uma franquia que mudou de técnico, com Matt Rhule no comando, e que está mudando inclusive de quarterback titular, saindo de Cam Newton e entrando na ‘era Teddy Bridgewater’.

O valor de McCaffrey para o ataque dos Panthers é inestimável. Talvez agora esteja bem claro que o time o vê como merecedor de mais de US$ 60 milhões.

Essa talvez seja a diferença do que os Panthers estão fazendo: aproveitar um jogador que está no seu auge e que deve manter esse nível por mais alguns anos.

Contudo, se McCaffrey quebrará o que chamamos de ‘sina dos running backs’, só o tempo dirá.

As 2.920 jardas terrestres, 2.523 jardas aéreas e 39 touchdowns totais em três anos tornam as perspectivas um pouco mais animadoras.

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