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Buffalo Bills: podemos confiar em Josh Allen e companhia?

tredavious white buffalo bills

Este é um texto que os fãs do Buffalo Bills vão ler – abraços Oscar Jr. – mas que o torcedor do New England Patriots vai clicar para ler com certeza. Desde 2002, quando a AFC East passou para a configuração atual, tivemos absurdos 15 títulos de divisão dos Pats, com as exceções sendo o Miami Dolphins em 2008, ano que Tom Brady teve seu joelho explodido, e 2002, quando os Jets tiveram os mesmos 9-7 dos Patriots.

Mas o ponto que quero chegar é: de 2009 até 2018 a caminhada na divisão do New England Patriots foi tranquila. Em apenas um ano a conquista veio com apenas uma vitória de vantagem – em 2009. De resto tivemos conquistas por duas vitórias (2015), três vitórias (2010, 2014), quatro vitórias (2014, 2016, 2017 e 2018) e ridículas cinco ou mais vitórias (2011, 2012).

Então chego a uma conclusão louca: os Patriots são dominantes na sua divisão.

Mas neste ano temos uma equipe valente. E que pode acabar com esse reinado de tirania, beleza exagerada do QB e sorrisos sem mostrar os dentes do treinador. O Buffalo Bills tem apenas uma vitória menos que os Pats chegando na semana 16, que reserva um duelo entre as duas equipes.

Só deixa eu jogar uma água quente no chopp.

É improvável que os Patriots percam o título da divisão porque, além de precisarem perder o confronto direto, ainda há uma vantagem no desempate – confrontos contra adversários em comum – para New England.

Mas não é por isso que eu devo encerrar este texto por aqui. Os Bills ainda podem causar muito mesmo que percam o jogo deste sábado em Foxborough. Inclusive em janeiro.

Confira a discussão no podcast sobre Patriots x Bills (só apertar o play para pular para o momento certo)

Os Bills podem causar nos playoffs

O normal será o Buffalo Bills ser o melhor wild card da AFC. E a tendência é o time pegar o Houston Texans na primeira partida. Mesmo que os Bills tenham um desempenho melhor na temporada regular, o jogo será no Texas.

O número de vitórias já indica que Deshaun Watson e companhia vão ter que encarar uma carne de pescoço. Isso só fica pior com o fato de que os Bills não têm problema em jogar longe do New Era Field, com ficou provado nos jogos contra Cowboys e Steelers, e ainda foi o time que melhor limitou quarterbacks móveis. Lamar Jackson teve apenas 40 jardas em 11 carregadas contra os Bills depois de incendiar as defesas de quase toda a NFL.

Dá para fazer um parágrafo inteiro só com estatísticas interessantes dos Bills. Eles são o 4° em DVOA, que é uma estatística absurda e sensacional sobre eficiência e cuja fórmula faz o Bhaskara pegar a calculadora.

Nas estatísticas mais comuns podemos pegar que a defesa dos Bills é a terceira em jardas cedidas e também a terceira em jardas aéreas cedidas. Não é a toa que Tre’Davious White foi para o Pro Bowl e tem seis interceptações, Jordan Phillips lidera a AFC em sacks (9,5) entre defensive tackles e ainda tem outros nomes que se destacam, como o linebacker Tremaine Edmunds.

A questão para o Buffalo Bills é o ataque

Ter uma defesa boa nos playoffs é algo incrível. Só perguntar para Peyton Manning em 2015 e ele vai te responder que, se não fossse Von Miller e cia, ele terminaria a carreira com o mesmo número de anéis que Joe Flacco.

Josh Allen superou todas as expectativas do mundo fora de Buffalo. Sua escolha foi vista com mais desconfiança que a contratação de Mano Menezes no Palmeiras. Mas logo em seu primeiro ano ele cumpriu o esperado: seu braço realmente é um torpedo e sua precisão sem dúvidas não é das melhores.

Pelo menos ele trouxe um PLUS A MAIS (jamais usem essa expressão): ele não é Lamar Jackson, mas se precisar dar dois passos para a frente e decolar para uma conversão com os pés, ele conseguirá. E, na red zone, ele é um verdadeiro problema para as defesas, com 9 TDs corridos neste ano.

Novamente citando os Ravens, os Bills remodelaram todo seu ataque depois de anos com Tyrod Taylor para complementar Allen. Mitch Morse chegou para ser a âncora da linha, John Brown estica a defesa e aproveita o braço do QB, Cole Beasley conseguiu reerguer sua carreira após capítulos finais apagados em Dallas e Devin Singletary aos poucos vai assumindo o posto de RB protagonista.

Ele começou a temporada com jogos de 4, 6, 7 e 3 carregadas, mas nos últimos jogos teve 21, 14, 17 e 21. É óbvio que os Bills pensam nele e não em Frank Gore para os próximos anos.

Sem dúvidas não estamos falando de um ataque explosivo, sendo a defesa a unidade que carrega o piano.

A questão que teremos que descobrir é se ele está pronto para os maiores palcos. Não só o de Houston, caso seja o confronto do wild card, mas a possibilidade de ter que ir para Baltimore e conquistar campanhas longas para deixar Lamar Jackson no banco.

Para responder a pergunta do título: sim, podemos confiar em Tre’Davious White e companhia. Josh Allen ainda gera algumas dúvidas, especialmente quando ele vara o recebedor aberto por um metro. E, como dissemos no nosso podcast publicado ontem, é um absurdo as casas de apostas colocarem a linha em +6,5 contra os Patriots.

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