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As forças da Conferência Nacional (NFC): descobrimos quais são depois da semana #5

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Este post estava separado para ser uma festa para o New Orleans Saints, com o Bruno, torcedor da franquia, falando sobre Sean Payton, como a defesa está jogando bem e como Michael Thomas e Alvin Kamara são incríveis.

Mas aí um time chamado San Francisco 49ers, que eu e o Bruno palpitamos contra no podcast de quinta, atropelou o Cleveland Browns e manteve-se como o único invicto da Conferência Nacional. E nós fomos obrigados a engolir o sapo, admitir a derrota e rumar para Aparecida em busca de perdão.

A Conferência Nacional tem vários escalões abaixo das superpotências, como as potências emergentes (Lions e talvez os Panthers). O Washington Redskins é o coitado do Haiti depois do terremoto.

Confira nossos palpites da semana #6 da NFL no Quinto Quarto Expresso

As superpotências da Conferência Nacional

Fique atento que as forças podem mudar a qualquer momento e um dos times pode virar a União Soviética do rolê. A queda do muro de Berlim neste caso seria uma união de suspensão de jogador importante por ser pego no teste antidoping, uma prisão por razão qualquer e um treinador ter uma primeira para o gol na linha de 3 e passar três vezes.

Vamos lá:

  • New Orleans Saints (4-1)

No meio do segundo jogo da temporada, Drew Brees, maior ídolo da história da franquia – e que jogou todos os jogos desde que chegou à franquia, tirando os que foi poupado – viu seu dedão de joinha ir para o espaço. Entra Teddy Bridgewater frio e a equipe perde para os Rams com aquela ajuda inteligente dos árbitros.

Terminado esse jogo, com os Saints 1-1, eu perguntei para o Bruno quantos jogos seria bom o time ganhar até o bye, que ocorrerá na semana 9. Ele foi otimista e disse que dava para ganhar uns 4 e ir para o descanso com 4-4. Pois bem, aqui estamos no fim da semana 5 com um 4-1 na conta. O objetivo brunístico foi alcançado.

No primeiro jogo, contra os Seahawks, o placar de 33 a 27 engana porque o time de New Orleans dominou em Seattle, onde os Rams mais tarde perderiam. Nesse primeiro jogo uma fórmula foi criada: alguma faísca nos special teams – retorno de punt para TD logo de cara – defesa pontuando (retorno de fumble para TD de Von Bell) e ataque pouco agressivo, mas que avança.

Em casa, contra os Cowboys 3-0, mesma coisa. Os special teams foram os responsáveis por todos os pontos, com 4 field goals na vitória por 12 a 10. A defesa simplesmente aniquilou um talentoso ataque rival, com Ezekiel Elliott tendo míseras 35 jardas e Marshon Lattimore anulando Amari Cooper. Teddy Bridgewater mais uma vez não fez muito.

Mas eis que no terceiro jogo, Teddy chegou para a temporada. Foram 413 jardas, 4 TDs e 131,1 de rating. Michael Thomas ficou feliz da vida com suas 180 jardas e Marshon Lattimore mais uma vez anulou o wide receiver rival, fazendo Mike Evans ter uma tarde que ele nunca vai esquecer: três bolas em sua direção, 0 recepções, 0 jarda e…  quantos TDs? Você adivinhou: 0 TDs.

É impossível não colocar um time que está ajeitado nos special teams, anulando jogadores importantes com sua defesa e tem Alvin Kamara e Michael Thomas, dois do Top 5 em suas posições, entre o topo das forças de uma conferência. E ainda tem o quarterback que já está no Hall da Fama voltando para a segunda metade da temporada.

  • San Francisco 49ers (4-0)

Os Niners já tiveram seu bye, então a partir de agora é pauleira e o primeiro objetivo foi passado com sobras. Depois de um jogo ruim contra os Rams, os Browns pareciam entrar nos trilhos vencendo os Ravens, mas aí chegou os 49ers e Nick Bosa e cometeram o crime.

O time tem talento nos dois lados da bola, como destaquei na prévia antes da temporada (sim, estou tentando ganhar a confiança dos torcedores dos Niners) e EU SEMPRE CONFIEI NESSE TIME  mas ainda restavam dúvidas. A principal delas é com o departamento médico, já que a água da Bay Area está fazendo com que as lesões se multipliquem ao longo dos anos. E já tivemos mais uma ontem.

 

Tomara que pare por aqui. Enfim, falando de campo e jogo, não confiar tanto nos Niners era justificável (continuo tentando me explicar), afinal o time ainda tem um pequeno apreço pelo turnover. Jimmy Garoppolo já tem quatro interceptações e a equipe tem quatro fumbles perdidos, isso em apenas quatro partidas.

Mas o talento sobrepõe isso por enquanto. São 7 interceptações forçadas (Sherman tem 2 delas) e 13 sacks na conta de seus defensores. E enquanto o ataque terrestre consegue 200 jardas por jogo, a defesa no jogo terrestre permite apenas 81,8 jardas.

Isso é o resultado perfeito para a estratégia de Kyle Shanahan e John Lynch, que reforçaram a linha ofensiva e deram uma bela engrossada no pass rush com Nick Bosa e Dee Ford, que somados têm 5 sacks nesta temporada já.

Por isso mesmo que nenhum dos cidadãos entre Raheem Mostert, Matt Breida e Tevin Coleman sejam gênios da corrida, eles já somam 696 jardas e só Jeff Wilson Jr. tem 4 TDs. Entre os wide receivers, novamente, nenhum monstro, mas Marquise Goodwin estica o campo, Deebo Samuel promete e George Kittle está no top 3 dos tight ends da NFL hoje, junto com Travis Kelce e Zach Ertz.

Enfim, é um time talentoso, que ainda tem um problema claro a solucionar (turnovers) e que precisa rezar e pagar promessa para pararem as lesões.

  • Green Bay Packers (4-1)

Vamos colocar o jogo dos Eagles como um erro de percurso. Tanto da defesa contra o jogo terrestre e de Matt LaFleur chamando jogadas na red zone. O resultado até agora dos Packers é bastante impressionante.

Os torcedores do time vieram falar sobre Aaron Rodgers nos stories que fazemos entre domingo e segunda (participe!), mas é uma nova era que está chegando e precisamos aceitá-la. É como a saída de André Mattos do Angra para a chegada de Edu Falaschi. Não adianta comparar, são coisas diferentes e Falaschi é capaz de fazer coisa boa e criar vídeos memoráveis.

 

Aaron Jones entrou quatro vezes na end zone porque ficamos enchendo o saco com as jogadas de passe no final da partida contra os Eagles. Então não dá para reclamar quando dá certo e quando dá errado. Temos que nos acostumar a Rodgers salvando a lavoura e improvisando cada vez menos, por mais que seja algo que ele ainda pode fazer (vídeo abaixo). De resto, jogo terrestre, screens, passes rápidos e defesa assumindo partidas.

 

E que defesa. Blake Martinez tem média de 11 tackles por jogo até agora, Jaire Alexander está deixando os nerds do Pro Football Focus loucos e os dois Smiths, Preston e Za’Darius, que os Packers pagaram caro na offseason, já somam absurdos 10,5 sacks. O rating dos QBs rivais jogando contra os Packers é de 75,9, o quarto pior da NFL.

Eu ainda não estou 100% a bordo desse time? Sim, é verdade. E acho que Aaron Rodgers a qualquer momento pode explodir e mandar uma resposta atravessada para LaFleur. Aliás cada interação entre os dois já é micro-analisada hoje. Mas a fórmula para os Packers faz todo sentido. Depois de anos dependendo só de Rodgers e ver ele ser punido por defesas rivais e o time perdendo o jogo por ser previsível e ter uma defesa frágil, tudo foi ajeitado em torno do camisa 12.

Quem está logo abaixo na NFC (e os torcedores vão ficar putos comigo)

  • Seattle Seahawks, Philadelphia Eagles, Dallas Cowboys, Chicago Bears e Los Angeles Rams

Vou ser rápido aqui porque 90% dos leitores já não chegou até aqui porque eu enrolo. Os Seahawks não estão na categoria acima muito pelo jogo feio contra os Saints. A impressão foi péssima, apesar de Russell Wilson estar jogando em um pequeno nível abaixo de Patrick Mahomes. A defesa de Seattle precisa pressionar mais o QB (entre os 10 piores em sacks) e isso deve melhorar com Clowney e Ansah se aclimatando. Aliás, Seattle sempre começa lento e voa em dezembro. Se está 4-1 agora…

Os Eagles sofrem do mesmo problema que os Niners, com o vírus da contusão infectando geral na Filadélfia. Por talento, é uma das forças da NFC. A linha ofensiva segue de alto nível e quem está aproveitando isso é Jordan Howard, com 4,7 jardas por carregada de média. Mas o time ainda precisa de mais consistência semana a semana.

Os Cowboys tem uma equipe talentosa dos dois lados da bola, mas o treinador pesa contra. Já falo isso há anos, então nem vem me chamar de anti-Garrett modinha. A análise precisa ser com cuidado, nem tão ao céu por ter vencido três times fracos no começo da temporada e nem tão ao inferno com derrotas para duas forças da Conferência Nacional, como vimos acima. Mas realmente acho que pegando Seahawks, Eagles, Saints e 49ers há um sério problema e desequilíbrio já na criação do plano de jogo.

Os Bears perderam em Londres para os Raiders. Este é um time que está difícil de prever, ainda mais porque seus quarterbacks não estão à altura nem da defesa nem das principais forças da NFC. Na NFL de 2019, isso é o problema mais sério que você pode ter.

E, finalmente, eu ainda confio nos Rams. Eu acho que Jared Goff é bom, que Sean McVay é ótimo, que a artrite no joelho de Todd Gurley é menos complicada que a da minha vó, que Aaron Donald é um Deus e que Aqib Talib e Marcus Peters podem achar os recebedores rivais. Sou burro por isso? Talvez.

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