NFL

Curioso como a aposentadoria de Antonio Gates é exatamente no momento divisor de águas dos Chargers

Antonio Gates, ex-tight end da NFL

Antonio Gates já estava aposentado há muito tempo. Na temporada 2018, ele já tinha sido deixado de lado pelo Los Angeles Chargers, mas Hunter Henry teve uma lesão e o veterano foi prestativo voltando para um vale a pena ver de novo.

Em 2019 ele não teve a mesma ligação – ainda bem para ele – e o jogador decidiu pendurar as chuteiras. Sua queda de produtividade era clara, mas é impossível não lembrar com saudade do touro que ajudou a mudar a posição de tight end. E de sua relação afinada com Philip Rivers, especialmente quando as últimas jardas do campo chegavam.

De 2004, sua segunda temporada na liga e quando se firmou, até 2014 – 11 temporadas – ele esteve presente em 236 dos 248 jogos disputados pelos Chargers e teve médias por temporada de 69 recepções, 875 jardas e 8,8 TDs.

Antonio Gates sem dúvidas precisa estar nas listas de monstros não-draftados e sempre vai ficar a curiosidade com um “e se ele tivesse escolhido o basquete”, já que ele se destacava com a bola laranja em Kent State.

Imagina ser bom assim nos esportes… Enquanto isso, este que vos escreve era draftado em oitavo para jogar futebol na rua de casa.

Como você pode ver um zilhão de textos sobre Gates por aí, o que eu mais quero chamar a atenção é que a aposentadoria de Gates coincidiu, quase como uma sacanagem, com o maior divisor de águas do Los Angeles Chargers em sua história. Se ele tivesse se aposentado um ano atrás, essa bagunça cósmica não teria acontecido.

Em 2019, o navio afundou feio. Philip Rivers teve uma de suas piores temporadas – não se deixe enganar pelo número de jardas – e se ele também anunciar que está parando aos 38 anos (e 37 filhos), isto surpreenderá um total de zero pessoas.

A temporada começou com a greve do running back Melvin Gordon, continuou com jogos perdidos de forma patética, mas com uma intensidade nunca antes vista e sua torcida fez o fator casa ser insignificante.

Calma, que ainda fica pior: o time se prepara para jogar em um estádio de 80 mil pessoas que não é seu. Quem vai encher o estádio? Os 60 mil fãs do time adversário, provavelmente.

A era San Diego na verdade “começa a terminar” agora, com a aposentadoria de Gates e a possível saída de Rivers, que não tem contrato com a equipe para 2020. Esses três anos em Carson só não foram perdidos porque o time encontrou excelentes peças para o futuro e teve uma campanha 12-4 destacável em 2018.

Mas o impacto para a marca foi o pior possível. Jogar em um estádio de 28 mil pessoas, com 20 mil fãs dos Raiders, Chiefs, Broncos, Packers ou qualquer um que aparecesse foi destrutivo para a moral. Deixar San Diego para ser os Clippers anos 90 versão NFL é uma decisão inacreditável.

Não sabemos se Melvin Gordon ficará. Mesmo que não fique, o time irá para o novo estádio de Los Angeles com Joey Bosa, Keenan Allen, Casey Hayward, Mike Williams, Derwin James e companhia. É um núcleo que muitos times adorariam ter.

O problema é que falamos de uma equipe que tem um dono omisso, uma torcida que foi alienada e uma zica que parece sem fim, especialmente manifestada em últimos períodos.

Antonio Gates não teve grande sorte tirando essa uruca e ele e Rivers vão lembrar algumas chances desperdiçadas para sempre. Mas ambos podem ter saído na hora certa porque, a menos que os Chargers contratem uma estrela – um tal de Tom Brady poderia ajudar -, esse começo em Los Angeles pode ser azedo.

Mas, calma, sempre teremos um vídeo de Gates tratando safeties e cornerbacks como crianças na pelada de começo de churrasco.

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