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Após pequenos sustos, Seattle Seahawks volta ao Super Bowl

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Russell Wilson é uma das grandes armas dos Seahawks (Crédito: Instagram/reprodução)

Cá estamos nós, aguardando a chegada do domingo para vermos mais um Super Bowl, evento mais importante no calendário de qualquer fanático por futebol americano. Novamente, o Seattle Seahawks está lá. No dia 2 de fevereiro do ano passado, uma vitória por 43 a 8 sobre o Denver Broncos no Super Bowl XLVIII serviu para dar o primeiro título à franquia mais perigosa da National Football League na atualidade. Um ano mais tarde, os Seahawks voltam a disputar a final da NFL e chegam muito bem para a decisão.

A caminhada rumo ao jogo final da temporada, contudo, foi um pouco mais árdua do que na temporada 2013. Se no campeonato passado os comandados do técnico Pete Carroll iniciaram a temporada regular com quatro vitórias seguidas (Panthers, 49ers, Jaguars e Texans) antes de perderem para o Indianapolis Colts na semana 5, logo depois engatando uma série de sete triunfos (Titans, Cardinals, Rams, Buccaneers, Falcons, Vikings e Saints), em 2014 houve um momento de dúvida para a equipe.

Depois de abrir a temporada com uma vitória incontestável sobre o Green Bay Packers, por 36 a 16, o Seattle Seahawks perdeu sua primeira na competição já na semana 2, quando não resistiu ao San Diego Chargers e caiu por 30 a 21. Neste jogo, o ataque terrestre da franquia do estado de Washington não funcionou e Marshawn Lynch foi limitado a apenas 36 jardas. Além disso, a defesa pouco pressionou o quarterback Philip Rivers, que encerrou com 28 passes certos de 37 para 284 jardas e três touchdowns, todos recebidos por Antonio Gates, que teve uma atuação irrepreensível.

A bobeada na segunda semana da temporada não afetou a equipe e, já no próximo compromisso, contra o fortíssimo Denver Broncos de Peyton Manning, o time aproveitou o mando de campo e superou o rival do Colorado por 26 a 20, ainda que na prorrogação, com TD corrido de Lynch.

O resultado positivo conquistado sobre os Broncos veio seguido de uma vitória fora de casa sobre o Washington Redskins por 27 a 17, em confronto no qual o quarterback Russell Wilson lançou para 201 jardas e dois TDs, além de ter corrido 122 jardas e feito um touchdown pelo chão.

Parecia que os Seahawks iriam engrenar e dominar a Conferência Nacional desde o começo, mas não foi isso que aconteceu. Nas semanas 6 e 7, duas derrotas consecutivas, para Dallas Cowboys (casa) e St. Louis Rams (fora), acabaram gerando alguns questionamentos em relação à possibilidade de o time de Pete Carroll ficar fora da pós-temporada, afinal a campanha estava em três vitórias e três derrotas.

No duelo contra os Cowboys, a defesa dos Seahawks cedeu 401 jardas totais e a derrota por 30 a 23 foi quase inevitável. Neste jogo, o quarterback Tony Romo acertou 21 passes de 32 para 250 jardas e dois touchdowns. Além disso, o running back DeMarco Murray correu para 115 jardas e um TD, facilitando bastante a vida dos representantes do Texas. A defesa dos Cowboys também foi fundamental, já que não deixou Russell Wilson sentir-se à vontade e cedeu apenas 126 jardas jardas aéreas para o quarterback, que acertou somente metade de seus passes (14 de 28) e não lançou para nenhum TD, sofrendo uma interceptação. O running back Marshawn Lynch limitou-se a correr 61 jardas.

Já contra o St. Louis Rams, a derrota foi por um placar mais apertado (28 a 26), o que talvez tenha deixado a situação ainda mais dolorosa. Nesse jogo, tanto Russell Wilson (23/36, 313 jardas e dois TDs) quanto Marshawn Lynch (106 jardas e um TD) foram bem, mas o time de especialistas dos Rams acabou frustrando os planos dos atuais campeões do Super Bowl.

No segundo quarto de partida, Stedman Bailey retornou um punt 90 jardas até a end zone para abrir 21 a 3 para os Rams e, a partir de então, ficou muito complicado para os Seahawks ‘remarem’. No lance de Bailey, o time de St. Louis utilizou uma jogada muito inteligentemente pensada, colocando uma ‘isca’ para o adversário morder, já que os especialistas de Seattle pensaram que outro jogador fosse retornar o punt, já que ninguém costuma olhar para a bola no ar em situações de punt, e Stedman Bailey recebeu a bola no outro lado do campo, ficando livre para correr.

Depois dos dois revezes, o Seattle Seahawks engatou três vitórias seguidas: uma fora de casa contra o Carolina Panthers (13 a 9) e duas em casa contra Oakland Raiders (30 a 24) e New York Giants (38 a 17). Contra os Panthers, o triunfo veio por pouco, graças a um passe para touchdown de Wilson para Luke Willson a 47 segundos do final. Já contra Raiders e Giants, Lynch atuou muito bem e, com seus TDs terrestres, ajudou a equipe a vencer.

O Seattle Seahawks voltou a ser derrotado na semana 11, quando caiu para o Kansas City Chiefs, fora de casa, por 24 a 20, e viu a campanha ficar em seis vitórias e quatro derrotas. Neste jogo, apesar de os Seahawks terem forçado dois fumbles, o running back Jamaal Charles teve uma apresentação impressionante, saindo de campo com 159 jardas e dois touchdowns em 20 carregadas.

Como o próprio Pete Carroll apontou recentemente, o resultado negativo contra o Kansas City Chiefs foi o divisor de águas na temporada do time. Nas seis últimas semanas da temporada regular, o Seattle Seahawks não perdeu mais e fechou com 12 vitórias e quatro derrotas, sendo assim o melhor time da NFC, o que deu direito a mando de campo durante toda a pós-temporada para os defensores do título.

Nas semanas 12 e 13, triunfos sobre dois rivais da divisão NFC West (Arizona Cardinals e San Francisco 49ers) e pelo mesmo placar 19 a 3.

Contra os Cardinals, além da boa atuação de Russell Wilson, que acertou 17 passes de 22 para 211 jardas e um TD, e correu para 73 jardas, a defesa dos Seahawks forçou uma interceptação, lançada por Drew Stanton, e cedeu apenas 204 jardas totais aos representantes de Glendale.

No embate contra os Niners, outra mostra de poderio defensivo do time de Seattle, que cedeu apenas 164 jardas totais para o adversário (sendo apenas 100 aéreas) e forçou três turnovers (duas interceptações de Colin Kaepernick e um fumble). Kaepernick, aliás, tomou quatro sacks nesta partida.

Na semana 14, a ‘vítima’ foi o Philadelphia Eagles, que perdeu por 24 a 14, e nas semanas 15 e 16, os triunfos voltaram a ser sobre San Francisco 49ers (17 a 7) e Arizona Cardinals (35 a 6). Os Seahawks encerraram a temporada regular devolvendo o revés para o St. Louis Rams, em jogo vencido por 20 a 6.

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Título da NFC veio com muito sacrifício (Crédito: Instagram/reprodução)

Com a melhor campanha geral da Conferência Nacional na temporada regular, o Seattle Seahawks folgou na rodada de wild card dos playoffs e abriu a pós-temporada no dia 10 de janeiro de 2015, atuando em sua casa contra o Carolina Panthers, no CenturyLink Field.

A primeira metade da partida contra o rival da Carolina do Norte não foi nada simples. Apesar de os Seahawks terem saído na frente do placar com touchdowns marcado no final do primeiro quarto, em passe de 16 jardas de Russell Wilson para Doug Baldwin, o Carolina Panthers deixou tudo igual pouco antes da metade do segundo quarto, quando Cam Newton conectou passe de sete jardas com o novato wide receiver Kelvin Benjamin. Antes do intervalo, o Seattle Seahawks anotou mais um TD para deixar o placar em 14 a 7, após passe de 63 jardas de Wilson para Jermaine Kearse, mas o kicker Graham Gano, dos Panthers, acertou chute de 35 jardas no estouro do cronômetro para diminuir a desvantagem dos visitantes para 14 a 10, antes da ida aos vestiários.

Depois de um terceiro quarto sem alterações no placar, o Seattle Seahawks dominou o duelo completamente no último período. Logo nos primeiros segundos do quarto quarto, o kicker Steven Hauschka converteu field goal de 37 jardas para ampliar a folga dos donos da casa para 17 a 10.

Minutos mais tarde, o quarterback Russell Willson voltou a aparecer muito bem ao acertar passe de 25 jardas para o tight end Luke Willson. Foi então que a defesa dos Seahawks, que já vinha jogando bem, voltou a aparecer. A pouco menos de seis minutos para o final, Cam Newton lançou passe, mas o safety Kam Chancellor fez a interceptação e retornou 90 jardas para ‘matar’ o jogo e deixar o placar de 31 a 10. Ainda houve tempo para, a 2min34s do término, Newton acertar passe para Kelvin Benjamin e diminuir a diferença para 31 a 17, mas o estrago já estava feito e o Seattle Seahawks avançou para enfrentar o Green Bay Packers na decisão da Conferência Nacional (NFC).

Um jogo épico. Difícil descrever a final da NFC de outra forma senão essa. Novamente atuando em sua casa, no CenturyLink Field, o Seattle Seahawks viu sua torcida lotar o estádio, mas a partida não começou nada boa para os atuais campeões da NFL.

A primeira metade de jogo foi completamente dominada pelos Packers. No primeiro quarto, o quarterback Aaron Rodgers, do time de Green Bay, lançou uma interceptação em sua primeira campanha ofensiva, feita por Richard Sherman, mas os Seahawks não aproveitaram o turnover forçado e, além disso, Russell Wilson não demorou a ‘devolver’ a interceptação em seu drive inicial.

Apesar de ter recuperado a bola, o Green Bay Packers não soube tirar proveito do takeaway da melhor maneira possível e, apesar de ter chegado até a linha de uma jarda do campo adversário, teve que se contentar com o field goal de Mason Crosby, que inaugurou o marcador com os primeiros três pontos.

Já no retorno após a pontuação dos Packers, Doug Baldwin sofreu um fumble e a bola foi recuperada pelos Packers. Apesar de ter forçado outro turnover, novamente os Packers só fizeram o field goal, e novamente após chegar até a linha de uma jarda (6 a 0).

Depois de mais uma campanha frustrada dos Seahawks, Aaron Rodgers finalmente conseguiu conduzir seu time até a end zone e, em passe de 13 jardas do camisa 12 para Randall Cobb, o Green Bay Packers fez 13 a 0 no primeiro quarto. O pesadelo começava a ser construído em Seattle.

O segundo quarto só foi movimentado por um field goal de 40 jardas convertido por Mason Crosby, além das três interceptações lançadas (duas por Wilson e uma por Rodgers), e o Seattle Seahawks foi para o intervalo perdendo pelo placar de 16 a 0.

No terceiro quarto, após os minutos iniciais serem de poucas emoções, o Seattle Seahawks utilizou uma ‘trick play’ em situação de quarta descida para 10 jardas e conseguiu anotar seus primeiros pontos. A 4min44s do final, posicionados na linha de 19 jardas do território adversário, os donos da casa fizeram formação de field goal, mas o punter Jon Ryan acertou passe de 19 jardas para o offensive tackle Garry Gilliam, que recebeu a bola para o touchdown (16 a 7).

No último quarto, um field goal convertido por Crosby, de 48 jardas, a 10min53s do final, e uma interceptação lançada por Russell Wilson, feita por Morgan Burnett a 5min13s do final, deram a impressão de que a vitória ficaria mesmo com os Packers, que venciam por 19 a 7, mas os atuais campeões da NFL não desistiram até o minuto final.

Quando Burnett fez a interceptação, ele teve a chance de posicionar bem o ataque do Green Bay Packers, mas já no final da partida, o safety tomou a contestável decisão de se jogar na linha de 43 jardas do próprio campo para não correr o risco de sofrer um fumble e perder a bola. Essa decisão custou caro.

Na campanha seguinte, os Packers não conseguiram ganhar território com as corridas de Eddie Lacy e foram obrigados a, pouco mais tarde, chutarem o punt.

Recebendo a bola a 3min52s do final, Russell Wilson fez grandes jogadas, ajudado pelo running back Marshawn Lynch, e os Seahawhs chegaram ao touchdowns, feito em corrida de uma jarda de Wilson, a pouco mais de dois minutos do final do jogo. O placar marcava 19 a 14.

Sem muito tempo para buscar a improvável reação, o time da casa decidiu chutar o onside kick, para tentar recuperar a bola sem devolvê-la ao oponente. A chamada do técnico Pete Carroll foi acertada e Steven Hauschka deu bom chute. A bola foi recuperada pelos donos da casa.

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Pelo segundo ano seguido, Seattle Seahawks vai disputar o Super Bowl (Crédito: Instagram/reprodução)

Quatro jogadas depois, os Seahawks entraram na end zone, em corrida de 24 jardas de Lynch. Querendo deixar a diferença em um field goal, os Seahawks arriscaram a conversão de dois pontos depois do TD e conseguiram, em passe arriscadíssimo de Wilson para Luke Willson. O Seattle Seahawks virou o jogo a 1min25s do final: 22 a 19.

Precisando a qualquer custo de um field goal para forçar a prorrogação, o Green Bay Packers foi para o tudo ou nada e, contando com o excelente quarterback Aaron Rodgers, o ataque conseguiu avançar até a linha de 30 jardas do território adversário e Mason Corsby foi preciso no chute de 48 jardas, deixando tudo igual no CenturyLink Field: 22 a 22.

Os Seahawks ‘queimaram os segundos finais’ e a decisão foi para a prorrogação.

Como tudo estava dando certo para a equipe de Seattle, os donos da casa ganharam no cara ou coroa e tiveram a chance de iniciar o tempo extra com a posse de bola. Como as regras da NFL para prorrogação já preveem, um touchdown na primeira posse encerra a partida. E os Seahawks conseguiram.

Após duas corridas de quatro jardas de Marshawn Lynch, Russell Wilson conectou passe de 35 jardas com Doug Baldwin e posicionou o ataque na linha de 35 jardas do campo ofensivo. Para fechar o jogo, Wilson acertou um lindo passe, novamente de 35 jardas, para Jermaine Kearse e fez o TD que selou a vitória e a classificação para o Super Bowl XLIX. Placar final: 28 a 22.

Apesar de ter sido decisivo, Russell Wilson não foi bem nesta partida e encerrou com 14 passes certos em 29 para 209 jardas e um touchdown, mas lançou quatro interceptações. Pelo chão, Lynch somou 157 jardas e um touchdown em 25 carregadas.

Agora, novamente o Seattle Seahawks está no Super Bowl. O caminho foi marcado por extremas dificuldades e intempéries. A classificação na final da NFC pode ser considerada um milagre, mas sem dúvidas isso ajudou a fortalecer o time. O segundo título consecutivo dos representantes de Seattle virá? Neste domingo (1), ao final de 60 minutos, saberemos se o New England Patriots foi ou não uma pedra no sapato para os campeões da Conferência Nacional…

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