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Chegou o momento que todo anti-Patriots sonhava: crise em Foxborough

Falar em fim da dinastia ainda é precoce. E o New England Patriots construiu um muro tão reforçado e aterrador que só quando o último tijolo cair no chão é que será possível dizer que sua era vitoriosa está terminada. Mas, sem dúvidas, o fim está próximo.

O 12-4 na temporada regular não é algo que inspirava sinal vermelho. A defesa lotada de playmakers idem. Bill Belichick não irá aposentar-se no futuro próximo (2, 3 anos).

Mas o ataque é o que quebra as pernas e faz todos os torcedores dos Patriots terem dores de cabeça. E os anti-Patriots, especialmente os que torcem para equipes da AFC, esfregarem as mãos.

Vamos começar por Tom Brady. Qualquer análise mais dura na direção do quarterback precisa levar em consideração a pobreza que o rodeia. Sim, a precisão dele sofreu, mas ele não teve um recebedor aberto de forma consistente desde o meio da temporada regular. Para colocar em outras palavras, ele não é Peyton Manning em 2015, com seu arsenal de patos mortos.

Mas mesmo que o ataque fosse idêntico ao do Super Bowl LII, contra os Eagles, é difícil imaginar que Brady tivesse o mesmo desempenho. Não estamos falando só de queda na velocidade do passe ou dificuldade para “esquentar” na partida.

Aos 42 anos, por mais sorvete de abacate que você tome, é óbvio que você vai se poupar de grandes pancadas.

E se os seus recebedores não conseguem se desmarcar rapidamente e sua linha ofensiva não te dá tanto tempo, isso irá derrubar seu aproveitamento de passe e fazer com que bolas sejam jogadas fora a todo momento.

Já falarei mais de sua possível saída. Agora vamos focar como todos esses problemas acima podem ser resolvidos.

O mais impressionante do naufrágio do ataque dos Pats dos últimos anos é o investimento feito pelo time para isso não acontecer. Todo torcedor dos Patriots vai lembrar da temporada que começou com Aaron Dobson e Kenbrell Thompkins. Esta temporada terminou com uma seca de talento similar, mas por uma razão muito diferente.

Sony Michel é uma escolha de primeira rodada. Mohamed Sanu custou uma escolha de segunda rodada. N'Keal Harry também foi selecionado na primeira rodada. Isaiah Wynn idem.

Dessa vez teve o investimento. Inclusive trazendo Antonio Brown e Josh Gordon, que se provaram enormes dores de cabeça de formas diferentes.

Ou seja, foi erro de planejamento mesmo, de notar um problema, fazer esforços para solucioná-lo, mas falhar. Claro que Harry não é um caso perdido, mas Antonio Brown foi dinheiro jogado em uma fogueira. E a troca de Sanu, mesmo que ele volte ano que vem, dificilmente se pagará.

Já Sony Michel não chega a ser um bust, mas sem dúvida alguma temos que contratualmente lembrar toda vez que citarmos seu nome que ele foi escolhido uma posição acima de Lamar Jackson e quatro acima de Nick Chubb. Que, aliás, jogava na mesma universidade (Georgia).

O que pode solucionar tudo isso? Mais investimento e salvar o que der. Veremos se Michel tem para onde crescer, a evolução natural de Harry e se Wynn pode ser confiável por 16 jogos e mais playoffs.

Trazer um wide receiver é necessário e um tight end é mais do que fundamental. Mesmo baleado, Gronkowski deu o Super Bowl para os Pats contra os Chiefs e Rams. Ele não será substituído, mas Ben Watson com 400 anos é sacanagem.

Mas pera, Brady fica?

Quando uma matéria da ESPN trouxe que o trio Brady-Belichick-Kraft tinha disputas de poder, rusgas e recalques, muitos se apressaram a jogar água na fogueira, inclusive comentaristas da “sucursal” brasileira, o que foi impressionante. Especialmente quando duvidaram da veracidade de um trabalho jornalístico.

Essas coisas não saem do nada. Inclusive, Bill Simmons, jornalista e torcedor doente dos Patriots (e que na época também desconfiou da matéria), voltou atrás convidando o próprio Seth Wickersham, autor do trabalho, para seu podcast na semana passada.

A reportagem na verdade foi bastante mal compreendida, na minha opinião. Ela não dizia que a relação era irreversível, que o time não venceria mais nada e que o clima era tóxico.

O que a matéria trazia é a exposição de algo até natural, mas que mesmo assim exerce fascínio. Afinal, todos se perguntam como um núcleo desses, que passa por tanto, tem orgulhos e egos enormes para sustentar e são micro-analisados a cada entrevista, palavra e ação, fica junto, enquanto times implodem em todas as ligas logo depois de terem sucesso.

A resposta era: conseguindo deixar um pouco o ego de lado, mas até certo ponto. E que esse trio parece um grupo de amigos que se reúne sempre, mas um não gosta tanto de X, o outro não aprecia tanto os papos de Y e que rancores existem. E, mesmo improvável, o divórcio pode ser chato e lamacento.

Resultado: Tom Brady botou sua casa à venda, deixa seu futuro em aberto à la LeBron James e seu contrato atual prevê uma free agency mais irrestrita que um bêbado com dinheiro. Tudo isso não é à toa.

E será completamente fascinante por vários motivos. Times que querem Tom Brady, mesmo com 42 anos e mostrando declínio, não faltam. Os Chargers, Bears, Buccaneers, Colts, Broncos (?) não precisam de uma máquina de jardas. Eles já adorariam o veterano que faz todo mundo em volta dele crescer e sabe como vencer.

Ao mesmo tempo, os Patriots não podem perder o camisa 12 porque isso é risco à segurança local. Robert Kraft ama o cara de paixão e deve fazer esforços. Só que Bill Belichick não fará esforços se acreditar que Brady passou do ponto (e com certeza ele terá argumentos para isso).

Soma-se a isso o fato que Belichick não queria trocar Jimmy Garoppolo e, segundo a matéria de Wickersham, foi encurralado a fazer a negociação. Portanto, o cenário está pronto para uma guerra civil.

Não acho que teremos uma saída de Tom Brady em 2020. Mas também não acho que ele aguentará até os 45 anos ou mais em New England.

Os Patriots não podem perder seu maior jogador na história. Mas também não podem ficar reféns da sua megalomania física.

Então vamos ao resumo:

– Os Patriots perderam para o Miami Dolphins, 5-11, em casa e por isso tiveram que jogar no wild card round pela primeira vez em uma década.

– E contra o Tennessee Titans de Ryan Tannehill, perderam de forma justa e merecida no Gillette Stadium.

– O ataque liderado por Tom Brady simplesmente se perdeu no mar no meio da temporada regular e não foi encontrado mais.

– Tom Brady é um free agent e não está inequivocamente, 100%, negando que pode encontrar outro lugar.

– Bill Belichick não é dos mais emotivos e não tem medo de seguir em frente após perder ídolos, inclusive negociando-os.

– A arma na qual Tom Brady mais confia em seu ataque terá 34 anos no opening day de 2020.

Sim, sem dúvidas estamos falando de uma crise em Foxborough. É até estranho escrever essa frase…

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