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Agora escritor, ex-running back Rashard Mendenhall se diz feliz com vida pós-NFL

(Crédito: Twitter/reprodução)

Mendenhall (centro) se aposentou aos 26 anos de idade (Crédito: Twitter/reprodução)

Quem acompanha a National Football League há algum tempo já deve conhecer Rashard Mendenhall. Para quem não o conhece, ele foi running back na liga por seis anos entre 2008 e 2013, jogando suas primeiras cinco temporadas com a camisa do Pittsburgh Steelers e a última pelo Arizona Cardinals.

Em 2014, ele anunciou a sua aposentadoria e um dos grandes motivos para a decisão foi sua vontade de se dedicar à escrita. Agora, ele é redator da série Ballers, da ‘HBO’ dos Estados Unidos, que é de comédia e fala da vida de jogadores de futebol americano.

Nesta última semana, em texto seu em primeira pessoa publicado no ‘Huffington Post’, Mendenhall expressou as dificuldades que teve com a transição do futebol americano para a vida longe dos holofotes.

“A verdade é que eu não compartilhei a dimensão total de como é a transição após o futebol americano. Desde a aposentadoria, eu me tornei um raio de esperança para os jogadores confrontados com a realidade da vida após e o que parece viver suas paixões sem efeitos importantes ou duradouros do esporte. Embora eu não tenha arrependimentos de parar e aprecio essa segunda fase, a transição tem sido um desafio para mim também”, escreve.

“Meu maior medo depois de jogar era ser um daqueles caras que não podem seguir em frente. Viver o resto de minha vida em uma sombra de quem eu era nos meus vinte anos. Como resultado, eu me distanciei tão longe do futebol americano que eu tenho dificuldades até de lembrar quem eu era. Tendo pouca recordação do Jogador do Ano da Big Ten que usou o número 5 pelos Illini. Passando pelos túneis de Píttsburgh sem querer olhar para o Heinz Field, o lugar onde me tornei um corredor de 1.000 jardas em anos seguidos. Evitando um retorno a Arizona, o lugar onde me juntei a Bruce Arians e aos Cardinals em meu ano mais agradável jogando na NFL. Eu abandonei esses momentos em minha vida acreditando que me ajudaria a seguir em frente, e enquanto isso tem sido o caso, ele vem à custa da minha identidade. Deixando-me em um purgatório pessoal entre o ex-running back da NFL e o escritor/diretor de Hollywood. Nenhum deles parece real”, prossegue.

Rashard Mendenhall crê que a maneira como os jogadores de futebol americano são ‘formados’ acaba impactando na dificuldade de encarar a vida depois do esporte.

“O futebol americano não te ensina a abraçar seus sentimentos. Na verdade ele faz o oposto, forçando-o a ser durão, a engolir e seguir adiante. Com isso, eu percebi que, mesmo fora do campo, é difícil para os jogadores processarem seus próprios sofrimentos individuais. Então, quando o jogo acaba e você não pode correr e enfrentar suas frustrações, a energia negativa fica engarrafada e pode se mostrar em comportamentos perigosos”, observa. “Como um coágulo sanguíneo que passa despercebido até que seja tarde demais, drogas, alcoolismo, mulheres e violência doméstica são algumas das maneiras que tendem a permear. Para mim foi o abuso emocional. Como muitos jogadores que estão condicionados a suportar ataques verbais de treinadores, eu dizia coisas para as pessoas mais próximas a mim sem entender como elas eram dolorosas. Mesmo em momentos de encorajamento, eu não conseguia entender por que as duras críticas tiveram tais efeitos duradouros. Na minha vida, eu estava tão acostumado a ser repreendido por treinadores e torcedores (…) que eu me tornei a suportar o que eu aprendi mais tarde ser abuso emocionar. Eu nunca levei em conta que nem todos estão condicionados a serem calejados. Eu me esforço todos os dias para aprender a me comunicar de uma forma que inspire mudanças, sem destruir a confiança”, ressalta.

O ex-running back finaliza admitindo ser mais feliz agora do que quando era jogador, deixando inclusive uma mensagem para outros atletas.

“Compartilho isso para mostrar que, mesmo depois de deixar o esporte e começar uma carreira em um novo campo divertido e empolgante, a transição do futebol americano para a vida não é fácil. Eu sou mais feliz agora do que eu fui quando jogava na NFL. Sendo livre para expressar mais do que apenas os aspectos físicos do meu ser e vivenciado pela primeira vez sentimentos que você não está autorizado a ter como um gladiador. Começar de novo é um desafio, muito diferente do que se preparar para vencer um jogo, mas um que exige o mesmo nível de esforço e dedicação se você quer ganhar. (…) Para os jogadores que têm se esforçado para encontrar uma vida satisfatória além do esporte, continuem lutando. Não tenham medo de chegar a alguém. A luta é real para cada um de nós. Mas, assim como naquele campo, nós vamos achar um caminho. Nós sempre fizemos. Nós sempre fazemos”, finaliza.

Em seis anos na NFL, Rashard Mendenhall disputou 72 jogos de temporadas regulares e correr para 4.236 jardas e 37 touchdowns, além de ter feito 95 recepções para 795 jardas e dois touchdowns. Ele foi campeão do Super Bowl XLIII com a camisa dos Steelers.

Para conferir o texto na íntegra, clique aqui.

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