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AFWB e IFAF: O que fazer para globalizar o futebol americano?

(Crédito: Gabriel Medina, Matheus Ormeni e Murilo Spolador)

(Crédito: Gabriel Medina, Matheus Ormeni e Murilo Spolador)

As origens do futebol americano remetem a um processo de independência dos Estados Unidos com a Inglaterra, no qual universidades norte-americanas transformaram o rúgbi da Europa em uma modalidade naturalmente ianque.

A expansão da imagem do esporte veio a passos lentos. Na história do esporte americano, nenhuma grande liga procurou propagar o seu nome em outros continentes. A participação do “mundo externo” no clube exclusivo das quatro grandes ligas foi representada por jogadores ou franquias canadenses. Não é coincidência, portanto, que a maioria dos 300 mil jogadores de futebol americano que não moram nos EUA, são do território canadense.

Na NFL,  a preocupação com a propaganda global do esporte é recente. Só foi em 2005, no Estádio Azteca, na Cidade do México, que um jogo de temporada regular foi disputado fora do território americano. As ótimas médias de público (103 mil espectadores no jogo no México) fizeram com que a iniciativa se repetisse e tornar-se uma tradição da temporada no mês de outubro. Em 2013, a liga aumentou o número de partidas realizadas no estádio de Wembley, em Londres, para duas por temporada. Não para por aí, na temporada 2014-15 serão três jogos na Terra da Rainha. A proposta é vista com bons olhos por times que têm problemas para encher os seus estádios nos EUA. O Jacksonville Jaguars, por exemplo, já anunciou que vai jogar em Wembley em todas as temporadas até 2016.

No que se refere aos estímulos dados pela liga para alavancar a sua imagem internacional, as propostas terminam aqui, se bem que a tendência é de que a NFL continue apostando em jogos fora da América. Cabe a associações independentes o papel de aumentar ainda mais a presença do futebol americano em outros países.

A American Football Without Barriers (AFWB) é uma dessas iniciativas. Idealizada pelo right tackle Breno Giacomini (que tem pais brasileiros) e o center Alex Mack, a entidade visitou o país pela primeira vez neste fim de semana. No campo do Botafogo em General Severiano, no Rio de Janeiro, 15 jogadores da NFL fizeram uma oficina de football para diversas categorias de crianças e adultos. Os “brutamontes” (como setores da imprensa brasileira gostam de generalizar) foram educadores, representantes do esporte e deram um show de simplicidade raramente visto em outros esportes. Em um ato simbólico, os atletas lavaram os pés de jovens do Cento Educacional Pequena Cruzada, do bairro de Santa Terezinha, na capital fluminense.

afwb lavapes

O evento pode não ter sido amplamente divulgado na imprensa nativa, mas, querendo ou não, foi o mais próximo que nós brasileiros já ficamos com a liga que mais fatura em todo o mundo. Uma outra proposta que divulga o esporte para outros continentes é mais ousada e mais difícil de ser atingida: a inclusão do futebol americano no programa olímpico. Como noticiado em nosso portal, o FA recebeu um reconhecimento provisório do COI na última semana, o que é considerado um primeiro passo para ser disputado nos Jogos Olímpicos.

Se for aprovado, os sonhos da Federação Internacional de Futebol Americano (IFAF) de ter o football nas Olimpíadas se concretizaria em 2024. A grande dificuldade para entrar nos Jogos é o grande propósito do texto. O COI exige que o esporte seja amplamente conhecido em todo o mundo, o que infelizmente ainda não é realidade. O duro fato deve ser encarado, o esporte NÃO entrará na maior festa do esporte enquanto não tivermos campeonatos em todos os cantos do globo, nem que a qualidade do jogo seja fortemente duvidosa.

A NFL fatura sim muito dinheiro, mas entre os seus objetivos internacionais, não está a criação de ligas em todos os países. O que a National Football League quer é divulgar o seu nome nos mercados de consumidores mais promissores do mundo (entre eles está o Brasil). Está aí um dilema que o esporte deve resolver: divulgar a NFL internacionalmente ou divulgar o esporte internacionalmente.

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