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Russell Westbrook sai humilhado e Thunder está em beco sem saída

russell westbrook thunder

Crédito: Instagram/reprodução

Pode parecer exagerado o título –  com doses de Craque Neto – mas eu realmente acredito que Russell Westbrook sai do Moda Center hoje humilhado. O camisa 0 do Oklahoma City Thunder pelo menos não será o primeiro, sofrendo o que LeBron James sofreu em 2011, quando foi derrotado para os Mavericks em seu primeiro ano de Miami Heat. O problema é que o Thunder, diferentemente do Heat naquela época, está em um beco e não há uma saída visível.

Primeiro focando em Westbrook. O Thunder chegou nesta série depois de ter derretido no fim da temporada regular, tendo que encarar um Blazers encardido sem a vantagem do mando de quadra. Entretanto, OKC podia se orgulhar de ter vencido os quatro duelos na temporada regular e que se o rival tinha Damian Lillard, eles tinham Russell Westbrook.

Westbrook jogou como sempre. Não fugiu de confronto, provocou, tentou ganhar no jogo mental contra Lillard, que raras vezes respondia e algumas vezes até demonstrava irritação.

Só que depois de ver os jogos e agora pegando os números, a verdade é que não houve confronto neste duelo nos playoffs da NBA. O armador de Portland teve 30, 29, 32, 24 e 50 pontos, com um buzzer beater quase da meia-quadra para decidir o confronto. Os aproveitamentos foram de 45,3% nos arremessos e incríveis 46,3% de 3.

Westbrook teve 24, 14, 33, 14 e 29, com aproveitamentos de 36,3% de quadra e pífios 29,6% de três. Bota na conta ainda 4,6 turnovers por jogo.

No jogo 5, ele teve mais um triplo-duplo para sua longa lista, com 29 pontos, 11 rebotes e 14 assistências. Mas quem viu a partida sabe que o camisa 0 peca em diversos momentos, especialmente quando ele parece se sentir mais do que é, tentando arremessos desequilibrados com tempo no relógio e encarando dois ou três marcadores em tentativas de bandeja.

Ter visto Lillard dominar a série, meter a bola decisiva e ainda mandar um tchau para seu time deveria ser um momento para acordar. Mas Westbrook já teve diversos desses, caindo na primeira fase nos últimos três anos, com um placar geral de quatro vitórias e 12 derrotas para Rockets, Jazz e Blazers.

Westbrook vai sonhar com essa cara nas próximas semanas.

 

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Aqui é o momento em que, depois de bater, eu tento ser um pouco mais racional e dar uma colher de chá. Claro que não é só culpa do armador. O Thunder tem seu grande peso aqui porque parece nunca ter entendido muito bem a sua estrela.

Por anos se discutia se ele deveria mesmo ser um armador. Com Durant ao lado, ele pecava da mesma forma que hoje, mas o ataque de Scott Brooks era uma série de “minha vez, sua vez”, com jogadores nada complementares. O time tinha Kendrick Perkins como pivô e Derek Fisher saindo do banco. Isso com a revolução dos três pontos começando a aquecer as turbinas.

A troca tenebrosa de James Harden fez esse ataque estático ficar ainda mais previsível. E o único ativo que ficou a longo prazo da negociação de Harden é o pivô Steven Adams. Por melhor que ele seja para a posição, hoje um pivô precisa ser sobrenatural para ter relevância, vide Joel Embiid e Nikola Jokic. Se não, você será exposto. Qualquer pessoa que colocar Adams na lista dos 25 melhores jogadores dos playoffs da NBA precisa ser internado.

A saída de Durant só deixou tudo ainda pior. Mesmo com Paul George vindo um ano depois e tendo uma temporada de quase Durant até machucar seu ombro, o Thunder segue ignorando a melhor prática para formar um elenco em torno de uma estrela que não sabe arremessar de três.

Cadê o time para ligar para Cleveland e pegar um Kyle Korver que seja? Por que o time não foi atrás de Brook Lopez, mesmo que fosse em um sign and trade para não ferrar ainda mais com sua folha salarial já horrorosa? Por que não tentar Mirotic ou alguém que minimamente ameace de três? Até um Seth Curry ajudaria.

Westbrook não teve hoje, e em todos os anos de OKC, um elenco que fosse complementar ao seu estilo de jogo. E não teve um treinador que realmente montasse nele para acabar com essas panes mentais que ele tem, forçando arremessos como um louco e jogando como alguém que acabou de sair do banheiro de uma balada de eletrônica.

Pronto torcedor do Thunder, fui simpático. Mas tudo tem limite.

Não dá para ignorar que aos 30 anos, em sua 11ª temporada na NBA, Russell Westbrook deveria ter melhor discernimento. Que ele precisa parar de reclamar e ser a principal fonte de nervos à flor da pele da equipe. E que, mesmo que o trato com a imprensa não seja fácil e as perguntas muitas vezes sejam idiotas mesmo, ele não pode agir como um filho único de 12 anos que nunca levou uma bronca dos pais.

O Thunder realmente está em um beco sem saída atualmente. O time já tem US$ 147 milhões comprometidos para a próxima temporada, incluindo as facadas de US$ 25 milhões por Adams, US$ 15,5 milhões por Schröder e US$ 10,7 milhões por Andre Roberson. George e Westbrook valerão US$ 33 milhões e US$ 38 milhões, respectivamente. E o teto em desempenho, por enquanto, é a primeira rodada dos playoffs. Isto aqui é um fracasso retumbante.

Sam Presti merece todo o mérito por ter escolhido Durant, Westbrook e Harden em dois Drafts apenas, mas não conseguiu tirar um título com esses três MVPs. Ele ainda merece mérito por ter refeito o time depois de toda a merd** que aconteceu, trazendo um candidato a MVP em Paul George, mas está novamente no mesmo ponto. O time é caro e não está nem perto das finais.

Dá para ganhar um título com Russell Westbrook recebendo US$ 38 milhões, US$ 41 milhões, US$ 44 milhões e US$ 47 milhões nas próximas quatro temporadas? Eu realmente acho que a resposta é “não” e a prova cabal foi hoje.

Não temos um live streaming, mas o Thunder que está no vestiário do Moda Center neste momento deve estar coçando a cabeça depois de ter sido completamente atropelado. Westbrook com certeza não será o homem mais feliz do mundo ao ser entrevistado.

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