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Warriors campeões: time vistoso liderado por MVP e feito no Draft

(Crédito: Instagram/reprodução)

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40 anos. Michael Jackson ainda estava no Jackson 5, o presidente dos Estados Unidos era Gerald Ford – e tiveram mais cinco até chegar em Obama – e a NBA tinha apenas 18 franquias, entre elas o Kansas City – Omaha Kings (os jogos eram divididos pelas duas cidades), o Buffalo Braves e o Washington Bullets, varrido pelo Golden State Warriors na final da temporada 1974/75. Nessas quatro décadas os Warriors passaram por muitas temporadas de mediocridade e seca, mas isso acabou nesta noite na Quicken Loans Arena, em Cleveland.

Não dá para falar que não foi merecido. Nenhuma equipe mereceu mais. Foram 67 vitórias e 15 derrotas na temporada regular, e dessas 15, apenas 2 foram na Oracle Arena. Nos playoffs as sonhadas 16 vitórias chegaram em apenas 21 jogos. Mas além disso, não foram só os muitos triunfos, mas o basquete apresentado.

Continuando com o que o San Antonio Spurs trouxe principalmente nas duas últimas temporadas – busca constante pelo espaçamento, troca de passes frenéticas, trocando um tiro com de alta precisão por um ainda mais e o banco com múltiplas opções – os Warriors foram além. A procura pelos três pontos beira a obsessão e com os jogadores que tem a estrategia não podia ser mais certa. Méritos para Steve Kerr, que em seu primeiro ano como treinador na Liga, já ganhou o título. Muitos vão dizer que o trabalho já estava quase feito pelo seu antecessor, o temperamental Mark Jackson. Este fez realmente um belo trabalho, mas Kerr elevou a equipe para um nível que Jackson não conseguiu, tanto nos resultados como no basquete apresentado: a defesa continuou boa, o ataque melhorou muito e atletas desabrocharam. O bom trabalho do cinco vezes campeão como jogador pode ser visto nesta série nas mudanças para quintetos mais baixos e voltados para o arremesso longo, deixando Draymond Green, um ala, como pivô, confundindo toda a marcação dos Cavaliers e fazendo eles usarem um banco que não tinham para tentar conter os jogadores de perímetro.

Começando pelo banco, ele foi um grandíssimo diferencial a temporada inteira e especialmente nas finais. Contra os Cavaliers ficou claro a diferença que ter reservas para testar novas opções em quadra ou simplesmente descansar os astros e continuar competindo em alto nível faz. Entre os melhores reservas se destacam os armadores Shaun Livingston e o brasileiro Leandrinho – segundo brasileiro a ganhar o título da NBA, um ano após Tiago Splitter ser o desbravador – os experientes Andre Iguodala e David Lee, que souberam engolir o orgulho e ser úteis, especialmente o último, que de All-Star em 2013 passou a jogar poucos minutos e os big men Festus Ezeli e Marreese Speights.

O banco praticamente é inteiro de jogadores que rodaram a liga, sendo um bom complemento para um quinteto inicial que 80% só jogou com a camisa da equipe de Oakland. Tudo começa com Stephen Curry, atual MVP da temporada e que este ano saiu de estrela da NBA para superestrela e líder dessa mudança de forças que está acontecendo na liga. Curry é carismático, habilidoso e produtivo e com 1,91 m e 86 kg, não é uma montanha de músculos, fazendo sua dominância na liga algo ainda mais impressionante. Sua precisão nas bolas de três é vital para o funcionamento da equipe e nos momentos que seu desempenho caiu, os Warriors se viram atrás nas séries contra os Grizzlies e os Cavaliers. Mas no fim ele conseguiu se recuperar, graças à sua capacidade, por não ter se impressionado com o maior holofote possível para um jogador da NBA e graças também aos ajustes da comissão técnica.

Curry ainda contou com seu Splash Brother, Klay Thompson, pra tirar um pouco da atenção da marcação. Thompson desabrochou nesta temporada e teve momentos mágicos. Mesmo com uma queda nas últimas semanas da temporada regular e partidas apagadas nos playoffs, a importância do ala-armador é inegável. Mesma coisa com Harrison Barnes, apenas na sua terceira temporada, chegou no duplo-dígito de pontuação em média e quase 50% de aproveitamento nos arremessos.

Um caso a parte é Draymond Green. Um monstro defensivo – era candidato ao prêmio de melhor jogador defensivo da temporada, mas acabou em segundo – o ala-pivô pode marcar desde armadores até o pivô, já que tem a força e a agilidade para isso, combinado com uma vontade incrível que faz ele ser o coração da equipe. Andrew Bogut continua não sendo o pivô que muitos esperavam quando ele entrou na liga, mas especialmente defensivamente seu trabalho também foi importante para o sucesso desta equipe.

Tirando Bogut, os quatro foram draftados pelos Warriors: Curry (7ª escolha de 2009), Barnes (7ª escolha de 2012), Thompson (11ª escolha de 2011) e Green (35ª escolha de 2012, segunda rodada) mostram o excelente trabalho da direção em formar a espinha dorsal de uma equipe sem escolhas no top 5, enquanto equipes que draftam sempre lá em cima não conseguem nem de perto ter o mesmo sucesso. Os próprios Warriors deram várias air balls antes de acertar esses buzzer beaters seguidos.

Ou seja, foi uma vitória completa. Uma equipe vistosa, um treinador com propósito e visão, uma direção competente, um MVP endiabrado e uma torcida que fez a Oracle Arena virar a Roaracle Arena. Não há quem bote asterisco nesse título.

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