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Opinião: troca de Porzingis não é ruim para os Knicks, mas novamente estamos no ponto 0

Kristaps Porzingis Knicks

Tudo aconteceu rápido. Kristaps Porzingis e seu irmão, que também é seu agente, se encontraram hoje com a diretoria do New York Knicks e não saíram tão felizes com o que ouviram. O GM Scott Perry não quis alongar a tristeza do letão e no mesmo dia já arranjou uma troca com o Dallas Mavericks. Courtney Lee, Trey Burke e Tim Hardaway Jr. também pegam o avião para Dallas enquanto Dennis Smith Jr., Wesley Matthews e DeAndre Jordan pegam o caminho inverso.

A informação é de Adrian Wojnarowski da ESPN americana. Logo depois surgiu que os Mavs vão mandar duas escolhas de 1ª rodada (2021 e 2023) para complementar o acordo.

Pelo menos podemos atualizar nosso falido post de trocas da NBA.

Olhando rápido e os nomes envolvidos parece que os Knicks comeram merda, mas dessa vez dá até para entender o raciocínio de seus dirigentes, algo que historicamente é complicado. O time limpou toda a sua folha pesada e ainda livrou-se de um jogador que poderia sair de graça já nesta offseason, porque era um free agent restrito.

Tim Hardaway Jr. tinha mais dois anos e US$ 39 milhões de um contrato bem inflado. Lee é bom, especialmente marcando no perímetro, mas ainda custaria mais US$ 12 milhões na próxima temporada. Trey Burke foi o trocado. Tudo isso é problema dos Mavs agora.

E os Mavs liberaram Smith, que é bom, mas cujo teto não parece ser lá em cima e tira a bola das mãos de Luka Doncic, mais Jordan e Matthews, dois veteranos que estavam no último ano de contrato. Ou seja, os Knicks vão entrar na próxima temporada sem todo esse peso nos salários, ainda vão ver Enes Kanter e seu salário ridículo ir embora e não precisarão pagar Porzingis, que já tinha criado seus atritos. O time tem espaço para dois contratos máximos.

Dito tudo isso, você pode acessar meu post sobre Kevin Durant nos Knicks agora?

Eu já abordo a franquia de Nova York em um segundo, quero falar um pouco sobre os Mavericks.

O Dallas Mavericks vai ser um time sensacional de se ver

Os Mavericks conseguiram fazer a transição de Dirk Nowitzki para Luka Doncic só aproveitando a manja-nadice de Suns, Kings e especialmente Hawks. E agora o time terá o sucessor técnico do camisa 41 em Porzingis, que tem tudo o que Nowitzki tem e ainda marca melhor e pega mais rebotes.

Desde que a franquia percebeu que a escolha de Doncic foi perfeita, a razão para sua existência tinha que ser montar um time decente em volta dele. Não é algo fácil e estamos vendo agora em New Orleans como esse processo pode ser falho e frustrante. O time não tinha uma escolha alta no Draft de 2019 justamente por causa da negociação com os Hawks, por isso precisava tentar algo com os contratos que expiravam de Wes Matthews e Jordan. Conseguiu um All-Star.

Agora vamos ver se Porzingis assenta em Dallas, já que ele também teve sua dose de culpa em toda a novela que sempre cerca os Knicks. E ele volta de uma lesão que já o tira das quadras há quase um ano. Não é uma garantia, mas é uma aposta com grande chance de dar certo.

Dá para brigar por playoffs? O time está cinco jogos atrás do Los Angeles Clippers faltando pouco mais de 30 partidas. Talvez dê. O time ganhou um bom pontuador em Hardaway – 19,1 pontos na temporada, obviamente vai ter menos arremessos que no péssimo time dos Knicks – qualquer coisa que vier de Lee e Burke é lucro. Não acho que dê porque Porzingis ainda pode demorar um pouco para voltar, mas vale tentar.

E o New York Knicks?

Os Knicks mesmo quando fazem tudo certo, erram miseravelmente. Depois de anos pagando demais por estrelas em decadência e draftando mal para cacete, o time trouxe Phil Jackson para ser o rei do basquete da franquia. Ele escolheu Porzingis com a quarta escolha no Draft de 2015 e foi recebido com vaias. Aquele acabou sendo seu maior acerto, disparado.

Os Knicks desde lá ganharam 32 partidas em 2015/16, 31 em 2016/17 e 29 em 2017/18. A equipe está no terceiro treinador, Jackson saiu queimado e o time não tirou nada dos Drafts seguintes. Frank Ntilikina não evoluiu, com 5,9 pontos e 2,8 assistências nesta temporada, saindo do banco na maior parte do tempo e até saindo da rotação em alguns momentos. Kevin Knox, escolha de 2018, também não é titular absoluto como calouro, mas promete mais.

Depois da saída do Mestre Zen, a nova diretoria parece ter ganhado um pouco de respeito ao redor da liga. David Fizdale também é querido. E o plano era claro: limpa a folha, desenvolve os jovens e vamos montar um time ao redor de Kristaps Porzingis. Os jovens não evoluíram, Porzingis machucou e perdeu o tesão com a Big Apple.

O time ainda trouxe Emmanuel Mudiay e Mario Hezonja, dois jogadores top 10 nos últimos drafts, para jogar nesta temporada. Nada de muito brilhante surgiu. Dennis Smith é mais um que o time vai tentar ver se tem suco na laranja.

São 10 vitórias em 50 jogos até agora e um elenco que não joga por absolutamente nada. O tank vai ser claro agora e a torcida espera pelo menos que não venha mais um bust. Torcer por Zion Williamson é a expectativa mais real. Esperar Durant, DeMarcus Cousins, Kyrie Irving, Klay Thompson, Kawhi Leonard ou qualquer um do primeiro patamar é quase sadismo. Jogadores assim sempre desprezam os Knicks na free agency.

Precisaria de muita personalidade para chegar em uma franquia que até quando faz tudo certo, não consegue acertar.

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