NBA

Opinião: Provável troca de Anthony Davis é mais um sinal que NBA se complicou

A NBA hoje é mais do que nunca uma liga dos atletas. Por mais que as estrelas sempre tivessem um holofote mais forte na liga de basquete do que na NFL ou MLB, por exemplo, donos, general managers e treinadores historicamente tiveram mão de ferro em diversas oportunidades. Hoje os atletas combinam com outros atletas onde vão jogar e falar que tal estrela derrubou tal treinador não é surpresa e nem motivo para revolta. A iminente troca de Anthony Davis, entretanto, evidencia uma série de problemas.

Não importa se a negociação sai agora, antes do fechamento da janela de trocas da NBA (7 de fevereiro), na offseason ou até no meio da temporada que vem. Nós estamos falando sobre uma possível troca de Anthony Davis há seis meses. Essa afobação tem um só culpado e ele se chama LeBron James.

LeBron mudou as regras do jogo

LeBron James não foi o primeiro jogador a deixar o time que o draftou. Não foi nem o primeiro jogador a incentivar a montagem de um supertime. Mas ele ter feito isso no auge de sua carreira e sempre controlando a narrativa foi uma novidade. E o que ele fez na temporada passada, quando estava no Cleveland Cavaliers mas basicamente usando um uniforme dos Lakers por baixo também foi de certa forma inédito.

Agora toda estrela cujo contrato mais ou menos se aproxima do fim vai gerar imensos boatos. Desde possíveis indiretas no Twitter, onde ele está comprando casas, quem são os amigos mais próximos quando rola o All-Star Game ou reunião da Seleção Americana…

Mas a maior mudança na regra do jogo que LeBron James trouxe foi ser a peça no tabuleiro que altera as forças da NBA. E nem sempre de forma muito dentro das normas.

Rich Paul é amigo de infância do camisa 23. Colocando em termos brasileiros, LeBron e Rich são mais parças que o Neymar é parça de seus parças. Sabe por que? Porque ele ainda é o empresário, ainda é o Neymar pai do LeBron. Só que ali dá para perceber bem quem manda, quem é obviamente o que traz o dinheiro para casa.

Por que nesta segunda-feira, dia 28 de janeiro de 2019, saiu na ESPN americana que Anthony Davis já avisou o New Orleans Pelicans não irá assinar uma extensão nesta offseason? Por que justamente hoje e não no dia 8 de fevereiro?

Eu já tratei sobre poder e barganha em uma negociação. Deixando claro para o mundo que Davis não segue nos Pelicans, mesmo que a franquia possa oferecer um contrato maior que qualquer outra, diminui o que New Orleans pode pedir, à princípio.

Todo time que senta na mesa de negociação com os Pelicans já joga a carta “é bom vocês negociarem ele, porque se não ficam com uma estrela infeliz que pode sair de graça em um ano e meio”.

E outra: desde que começaram os papos sobre uma troca de Anthony Davis, o primeiro time citado é o Boston Celtics. A razão para isso é que eles ainda vão ter escolhas de 1ª rodadas boas de outras equipes. O time deve ter a escolha de primeira rodada do Sacramento Kings neste ano (pode ficar entre o Top 10) e ainda tem a escolha de primeira rodada dos Grizzlies, que estão péssimos neste ano. Entretanto, ela é protegida caso caia no top 8, o que é provável. Sendo assim ela passa para 2020, quando terá uma proteção para o top 6. Pior dos casos, em 2021 ela virá não importando a posição.

Além disso os Celtics tem jogadores jovens como Jaylen Brown e Terry Rozier (pode rolar um sign and trade), um bom contrato assinado com Marcus Smart e ainda, em último caso, como supertrunfo, Jayson Tatum. O contrato de Gordon Hayward pode ser perfeito para equilibrar os salários dos dois lados de uma possível troca de Anthony Davis.

Tudo muito lindo. Mas os Celtics estão de mãos atadas até o dia 1 de julho.

A Rose Rule

Tanto Anthony Davis quanto Kyrie Irving receberam extensões após o primeiro contrato um pouco maiores do que o normal por causa da Rose Rule, criada para premiar o jogador que excedeu as expectativas e o valor do (baixo) contrato de calouro. Você só pode trocar por um jogador que tenha sido “premiado” com esse acumulador. E Irving já foi esse cara.

O contrato do armador acaba nesta temporada, mas até os jogos terminarem os Celtics não podem trocar por Davis. A menos que abram mão de Kyrie Irving.

E aqui entram os Lakers

Com LeBron James em Los Angeles, os Lakers tornaram-se atrativos novamente depois de anos sem conseguir nem sentar com as principais estrelas da NBA para apresentar o “pojéto”. E a equipe pode criar um pacote por Davis com alguns de seus jogadores jovens. Antes Brandon Ingram era intocável. Agora acho que até a mãe dele o coloca na roda. Kyle Kuzma pode ser o mais intocável no momento, mas duvido que Magic não mandaria ele e Lonzo Ball mais algumas peças (Josh Hart? Zubac?) e uma pick por Davis.

O pacote dos Lakers vai claramente ser inferior ao que os Celtics podem oferecer. Mas os Lakers podem oferecer agora, enquanto Boston só olha seu maior rival podendo pegar um jogador que se não está no seu top 5 da NBA, você não sabe fazer um top 5 da NBA.

Aqui temos um claríssimo caso de “a mulher de César não basta ser honesta, ela precisa parecer honesta”.

Por que vazou hoje para o onipresente jornalista da ESPN, Adrian Wojnarowski, que Davis não vai assinar a extensão com os Pelicans e que pediu uma troca? Por que até Rich Paul se pronunciou oficialmente sobre isso para o jornalista? Por que LeBron James falou com todas as palavras que adoraria jogaria com Davis, algo que reportadamente irritou os Pelicans e GMs da liga?

Eu não acho que a saída de Kevin Durant do Thunder para os Warriors destruiu a liga, algo que muitos acham, já que foi uma decisão de um free agent até surpreendente à época. Não acho que foi legal para a paridade, o equilíbrio de forças, conceitos de enorme importância nas ligas americanas.

Agora, minar a força e poder de barganha de franquias de mercados pequenos e possivelmente usar um “mediador” para jogar com quem você quer para não configurar aliciamento – agentes podem convencer jogadores a mudar de time – é algo que tem um potencial enormemente destrutivo. Isso não sou eu que falo, já é algo comentado por dirigentes, jornalistas americanos e não sou original nem aqui no Brasil, vide este texto do nosso amigão Fabio Balassiano.

O caminho está escancarado para a troca de Anthony Davis ter um destino ensolarado, com vista para o pacífico, desde que Rich Paul foi anunciado como agente do monocelha. Aliás, ele comprou uma casa de 7,5 milhões na Califórnia recentemente. Junte os pontos. Os Celtics vão ter que rezar para os Pelicans não caírem na pressão de negociar Davis logo.

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