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Lance Livre: todos os aspectos possíveis da troca Celtics/76ers por Markelle Fultz

Markelle Fultz Washington

Crédito: Instagram/reprodução

Para esta Lance Livre eu vou pular à frente em duas coisas que já estão próximas, mas não inteiramente definidas. A primeira é que Philadelphia 76ers e Boston Celtics vão fechar a troca pela 1ª escolha do Draft de 2017, que acontece na próxima quinta-feira (22).

E a segunda é que o selecionado no topo do Draft será Markelle Fultz, armador de Washington State e favorito para ser o destaque do evento há meses já.

Concordamos com isso? Ok, vamos lá!

Por que os Sixers fizeram essa troca por Fultz?

Os Sixers estão sob uma montanha escolhas de Draft graças ao gênio da NBA, o monstro das trocas, o Deus da GMância, Sam Hinkie. Eu já escrevi sobre ele aqui e você pode me ajudar a erigir uma estátua dele em Francisco Morato contribuindo para esta campanha no Catarse (ok, não tem campanha nenhuma).

Para resumir, Hinkie assumiu um elenco que não ia chegar a lugar algum, destruiu esse elenco, fez trocas até não poder mais, juntou escolhas de Draft como um garoto junta figurinhas da Copa em ano de Copa, foi demitido porque seu time perdeu de forma proposital por três anos e agora outro cara está aproveitando todas as benesses disso. É como casar com a Ellen Rocche quando ela estava em coma e receber os papéis do divórcio quando ela está terminando a fisioterapia e vai estrelar a próxima novela da Globo.

Voltando: os Sixers não vão abrir mão de nada que era originalmente deles para ter Fultz, já que o time vai trocar escolhas nesse próximo Draft com os Celtics e dar mais uma escolha que era originalmente dos Lakers ou dos Kings. Ou seja, ano que vem, os 76ers selecionam novamente na 1ª rodada.

E por esse dinheiro sobrando que tinha no bolso da bermuda, os Sixers vão ganhar um armador que pode jogar tanto com a bola, como sem, que arremessa de longa distância, defende bem e faz a defesa adversária abrir espaços. Perfeito para jogar com um ala que tem como marca registrada a visão de jogo e um pivô que é Hakeem Olajuwon sem joelhos e com um perfil hilário no Instagram.

No papel, um armador que consiga organizar o jogo e arremessar de longa distância é o jogador perfeito que eles precisavam para colocar com Embiid e Simmons, mais Robert Covington e Dario Saric. Lonzo Ball, Josh Jackson, Dennis Smith, Jayson Tatum, todos eles poderiam jogar em Philadelphia sem dúvidas. Mas Fultz parece desenhado para essa situação.

Por que os Celtics fizeram essa troca?

Porque Danny Ainge quer ser Bill Belichick. É sempre bom ter um líder sem nenhum apreço pela vida, seus jogadores e sua moral com a imprensa, porque todas as decisões difíceis e que necessitam de uma pessoa gélida serão feitas por esse ciborgue.

Exemplo: mandar o maior ídolo da história recente de seu time, o segundo maior ídolo da história recente do seu time e outro jogador carismático para um rival de divisão e conferência em troca de um caminhão de escolhas no Draft e contratos que vão expirar logo.

Mas, entretanto, porém, todavia…

O Boston Celtics tem que entrar em quadra para ganhar em algum momento. O time pode até ter chegado à final de conferência nesta temporada, mas foi dilacerado pelo Cleveland Cavaliers, ganhando apenas uma partida em que tudo deu certo, inclusive um buzzer beater de Avery Bradley. LeBron James ainda é demais para a equipe.

Sempre é interessante juntar escolhas no Draft, só que Ainge, diferentemente de Bill Belichick, não tem um gênio supremo como Tom Brady. E o problema dos Celtics é que os jovens estão finalizando seus contratos de calouros e os “veteranos” podem ser um peso mais para a frente. Kelly Olynyk tem mais um ano de contrato de calouro. Marcus Smart mais dois. Isaiah Thomas é free agent e tem que passar na cabeça que apesar do baixinho ter sido monstruoso em 2016/17, ele é um armador de menos de 1,80 com uma lesão no quadril, depende completamente de sua agilidade, tromba com pivôs maldosos no garrafão a cada infiltração e já tem 29 anos. Você dá um contrato de US$ 200 milhões e cinco anos para alguém assim?

Além disso, Avery Bradley tem contrato por apenas mais um ano e essa última campanha, especialmente os playoffs, vão aumentar o preço dele com certeza. E Al Horford, por mais que eu goste dele e a expectativa que muitos colocaram nele é irreal, tem um contrato inchado e seu contrato quando ele tiver 33/34 anos tem uma player option de US$ 30,1 milhões.

E o pior de tudo: nenhum deles é um talento absoluto, algo necessário, primordial, para ganhar o título. Thomas é o que mais se aproxima disso, mas tem as dúvidas que citei acima. Mais o fato de sua defesa ser um problema para a equipe mascarar, especialmente nos fins de jogos.

Um dos meus sites favoritos publicou um artigo sobre se os Celtics deveriam construir seu elenco para 2018 ou 2025. A diferença é clara: se você acha que o reinado de LeBron está chegando ao fim e dá para disputar o título com mais força já no próximo ano, você chama free agents (olá Gordon Hayward e Blake Griffin), paga Isaiah Thomas e começa a temporada com a pipoca na mão.

Mas se a escolha for por 2025, porque você acha que ainda tem mais LeBron no horizonte e os Warriors em sua versão megazord, você fica quieto, escolhe direito no Draft e monta um time com Markelle Fultz, Jaylen Brown, mais a escolha de Brooklyn do ano que vem e em alguns anos pensa nos free agents finais para montar uma seleção.

Com essa troca, não está muito claro o que os Celtics querem fazer, já que Josh Jackson, que Ainge teria amado e pensava até selecionar com a primeira escolha, não é um talento 100% pronto para a NBA segundo diversas análises, mesmo mostrando muito potencial ofensivo e defensivo em Kansas. Jaylen Brown, terceira escolha em 2016, tinha relatos semelhantes e mostrou pontos positivos e negativos em sua temporada de calouro, algo natural.

O que digo é que Fultz tem mais chances de ser um jogador muito acima da média no curto e longo prazo que Jackson, apesar que previsões dessas antes do Draft abrem sempre a possibilidade de vergonha para o redator em alguns anos. HOJE, abrindo mão de Fultz, você abre de um jogador que pode jogar com Thomas (que é da mesma região que Fultz fez universidade e ambos se conhecem), por um preço reduzido por quatro anos e que a priori encaixa perfeitamente com a NBA versão 2017.

E tem mais

As divisões da NBA (Atlântico, Central, etc) não são tão importantes como na NFL, já que não definem a classificação para os playoffs, mas importam para fazer a tabela. Dos 82 jogos, é garantido que você enfrenta cada um de seus rivais de divisão por quatro vezes, enquanto os outros times da conferência pode ser quatro ou três vezes, dependendo do ano.

Philadelphia 76ers e Boston Celtics são da mesma conferência e da mesma divisão.

E se com as posições altas do Draft você espera um jogador transcendental, os Sixers têm isso em Joel Embiid. E Ben Simmons tem tudo para ser isso também, apesar de um arremesso de meia e longa distância duvidoso. Poucas torcidas têm mais motivos para ficar empolgadas com o futuro que a dos Sixers. Na melhor das hipóteses – Embiid se manter em quadra sendo a principal -, nós podemos ter um Oklahoma City Thunder 2.0 em Philly.

Com Ainge, não dá para ter muita certeza do que esperar dos Celtics apesar da carteira recheada com possibilidades.

Mas, entretanto, porém, todavia … (2)

Boston tem alguns contratos decentes que podem ser trocados e muitas escolhas de Draft. Sabe o que isso significou na NBA ao longo da história? Isso mesmo, você adivinhou certo: uma oferta irrecusável de troca por um superstar.

Então vamos ver a disponibilidade de todos eles…

Esquece: James Harden, Russell Westbrook, Stephen Curry, Kevin Durant, LeBron James, Kawhi Leonard, Kyrie Irving, Damian Lillard, John Wall, Giannis Antetokounmpo

Por motivos de: eles são estrelas nos times deles e esses times têm um presente ótimo/um projeto para o futuro

Chris Paul é um free agent, não precisa trocar nada, só chegar nele e oferecer dinheiro.

Paul George só falta se pregar a um avião que vá parar no centro de treinamentos do Los Angeles Lakers, o que não cai muito bem em Boston.

Carmelo Anthony pode vir por trocado (uma escolha de 1ª rodada e nem precisa ser top) e ele não tem absolutamente nada a ver com o jogo que o Boston joga hoje.

Quem sobra?

Kevin Love? Suas ações caíram bastante desde sua troca para Cleveland, mas ainda seria interessante para Boston. Mas sabe o que seria mais interessante para mim e a liga? Troca de Paul George por Kevin Love. Bom para Cleveland e para Indiana, que recebe um jogador que pode ser libertado ofensivamente após três anos de cativeiro no canto da quadra e com contrato longo.

Gordon Hayward é uma possibilidade bastante grande, mas a pergunta que sempre ronda ele é “ele pode ser O CARA em um favorito ao título”. Resposta minha: não, ele é um excelente segundo “cara”.

Blake Griffin é outra possibilidade, mas ele tem uma ficha corrida de lesões que deve preocupar qualquer pessoa que dê mais de um ano de contrato para ele.

Kristaps Porzingis, Nikola Jokic, Karl-Anthony Towns, todos eles parecem ser pedras fundamentais em suas franquias para o futuro. Nunca duvide dos Knicks, mas enfim

Então vamos para Nova Orleans. DeMarcus Cousins em Boston é algo antigo, só que Cousins nunca ganhou 40 jogos em uma temporada na vida, tem um problema que requer uns cinco psicólogos e ainda é free agent na próxima janela.

Sobra um jogador. Um certo monocelha. O big man do futuro e do presente. Contrato longo, desempenho excelente, desiludido com uma franquia que só faz escolhas erradas desde que David Stern era o dono.

Resumo de toda a parada: Danny Ainge só faz correto com essa troca de escolhas se 1 – ele sabe que Markelle Fultz é um bust do tamanho do mundo ou 2- ele sabe que Anthony Davis está a uma ligação de distância e custa 2 escolhas de primeira rodada (escolha de Brooklyn e mais essa de agora) e mais um contratinho (Jae Crowder, Marcus Smart).

Se você é New Orleans, você diz não?

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