NBA

Pela primeira vez o San Antonio Spurs está preso e sem alternativas claras

san antonio spurs elencoOs doentes que assistiram San Antonio Spurs x Indiana Pacers na última segunda (2) – como eu – merecem um prêmio da NBA. Apesar de estarmos falando de um time que vai para os playoffs e outro que é comandado por um dos maiores treinadores da história, o jogo não foi bonito. E o resultado final deixou os Spurs ainda mais longe de uma vaga nos playoffs. Uma sequência de 22 anos deve se encerrar.

Era o esperado e algo completamente normal depois de ter uma dinastia com um núcleo que foi ficando velho e aos poucos se aposentando. Tim Duncan está no banco, mas de terno, fazendo parte da comissão técnica. Manu Ginobili está comendo um ojo de bife em algum lugar e Tony Parker degustando um vinho da Borgonha.

Gregg Popovich provavelmente também queria estar bebendo uma taça e não vendo DeMar DeRozan sendo o franchise player.

Ter 25 vitórias em 59 jogos não é algo com o qual o torcedor dos Spurs está acostumado, já que antes mesmo da era Popovich, Duncan e etc, David Robinson também teve anos destacáveis como líder da franquia. O problema para o torcedor é que não há muitas alternativas no horizonte.

Os Spurs por muito pouco não conseguiram emendar três eras com um jogador de elite no comando. Robinson se lesionou na temporada 1996/97 e isso permitiu um “semi-tank” (os torcedores dos Spurs ficam bravos se falar que rolou um Tank for Duncan) que gerou a primeira escolha do Draft de 1997.

Depois de tirar quatro títulos do camisa 21, a equipe teve que se reformular rapidamente e teve a visão de pegar Kawhi Leonard em uma troca com o Indiana Pacers – olha que timing perfeito para o texto – no dia do Draft. E Kawhi não só foi fundamental para o título de 2013/14 como estava posicionado para deixar o San Antonio Spurs competitivo por mais 10 anos.

Então, o prejuízo com sua saída é enorme. E isso causou uma espiral negativa de decisões que não levam a lugar algum. Alguém tinha que vir na troca por Kawhi e esse alguém foi DeMar DeRozan, que recebe US$ 27 milhões nesta temporada e tem uma player option de mais US$ 27 milhões. Veremos se ele pega ela ou não. LaMarcus Aldridge também tem mais um ano, além deste, de contrato, com US$ 24 milhões possíveis, mas “só” US$ 7 milhões garantidos.

Ambos são bons jogadores, mas tem algumas características que fica difícil de construir um time vencedor em volta em 2020. Primeiro, os salários. Segundo o fato que ambos vivem no mid range, combinando para 3,5 arremessos por jogo de três. Para você ter uma ideia, Patty Mills vindo do banco arremessa 6,4 bolas em média.

DeRozan também não impacta tanto o jogo além da pontuação e sua defesa é fraca, para ser simpático.

Não é à toa que os Spurs caíram de uma das melhores defesas da NBA, até nos anos pós-Duncan, para o meio da tabela ou até abaixo disso. A equipe sofre 114,4 pontos em média, melhor apenas que três times no Leste e quatro no Oeste.

Seguindo nos contratos, Patty Mills e Rudy Gay também vão pesar sobre a folha do próximo ano. E esses quatro contratos não deixam muito espaço de manobra para Pop e R.C. Buford: você só consegue trocar eles se oferecer uma escolha de Draft de brinde ou recebendo jogadores com contratos similares ou piores. Caso DeRozan opte por ficar, o time ficará 23 milhões acima do teto, com um time medíocre.

Portanto, a libertação dos torcedores desse time será só no fim da temporada 2020/21. Só que ainda há problemas: que free agent de peso irá para San Antonio sem saber se Popovich durará muito? O próprio já disse que teve que prometer a Aldridge que ficaria no cargo para ele vir.

E o Draft? Se o time abandonar esta temporada hoje tem boas chances de ter uma escolha alta no Draft de 2020. Mas também sabemos que a geração de atletas que vai entrar pode ser uma das mais fracas em anos. É difícil imaginar que alguém chegue para a temporada 2020/21 pronto para carregar o time junto com Dejounte Murray, o único com contrato de maior duração no time, e o resto de gasolina no tanque que DeRozan e Aldridge têm.

Portanto todos os cenários apresentados não são bonitos. É difícil imaginar uma virada que faça Pop, 71 anos, voltar a treinar nos jogos mais decisivos dos playoffs. O caminho mais provável hoje parece ser criar um núcleo com Murray, Lonnie Walker IV, alguma escolha do Draft que cair do céu e tentar entrar no mercado de free agents. Não para trazer os LeBrons e Durants, mas peças interessantes que podem crescer no Texas nos anos seguintes.

Porque em 2019/20… não faz nem sentido pensar em ir aos playoffs.

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