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Russell Westbrook nos Rockets: eu não gosto dele, mas….

Harden Westbrook Rockets Thunder

Crédito: Instagram/reprodução

Não é de hoje minha antipatia com o jogo de Russell Westbrook. Achei um absurdo ele ter vencido o Troféu de MVP na temporada 2016/17 e não me surpreende nada o insucesso do Thunder após a saída de Kevin Durant, mesmo com Paul George sendo um candidato a MVP em 2018/19.

Dito tudo isso, eu adorei a troca que agora coloca Russell Westbrook nos Houston Rockets junto com seu amigo barbado James Harden.

Eu defendo que Daryl Morey é o melhor general manager/presidente/manda-chuva da NBA. Ele está há 12 anos construindo os Rockets sem escolhas altas no Draft e sem tankar, só roubando pessoas em trocas e inserindo peças no sistema da equipe. Os bons viram ótimos, os ótimos viram sensacionais e os rejeitados viram úteis. Só Carmelo Anthony que não tem jeito mesmo.

“Ah, mas ele não ganhou o título”.

Sempre que surge essa frase eu penso em Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, em uma das únicas coisas úteis que ele falou desde que surgiu no mundo da bola. Quando o clube dele ainda não tinha vencido a Libertadores, Sanchez dizia que o importante era sempre estar na disputa porque uma hora ela viria. Em 2011 ele previu que o time venceria a competição até 2013. Venceu em 2012.

Cacete, como eu enrolo.

Os Rockets sempre estão na disputa e foram o grande nêmesis do Golden State Warriors, que é um dos maiores times da história. O que aconteceu em 2018 com a lesão de Chris Paul tem que ser encarado da mesma forma que o que aconteceu nestas finais de 2019 com os Warriors: sempre que falarmos dos dois títulos, temos que citar as lesões e como Golden State em 2018 e Toronto em 2019 no outro se beneficiaram.

Voltando a Morey, estava estranhando a passividade dos Rockets nesta janela, ainda mais depois de surgirem notícias e mais notícias sobre disfunção na franquia. Mike D’Antoni não assinou contrato longo, os assistentes foram demitidos e vazou que James Harden e Chris Paul não se aguentavam.

Então era óbvio que algo precisava ser feito. E Morey fez.

Contrato por contrato…

Não muda tanto. Os dois são horríveis. Russell Westbrook vai receber US$ 38,5 milhões, US$41,3 milhões e US$ 44,2 milhões e uma player option de US$ 47 milhões em 2022/23. Já Chris Paul vai receber 38,5 milhões, 41,3 e 44,2 milhões em uma player option em 2021/22.

Mas se o contrato de Paul some um ano antes, o camisa 3 tem 3 primaveras a mais neste Planeta (34 contra 31 de Westbrook em novembro) e lesões sempre nos piores momentos. Westbrook também não é o garoto-propaganda da ficha limpa na saúde, mas tem mais gasolina no tanque. É clara a decadência física de Chris Paul, que transformou seu jogo que antes tinha bastante infiltração em mais cerebral ainda e dependente de tiros de média e longa distância.

Por isso que Russell Westbrook nos Rockets faz mais sentido que Paul

Westbrook é um encaixe melhor que Chris Paul para James Harden. Eu realmente achava que a dupla Paul e Harden ia ser horrível, mas deu certo por um tempo e calou minha boca. Mas com um Paul menos explosivo e sempre muito, muito chato, as coisas só iam piorar nos próximos anos.

Já Westbrook tem um sério problema com a bola de três, com míseros 29% de aproveitamento em altas 5,6 bolas por jogo. Só que ele ainda é uma tremenda ameaça de partir para dentro, o que obriga a presença de um big embaixo da cesta a todo momento. Isso para James Harden é uma maravilha: menos gente no perímetro.

A questão maior com Westbrook para sabermos se ele tem um nível a mais para subir é se ele vai conseguir se adaptar a um sistema e jogar basquete vencedor. D’Antoni não vai ser burro de deixar ele só arremessando de três, mas com certeza não vai deixar Westbrook ser fominha e arremessar 46 bolas em um jogo de playoffs. Scott Brooks e Billy Donovan não conseguiram pensar no camisa 0 como parte de uma engrenagem e os ataques sempre foram unidimensionais em OKC, mesmo com três monstros em dado momento.

Triste fim do Thunder e de Chris Paul

Não me entenda mal, acho que Sam Presti fez muito bem em desmanchar o time e agora ter 15 escolhas de primeira rodada nos próximos sete Drafts. Isso, mais do que a possibilidade de ter 15 talentos, é gasolina para trocas e negociações.

Mas é triste que em 2008 e 2009 o time tenha draftado três futuros MVPs e mais um jogador bastante acima da média em Serge Ibaka e tenha saído com 0 títulos e uma mísera aparição em finais. Ainda mais sabendo como mesmo com Draft e teto salarial, os times de mercados menores têm uma desvantagem contra os de mercados maiores. O Thunder não vai sair dessa de forma fácil, como os Lakers saíram depois de anos fazendo tudo errado.

Não acho que Chris Paul vá continuar em Oklahoma City, onde jogou quando os Hornets ficaram sem casa após o Furacão Katrina assolar New Orleans. Ainda há equipes que são boas e podem ser chatas (Miami, Minnesota…) se contarem com seus serviços.

Mas é um fim de carreira triste para um jogador hiper-talentoso mas que nunca conseguiu deixar sua chatice e as lesões de lado. E quando você assina um contrato desse valor aos 33 anos é basicamente impossível o seu time ficar 100% satisfeito na duração dele enquanto seu declínio físico chega.

Já do outro lado, Russell Westbrook nos Rockets significa uma chance para o camisa 0 mostrar que pode sim vencer. É uma sobrevida para Morey também, que não teve dúvida ao despachar escolhas de Draft junto com Paul para ter mais uma chance de disputar o título. E é melhor para Harden também, na minha opinião. Houston está no bolo.

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