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Chegamos em maio sem muitas notícias sobre o retorno da NBA

NBA jogo game

Os playoffs da NBA já eram para ter começado, mas não sei se você notou, O MUNDO PAROU. Com a temporada paralisada desde o dia 11 de março, após a notícia que Rudy Gobert tinha contraído o COVID-19 – outros atletas também tiveram que lutar contra o vírus desde então – diversos planos foram aventados e, com certeza, o escritório da liga trabalha em algo. Nós só não temos um plano claro divulgado.

A última notícia é desta segunda-feira (28) e não é positiva. A NBA adiou por uma semana a data para os jogadores poderem voltar a treinar, de forma voluntária, nas instalações das suas equipes. Agora essa data é 8 de maio.

Esses treinos seriam feitos seguindo regras bastante duras. Só quatro jogadores podem se apresentar por vez, com um membro do staff para supervisionar. Treinadores não são permitidos e uma distância de 3,5 metros deve ser mantida entre os jogadores na quadra. Ou seja, o Detroit Pistons dos anos 80 não gostaria nada dessa ideia.

O retorno da NBA esbarra neste momento em uma série de decisões que podem ser impopulares e gerar atritos. Por exemplo, assim como no Brasil, nos Estados Unidos os governadores têm maior poder para decidir sobre medidas que relaxem ou endureçam a quarentena e a ideia de distanciamento social. No estado da Geórgia, academias começam a abrir as portas, assim como quadras e ginásios. O Atlanta Hawks, por exemplo, teria essa “vantagem”.

Não que isso importe tanto, já que os Hawks têm 20 vitórias e 47 derrotas, estando 11 jogos atrás do Orlando Magic, último classificado para os playoffs tradicionais no Leste.

É nessa questão do posicionamento para os playoffs que o retorno da NBA trará mais discussões. É impensável voltar a jogar da mesma forma que anteriormente, com as equipes viajando todos os dias para jogar nas 29 arenas da liga. Então cortar o número de jogos da temporada regular faz todo o sentido, assim como pular direto para a pós-temporada.

Só que isso não será justo com o Portland Trail Blazers, New Orleans Pelicans e Sacramento Kings, que ainda sonham com playoffs e estão 3,5 jogos atrás do Memphis Grizzlies, oitavo colocado no Oeste. Como se resolve isso?

E se é para limitar as viagens e a exposição dos jogadores, por que não fazer todos os jogos em uma só cidade, já que não teremos torcida? Essa é a principal via que está sendo explorada para o retorno da NBA. Onde, quando e como ainda são perguntas difíceis de responder.

Há razões para ser otimista. A NBA sempre se posicionou pela volta para finalizar a temporada 2019/20. E há modelos a observar: o Campeonato Alemão de futebol, por exemplo, planeja que a bola volte a rolar em maio. Também com regras bastante duras e ambientes controlados. Sem torcida, obviamente.

Entretanto, a Alemanha está longe de ser os Estados Unidos nesta pandemia. O país europeu tem 6 mil mortes. Os Estados Unidos passam de 50 mil. Por isso reservar profissionais de saúde e testes em grande número para jogadores de basquete colocarem uma bola na cesta não é uma prioridade quando mais de mil pessoas por dia morrem no país e os recursos são limitados.

Adam Silver, comissário da NBA, foi o primeiro a concordar com essas prioridades e apontar que a liga está antenada a todos os desenvolvimentos, como o surgimento de testes mais fáceis e resultados imediatos, a queda no número de contágios no país e os caminhos para a criação de uma vacina. Ou seja, precisamos de um cenário melhor.

“Nós não estamos nem no ponto que podemos dizer ‘se A, B ou C estiverem presentes, então temos um caminho’. Ainda tem muita incertidão neste ponto para dizer precisamente como continuaremos”, declarou o comissário.

Adam Silver foi um dos manda-chuvas das ligas de esportes que se reuniram com o presidente Donald Trump para conversar sobre a volta dos esportes. Há muitas razões para tentar um retorno da NBA. Dinheiro é o mais óbvio deles: os contratos de televisão são uma parte enorme da arrecadação das franquias. Em um momento onde todos estão em casa, ter esportes ao vivo passando na televisão é uma benção, com o Draft da NFL tendo números recorde. O documentário The Last Dance antecipou sua estreia e está aproveitando todo esse vazio dos amantes dos esportes.

E também há uma questão social: a volta dos esportes é uma volta à normalidade, a prova que as coisas aos poucos vão ser como eram antes e que há alternativas mesmo em um cenário tão obscuro. Não será a mesma coisa sem torcida e o fator casa, mas já é algo. Quem gosta da NBA não irá reclamar, pode ter certeza.

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