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Prévia Finais da NBA: Golden State Warriors x Cleveland Cavaliers

Se você perguntar para qualquer fã da NBA em qualquer ano desde que a liga começou o que ele acha de uma final entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers, a pergunta que virá a seguir pode perfeitamente ser: “é permitido que esses dois façam uma final?”

O Cleveland Cavaliers chega a sua segunda final de NBA, a segunda com LeBron James, o verdadeiro salvador de uma franquia e até de uma cidade que esportivamente parece completamente amaldiçoada. Na primeira, os Cavs levaram uma varrida impiedosa do San Antonio Spurs. Nas décadas anteriores a essa final, os Cavaliers se notorizou pelos times ruins, decisões erradas da direção e não ter chegado a lugar algum mesmo quando tinha um punhado de bons jogadores. Até que chegou LeBron James para mudar o destino dessa franquia perdedora, levar seus talentos para South Beach para ela voltar a sua velha e triste história e retornar para dar um título aos pobres coitados torcedores.

O Golden State Warriors é um pouco diferente. Em Oakland desde 1971, em 1974/75 os Warriors ganharam o título. Mas desde lá a franquia teve apenas alguns anos bons e muitos anos ruins. A mudança para este atual estágio veio só na segunda década dos 2000, com Mark Jackson e principalmente Stephen Curry, que depois de um começo modesto na NBA, cresceu nas mãos de Jackson, que dizia que ele era o melhor armador da liga – mesmo quando estava longe de ser -, e explodiu com Steve Kerr.

Ou seja, o duelo que começa nesta quinta traz dois jogadores que além de MVPs, All-Stars, são dois personagens que mudaram a história recente de suas franquias. E o jogo de ambos se assemelha um pouco a dois gênios dos campos de nosso futebol.

Curry/Messi é habilidoso, mas não é uma “foca” que coloca um malabarismo de rua no meio de uma quadra da NBA/jogo da Champions como Allen Iverson/Ronaldinho Gaúcho. Ele consegue aliar perfeitamente sua habilidade com uma capacidade inacreditável de pontuar/marcar gols. Curry/Messi não tem físicos espetaculares e mesmo assim fazem parecer jogadores muito mais fortes e físicos uns completos cones.

Já LeBron James/Cristiano Ronaldo tem um corpo perfeito para a prática do esporte. Ambos são extremamente fortes, mas não perdem por isso rapidez e habilidade. LeBron/Cristiano podem te bater na corrida, no drible ou pura e simplesmente na força.

A semelhança de Curry e seus Warriors se estende ao Messi e seu Barcelona. Venha o que vier, eles dão um jeito de bater o oponente por que o time é completo e muito inteligente. Caso o outro time venha com um quinteto “baixo”, Steve Kerr coloca Draymond Green de pivô e quatro jogadores de perímetro para “esticar” a defesa. Caso o outro time venha com um quinteto mais tradicional, Andrew Bogut faz a 5 e a equipe consegue se adaptar também. A equipe já superou equipes de ataque sufocante, como os Rockets liderados por James Harden, e uma defesa nojenta de boa do Memphis Grizzlies. Isso só nestes playoffs.

Os californianos são sem dúvida favoritos já que além do MVP – 29,2 pontos por jogo na pós-temporada, 6,4 assistências e 79 bolas de três encaçapadas (recorde da história da NBA nos playoffs por muito já) – a equipe ainda tem Klay Thompson (19,7 pontos de média nos playoffs), um marcador incansável em Draymond Green e um banco muito bom, com Andre Iguodala saindo e várias outras peças competentes como Shaun Livingston, David Lee e o próprio brasileiro Leandrinho.

Já os Cavaliers estão de guerreiros nesta final. O time perdeu Kevin Love, que nesta série seria vital e Kyrie Irving está claramente baleado. Além disso o banco dos Cavs é muito “curto”, contando com J.R. Smith em ótima fase mas dependendo de um James Jones e até do corpanzil e inteligência de alface de Kendrick Perkins para dar descanso aos titulares. Pelo menos de LeBron James podemos esperar algum jogo monstruoso. Nesta pós-temporada ele já entregou 37-18-13 contra os Hawks e 38-12-6 contra uma defesa de Tom Thibodeau. O problema é que sua companhia dessa vez se assemelha mais aos próprios Cavs varridos pelos Spurs em 2007 do que do Heat nas quatro finais.

Irving é uma ótimo Robin para o LeBatman, ainda mais que alguém precisa compensar a produção frenética de Curry com uma produção frenética no ataque e se tem alguém que pode entregar pontos de forma rápida é o camisa 2. Mas com o joelho machucado e com incômodos em outras partes, sua defesa pode se tornar um problema e não dá para esconder ele na marcação de alguém menos ofensivo porque nessa equipe dos Warriors é difícil achar alguém que não possa esquentar e entregar 20 pontos. Por isso devemos ver Matthew Dellavedova em quadra bastante, já que ele tem energia para tentar marcar o MVP e vem jogando bem na ausência de Kyrie.

Iman Shumpert pode marcar (e bem) Klay Thompson, enquanto LeBron deve variar sua marcação durante toda sua partida. Se a dupla Irving (ainda dúvida) e Dellavedova falhar, o camisa 23 pode tentar ser a sombra de Curry por bons períodos do jogo. Caso Klay consiga achar caminhos contra Shumpert, este deve ir marcar Harrison Barnes e LeBron vai para um dos Splash Brothers.

Um ponto bastante positivo para os Cavaliers é sua dupla de torres Guerra Fria: Tristan Thompson e o russo Timofey Mozgov têm tudo para limpar toda a sujeira no garrafão. E o melhor: dos dois lados. Os dois juntos pegaram 95 rebotes (Thompson é o melhor com 56) no ataque nesta pós-temporada. Para comparação, Draymond Green é o melhor dos Warriors com 38.

Então, para o jogo 1 na Oracle Arena e para o resto da série, a menos que caia um meteoro em alguns dos ginásios e os dois terminem as finais com os elencos de seus afiliados na D-League, o desenho está claro. Os californianos têm um time melhor, um banco melhor, o MVP da liga e matchups mais positivos devido às lesões dos Cavs mais a falta de opções no banco destes para tentar posicionamentos e marcações diferentes. Mas os Cavaliers têm o melhor jogador da NBA desconsiderando fases, uma dupla chata de ala-pivô e pivô e seus coadjuvantes estão conseguindo aparecer quando mais necessitados, seja Dellavedova enterrando umas bolas de três e conseguindo faltas técnicas, Shumpert marcando bem ou J.R. Smith vindo do banco com a mão quente. Os Warriors são favoritos, mas não dá para desconsiderar completamente um time de LeBron Cristiano Ronaldo James.

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