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Prévia finais da NBA: Kawhi poderá ter vingança contra os Warriors

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Quando Kawhi Leonard subiu para um arremesso no primeiro jogo das finais do Oeste de 2017, ele estava dominando um Golden State Warriors que tinha vencido todos os jogos da pós-temporada e só perderia um no Jogo 4 das finais da NBA. O que Zaza Pachulia fez foi no limite entre o jogo muito físico e a pura maldade. Aquele seria basicamente o último momento de Kawhi com a camisa 2 do San Antonio Spurs.

O que mais lamento é que o ala não vai poder reencontrar Pachulia – ele está no Detroit Pistons agora – mas é curioso como sua vingança virá contra uma equipe igual, mas diferente. Aquele era o primeiro ano de Kevin Durant e com ele os californianos ligaram o turbo. Venceram 67 jogos na temporada regular e tiveram um sonoro 16-1 na pós-temporada para voltar a ganhar o título.

Hoje, o time segue dominante, mas com Durant possivelmente saindo e ainda como dúvida para os jogos das finais por causa de sua lesão na panturrilha.

Vou ter que me contentar com ver só um ala no auge de seu físico e capacidade defensiva e ofensiva. Não só Kawhi Leonard ele está pontuando de todo jeito (31,8 pontos), com extrema eficiência (50,7% nos arremessos de quadra, ele faz a bola de 2 longa valer a pena). É que ele faz com uma constância incrível.

E com os Warriors do outro lado, podemos ter um confronto que os fãs de basquete vão amar. Antes da série contra os Blazers disse que os atuais bicampeões estavam confortáveis porque o matchup era favorável: o ponto forte de Portland era seu excelente backcourt. Mas Lillard e McCollum não eram grandes marcadores e por mais que saibam gerar ataque, do outro lado Curry e Thompson sabem ainda mais.

Sem Durant, Kawhi não terá um marcador “ideal”. Andre Iguodala é ótimo, claro, mas ótimo por 38 minutos contra esse Kawhi Leonard? Se tivesse que palpitar, Steve Kerr vai colocar todos os jogadores possíveis para revezar no ala rival e assim sempre ter alguém fresco e sem perigo de faltas. Klay vai ter sua chance, assim como Draymond Green.

Do outro lado, a receita de bolo dos times que mais complicaram para os Warriors foi composta em alguns pontos bem claros. Ser muito físico com Stephen Curry (marcar em cima desde a meia quadra, dar aquela “trombada” a mais em alguns bloqueios, impedir sua corrida cruzando a quadra, paralelo à cesta). Frear o ritmo o máximo possível, usando os 24 segundos e voltando à defesa logo depois do arremesso (não brigar com mais de um pelo rebote ofensivo).

Toronto tem peças para jogar assim. Se quiser jogar com um quinteto alto pode escolher dois entre Siakam/Ibaka/Gasol. Ibaka pode ser um 5 e o time ter três arremessadores + Kawhi. Enfim, há ajustes que podem ser feitos e Nick Nurse mostrou ter olho clínico para mudanças do tipo, marcando Giannis Antetokounmpo de forma brilhante depois de cair com um 0-2 nas finais do Leste.

O problema é que tudo que falei não foi fruto da minha mente brilhante. Não há nada criado que já não tenha sido testado contra os Warriors. Você até pode ser duro com Curry, mas o complicado é durar 36 minutos por jogo em seis partidas.

Klay Thompson vai ter sua noite iluminada. Draymond Green é o mesmo de 2016 nestes playoffs, aliás, ele melhorou ainda mais como garçom. Alguém vai sair do banco, ter 5 minutos sólidos e fazer o time abrir vantagem.

Palpitei que a série termina em cinco jogos, com os Warriors conquistando seu quarto título em cinco anos. Não quis parecer desrespeitoso com Toronto, até porque tivemos muitas finais nos últimos anos que terminaram com esse placar, mas jogos muito renhidos que poderiam ter prolongado a série. Exemplos: Warriors x Cavaliers em 2017, Heat x Thunder em 2012 e Lakers x Magic em 2009.

Mas o problema é que os Warriors têm mais talento em seu quinteto inicial. Marc Gasol é melhor que Kevon Looney, claro. Mas o espanhol não está conseguindo entregar seu máximo – já está nos últimos passos da carreira – e Looney faz todo o trabalho sujo nos bloqueios, proteção na defesa e ainda é rápido para marcar um ala em um mismatch.

Toronto sabe que pode contar com Leonard, mas o resto é um ponto de interrogação. Kyle Lowry foi bem contra os Bucks, mas se eu puxar a capivara aqui de noites horrendas em playoffs do armador, este texto dobra de tamanho. Danny Green está péssimo nos arremessos e caras como Fred VanVleet e Norman Powell até podem aparecer, como já apareceram, mas eles não vão ser uma válvula de escape constante para os Raptors acharem cestas sem precisar de seu camisa 2.

Talvez Pascal Siakam seja um dos jogadores mais interessantes, para ver se o momento pesa demais e como ele age com um Draymond Green no cangote.

Já os Warriors têm um sistema que permite arremessos livres para todos os jogadores. E além dos óbvios Klay e Curry, Green pode ter espaço para agir (não só arremessar) e o mesmo serve para Shaun Livingston e até caras menos usados como Jonas Jerebko e Alfonzo McKinnie.

Colocar Durant nessa equação vai desbalancear tudo. Pode parecer estranho falar isso, mas é mais interessante para o fã da NBA se ele não jogar. Imagina só se os Warriors vencem sem ele, como fica sua cabeça? Preparem o Instagram que ele vai usá-lo.

Aliás, acompanhem nosso Instagram porque ele é o sonho molhado de todos os fãs de esportes americanos.

Minha torcida é sete jogos, com os times revezando vitórias e Kevin Durant voltando no jogo 2, 3 ou 4. Quero ver o máximo possível de Kawhi Leonard e também quero que ele fique em Toronto. Vamos ver quanto disso vou poder ver realizado.

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