NBA

Primeiros jogos dos playoffs trazem emoção, mas tudo é inútil

milwaukee bucks giannis

O título é melancólico, mas você vai entender o que quero dizer. Na sexta-feira, gravei podcast com o nosso grande amigo Marquinhos elencando, da 8ª para 1ª, quais séries seriam as mais interessantes. Discordamos de algumas ordens, mas tínhamos certeza, por exemplo, que o Toronto Raptors conseguiria despachar o Orlando Magic rápido. Resultado: D.J. Augustin fez 19 pontos no primeiro tempo e Kyle Lowry mais uma vez nos entregou uma performance abaixo da crítica na pós-temporada. Um armador que erra todos seus sete arremessos e ainda dois lances livres em 2019 está dando um tiro no joelho do seu time e um soco na barriga para completar.

Ouça o Quinto Quarto Expresso #165:

Calma, nós também acertamos algumas coisas que falamos. Vou fazer uma análise rápida de cada série e amarrar com o título.

Os Blazers precisavam demais dessa vitória

Em 2016/17, os Blazers foram varridos pelos Warriors na primeira rodada. Em 2017/18, os Blazers foram varridos pelos Pelicans na primeira rodada. Em 2018/19, os Blazers chegaram nos playoffs pouco depois de seu pivô fazer uma releitura da menina do Exorcista com sua perna e o seu ala-armador, que nunca perdia jogos, tendo que lidar com uma lesão no joelho.

Por isso dá para dizer que a franquia do Oregon era a que mais precisava de um triunfo como o deste domingo, contra um Oklahoma City Thunder que muitos viam como o mais provável de vencer uma série mesmo não tendo um possível sétimo jogo em casa.

Damian Lillard teve 30 pontos e isso era até esperado, já que qualquer esperança de vitória da franquia passa pelo camisa 0. Mas Enes Kanter foi o homem da redenção. Com o uniforme do Thunder, ele foi exposto defensivamente e tornou-se persona non grata na quadra em playoffs. Por essas e outras foi despachado para Nova York na horrorosa negociação por Carmelo Anthony. Ele ter feito um duplo-duplo gordinho de 20 pontos e 18 rebotes contra seu ex-time deve ter sido um Nirvana pessoal.

Ainda teve mais um peso a se considerar: na temporada regular, o Thunder tinha vencido as quatro partidas contra os Blazers.

Não se pode reagir de forma exagerada a uma vitória em jogo 1, até porque um triunfo do Thunder no eterno Rose Garden (momentaneamente Moda Center) faz a vantagem do mando ser de OKC. Só que psicologicamente o resultado positivo vale mais que o 1 a 0: foi a prova que o time pode jogar sem Nurkic, que Lillard pode encarar Westbrook e ser bem sucedido e que os Blazers podem vencer o Thunder.

Já para o time de Russ, Paul George e companhia, um velho demônio de pós-temporada entra em quadra: a eficiência. O time acertou cinco bolas de 33 tentadas de três.

Os Nets expõem os problemas dos 76ers

Voltando ao podcast, tinha dito que um dos jogadores que mais queria ver nestes playoffs era Ben Simmons. A evolução no segundo ano não veio e os times na pós-temporada desrespeitariam o seu arremesso. Com Joel Embiid claramente baleado, e por isso tentando demais de três e falhando (0 de 5), Simmons não foi o segundo cara que muitos esperam que ele seja. Ele teve 9 pontos em 9 arremessos tentados e ainda errou 4 de seus 5 lances livres. Isso é um problema ENORME para os Sixers.

Não sou um grande fã de Jimmy Butler, mas se ele é o cara que arrisca e derruba, ou carrega, sua equipe, dessa vez ele fez os 76ers terem chance em um jogo pavoroso. JJ Redick, Tobias Harris e Simmons, somados, tiveram 18 pontos. Butler teve o dobro.

Novamente, não se pode reagir exageradamente ao primeiro jogo e Philadelphia ainda é favorito para passar. Mas os Sixers jogam um pouco contra seu técnico Brett Brown e as claras deficiências de Ben Simmons. Embiid precisará se desdobrar, o que nunca é saudável para uma equipe. Os Nets, enquanto isso, superaram o começo ruim de D’Angelo Russell arremessando e Ed Davis (12 pontos, 16 rebotes), Spencer Dinwiddie (18 pontos) e Caris LeVert (23 pontos em 23 minutos) vieram do banco com tudo. Russell estabilizou e terminou com 26 pontos.

Kenny Atkinson é o melhor treinador. Os Nets têm um coletivo melhor. Os Sixers têm muito, mas muito mais talento e por isso devem passar. Mas contra um time melhor na segunda fase, esses buracos vão cobrar seu preço.

Os velhos Raptors entraram em cena

A formação de pipocas foi o que fez os Raptors despacharem Dwane Casey mesmo em ano de Prêmio de Coach of the Year e 59 vitórias na temporada regular. A mesma razão está por trás do despachamento do craque do time para San Antonio para ter Kawhi Leonard, MVP das finais e um dos 5 melhores jogadores da NBA, quando saudável. Eu não sou anti-Kyle Lowry, mas não tem como não apontar o dedo para ele hoje e dizer que ele foi o milho de pipoca que restou e está estourando em toda sua plenitude.

D.J. Augustin pintou e bordou sobre ele, com 19 pontos no primeiro tempo. No segundo tempo, beleza, Augustin sumiu, mas Lowry seguiu sem acertar um mísero arremesso e ainda errou os dois lances livres que teve. Na jogada final, Lowry não estava com Augustin, mas ele viu o armador rival, que foi chutado de tudo quanto é time, fazer o arremesso da vitória no grande palco, algo que Lowry deve invejar absurdamente.

Os velhos Raptors entraram em cena. Torcedor, pode ficar tranquilo que o Magic não é ameaça, já que dependeu de 25 pontos de um armador abaixo da média, que ainda enfiou uma bola de 3 com três segundos faltando, com Kawhi Leonard e Marc Gasol na marcação. Essas coisas não se repetem. Mas minha aposta de Raptors na final da NBA levou um tapa na cara.

Vamos saudar Gregg Popovich

O plano de jogo de Gregg Popovich foi uma coisa de gênio. Colocando em poucas palavras, ele consiste em “vamos dobrar Nikola Jokic e deixar Jamal Murray tentar nos vencer”. Jokic, um cara que foi um dos cinco melhores jogadores da liga na temporada, teve 10 pontos. Murray acertou 8 de seus 24 arremessos, com 1 de 5 nos últimos três minutos. Pop e Belichick são os maiores da história.

 

Sim, vou voltar ao podcast. Eu e Marquinhos amamos esses Nuggets. Mas não há como negar que experiência em playoffs importa muito e os Nuggets têm zero. Já Pop tem toda a experiência do mundo. Se nas séries acima eu disse “calma, o favorito ganhará”, aqui eu realmente tenho sérias dúvidas.  LaMarcus Aldridge acertou apenas seis de 19 arremessos, mas ele e mais quatro jogadores do time tiveram 14 pontos ou mais.

Os Spurs são assim mesmo. E os Nuggets, sem Jokic, nós não temos a mínima ideia do que são.

Bucks poderá descansar

Séries de primeiro contra oitavo costumam ser sem graça, a menos que envolvam o Dallas Mavericks no auge da pipocagem. Quando o oitavo não tem seu melhor jogador, ai esquece. Giannis Antetokounmpo só teve que jogar 23 minutos, fez 24 pontos e deu algumas enterradas humilhantes no atropelo contra os Pistons. Esse é o jogo que o elenco ama: 11 jogadores entraram em quadra, o que menos arremessou teve quatro disparos e sete jogadores tiveram duplo-dígito na pontuação.

O jogo foi um sonífero. E a série deve continuar assim.

Os Pacers só podem jogar assim

O Indiana Pacers teve a melhor defesa em pontos cedidos da NBA. Sem Victor Oladipo e caindo de rendimento depois de uma sequência incrível sem seu craque, a única chance de passar pelos Celtics é furando a bola, sentando em cima e chamando José Mourinho como consultor. O jogo 1 teve 158 pontos total, com vitória de Boston por 84 a 74. O segundo jogo com menos pontos teve 197.

Pareceu um jogo ruim do fim dos anos 90, começo dos anos 2000. Os Celtics ficaram 11 pontos atrás, mas no terceiro quarto permitiram apenas 8 pontos dos Pacers e Marcus Morris e Kyrie Irving tiveram 20 pontos cada. Pode esperar jogos físicos assim em uma série que tem tudo para ser feia, mas que pode ser muito positiva para os Celtics. Ganhar jogos defensivos assim dá moral e para um equipe que mostrou desunião, falta de energia e até de companheirismo, superar uma barreira dessas pode virar a temporada.

Para o Jazz falta poder de fogo

Por mais que tenha feito 122 pontos, o Houston Rockets não teve uma noite incrível no ataque. Tá, o último quarto, com 39 pontos foi bom, mas James Harden acertou apenas 11 arremessos de 26 tentados em sua noite de 29 pontos. Ele teve que encarar de novo uma marcação nada convencional.

O lance dos Rockets ontem foi limitar o ataque já sem tanto poder de fogo do Utah Jazz. O time é muito dependente do que Donovan Mitchell, um segundo anista, pode criar. Ontem ele teve 18 pontos, mas sofreu da mesma falta de eficiência e turnovers que todo o resto de sua equipe. O Jazz teve 39% de aproveitamento nos arremessos de quadra, pouco mais de 25% de três e cometeu 18 turnovers contra 10 dos texanos.

A equipe de Mike D’Antoni é defensivamente versátil, podendo jogar um monte de marcadores de perímetro nas estrelas rivais. P.J. Tucker, Iman Shumpert, Austin Rivers, Danuel House… todos eles tentando ser o grupo 3 and D. Talvez esta série dure menos do que eu achava ao colocá-la como uma das mais interessantes.

Tudo o que falei acima é inútil

Você leu tudo que falei até aqui. Perdeu seu tempo. Não importa se favoritos vão passar, se azarões vão jogar melhor, se alguém terá sua redenção ou se tal craque não joga bem. Os Warriors venceram com 38 pontos de Stephen Curry. É óbvio quem vencerá o campeonato no fim.

A razão para minha desistência de qualquer análise engraçadinha é o fato que os Clippers fizeram tudo certo. Montrezl Harrell e Lou Williams tiveram 51 pontos combinados vindo do banco, mostrando que seu entrosamento e pick n’ roll realmente são incríveis. Patrick Beverley conseguiu entrar na cabeça de um Warrior e foi logo Kevin Durant, com ambos sendo ejetados. DeMarcus Cousins teve nove pontos e saiu ejetado por faltas.

Mesmo assim os Warriors venceram por 17. Esquece.

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