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Opinião: o pior, mais desequilibrado mas ainda imperdível Warriors x Cavaliers

Toda vez que falo que Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers vão fazer algo que nunca aconteceu, jogar um contra o outro nas finais pela quarta vez seguida, eu tenho que olhar este artigo no Wikipedia mais uma vez.

(Olhando mais uma vez)

Sim, nunca aconteceu. Aliás nem três vezes seguidas aconteceu. O mais próximo disso foi o Boston Celtics encarando e batendo o Los Angeles Lakers quatro vezes, mas em cinco anos, entre 1962 e 1966 com 64 como exceção.

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Ou seja, estamos presenciando a história. Mas nesta quinta-feira também vamos presenciar o pior confronto entre as duas equipes nesses quatro duelos.

Por que você fala isso Miguel?

(como ninguém lê isto, vou manter uma conversa comigo mesmo).

Eu falo isso porque este confronto não tem uma narrativa forte como os outros. No primeiro confronto, em 2015, era a primeira final de LeBron James desde que ele voltou a Cleveland, contra o louco time dos Warriors, uma franquia que não vencia há quatro décadas e nesse período fez todo tipo de cagada para deixar sua torcida louca.

E em 2016? Revanche sempre tem um sabor especial. Ainda mais porque os Cavaliers não contaram com Kevin Love e Kyrie Irving – a partir do jogo 1 – porque estes se lesionaram em 2015. E na versão II, em 2016, aconteceu de tudo, como já cansei de falar. 

Para o terceiro confronto, falar em revanche da revanche já é demais. Mas a chegada de Kevin Durant possibilitou uma nova história, um duelo de alas monstruosos, o fato de KD voltar às finais, enfim, tinha o que falar. A série não foi tão boa, mesmo sendo mais pegada do que o placar indica.

E para 2018, o que temos? Nick Young podendo ganhar um título? LeBron James carregando ainda mais os Cavaliers do que carregava antes? Acho exagero falar que Warriors x Cavaliers nas finais de novo é ruim para a NBA ou algo do tipo, mas fica claro que a empolgação e o suspense não é o mesmo que seria se os Celtics ou Rockets tivessem se enfiado no meio.

Tá, mas além disso, por que é o pior confronto?

No database do Sports Odds History nenhum time foi tão favorito para vencer como os Warriors. Caso você aposte 100 dólares e o cenário se confirme, seu lucro será de míseros 10 dólares. É basicamente como apostar que algo vai dar errado no Brasil nos próximos cinco minutos: todos sabem disso.

A razão para desconfiar dos Cavs é óbvia. LeBron James vai fazer o que sabe, mas ele ainda precisa de um jogo bom de pelo menos dois destes seguintes jogadores: Kevin Love (quando voltar da sua 37ª concussão), Kyle Korver, J.R. Smith, Jeff Green – e pior que ele entregou no jogo 7 contra os Celtics – Tristan Thompson e George Hill.

E além disso, um jogo ruim dos Warriors.

Na primeira série dos playoffs, contra os Pacers, os Cavaliers venceram dois jogos vitais quando Victor Oladipo ficou com a mão gélida, acertando 5 de 20 e 2 de 15 nos jogos 4 e 5.

Na série contra os Raptors.

….

Na série contra os Celtics, mesma coisa: as três vitórias dos Cavs em casa tiveram a grande colaboração dos arremessadores de perímetro dos rivais, que aliás não viajaram para fora de casa durante a série contra os Bucks também. E para ajudar, também decidiram fazer uma greve à la de caminhoneiros no jogo 7.

Stephen Curry pode ficar frio, sem dúvidas. Vimos várias vezes na série contra os Rockets. Ele inclusive fica frio em um jogo, explode, entra em combustão, arrasa quarteirão por alguns minutos e resolve a partida, como fez no jogo 7.

O camisa 30 é o jogador mais divertido da NBA, especialmente quando entra nesse modo “vou saltitar pela quadra arremessando de onde me der na telha”.

We’re 24 HOURS out from Game 1 of the 2018 #NBAFinals (9pm/et Thursday #NBAonABC)!

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Klay Thompson também fica frio. Aliás, eu amaria que Klay tivesse seu time, ou então fizesse uma dupla improvável com alguém que tenha talento. Por exemplo, adoraria ver ele no New York Knicks jogando com Kristaps Porzingis. Se ele ganhar seu terceiro título nas próximas semanas, ele bem que poderia fazer isso, como novo desafio.

E Kevin Durant é o que menos fica frio, mas também não está jogando o fino do basquete muitas vezes. Nós vimos os Warriors regredirem ofensivamente nesta temporada, isolando o camisa 35 para ele resolver. E como ele é bom, resolve. Mas não é para isso que vimos KD sair de OKC, onde ele tinha que resolver 40 vezes por jogo.

Os Warriors sem um sistema são apenas mais um time. Com muito talento. Mas não tão legal.

O problema para os Cavaliers não é um deles esfriar, e sim os três. E ainda contar com Shaun Livingston não vindo do banco, pegando a bola de costas, fintar para um lado, cortar para o outro, arremessar de meia distância por cima do adversário e não errar, assim como ele não erra esse tiro desde 1997.

São muitas armas, muitas opções. Os Celtics tinham muitas opções, mas sem metade da qualidade e experiência neste tipo de palco.

A questão LeBron James

As finais da temporada passada terminaram em cinco jogos, mas quem viu as partidas sabe que LeBron James e Kyrie Irving fizeram o que quiseram com a defesa dos Warriors. E nem isso foi suficiente.

É bem provável que LeBron continue com sua marcha inacreditável de minutos, arremessos, rebotes, assistências e jogadas que te fazem acreditar em um Deus que nasceu em Ohio.

Aqui não vou citar uma estatística só, apenas o que vejo.

  • Quando LeBron entrou na liga, ele não tinha um grande arremesso, mas mesmo assim você via ele a todo momento arriscando de meia-distância, em uma escolha de arremesso que hoje é basicamente um crime contra a NBA moderna
  • Ficando cada vez mais forte, ele descobriu o poder de ir para a cesta e não ser parado. Os times inteligentes fechavam essa possibilidade e forçavam ele a passar ou arremessar. Ele, não tão maduro, aceitava isso. E assim Zé Boquinha, da ESPN daqui, teve cinco infartos e cresceu dois centímetros de nariz.
  • Agora, inteligente, ele parte para a cesta mesmo assim, forçando faltas, conseguindo 2 pontos + lance livre e fazendo Marcus Morris passar vergonha ao tentar decepar ele.

E o pior: ele também acerta os tiros de três e de meia-distância, seja usando a tabela (olá OG Anunoby) ou com fadeaways à la Dirk Nowitzki. Aqui eu não vou citar estatística porque eu criei uma própria: sempre que os Cavs precisaram nestes playoffs de um tiro de média ou longa distância em um jogo pegado, ele acertou. Ele está 37 de 33. Acredite.

Então ele vai conseguir o que quer. Sem Andre Iguodala, Kevin Durant vai ter que se desgastar mais com o camisa 23. Klay Thompson e Draymond Green podem ajudar, mas vão ter os seus matchups também. Nessa NBA de trocas constantes, cada vez que LeBron pegar Kevon Looney, Jordan Bell ou o pivô da vez, seja JaVale McGee ou o sumido David West, ele pode superar de alguma forma todos esses.

Mas o Inferno são os outros, como diria Branco Mello dos Titãs. J.R Smith e Klay Thompson não será um duelo se J.R. continuar jogando como está. George Hill até pode ser um bom marcador, mas ele não vai parar Curry.

E não sabemos como Kevin Love estará depois de sua 38ª concussão (ele teve mais uma desde a metade deste texto). Quanto mais se ele é páreo para Draymond Green.

Pelo menos com Green você pode fazer o mesmo que os Rockets fizeram no jogo 7: deixa a marcação a 7 léguas marítimas e desafia ele a arremessar de três.

Ou seja…

Os Warriors são favoritaços. Não acredito em quatro jogos porque esse time mostrou que é mais blasé que o John Lennon deitado na cama com a Yoko Ono. A equipe parece ter tesão em cometer turnovers, sair do vestiário meia-bomba e não se esforçar na defesa em alguns momentos.

Mas é inegável que a equipe é talentosa demais, muito mais que seu rival. LeBron James é milagreiro, mas ele não faz esse tipo de milagres. Fez sentido? Eu acho que sim.

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