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Opinião: LeBron James escolheu a narrativa mais poderosa por uma boa razão

LeBron James, jogador do Cleveland Cavaliers

(Crédito: Instagram/Reprodução)

Há mais de um ano que as pessoas falam sobre LeBron James e o Los Angeles Lakers. Tudo fazia sentido: LeBron nunca se comprometeu a longo prazo com Cleveland e nunca gostou do dono da franquia. Os Lakers são a franquia mais midiática da NBA. E diferentemente do New York Knicks, sabem ganhar títulos e se organizar para isso.

Calma torcedores dos Knicks, não me odeiem, vocês sabem que é verdade.

A franquia californiana ainda tem um histórico gigante de conquista de free agents. Shaquille O’Neal foi draftado pelo Orlando Magic. Kareem Abdul-Jabbar ganhou título pelo Milwaukee Bucks. E mesmo assim pediu para ir para L.A. Karl Malone e Gary Payton chegaram em fim de carreira. Wilt Chamberlain ainda tinha lenha para queimar.

Tudo se encaixa na ida para Los Angeles, mas a questão mais forte aqui é a da narrativa. Se fosse só para LeBron ganhar um título, ir para Houston e dar um jeito com Chris Paul para ambos receberem menos era uma escolha melhor. E ele já fez essa escolha quando foi para Miami, dinheiro realmente não deve ser um problema. O boleto do gás deve ser pago até com antecedência, veja só.

Com Magic Johnson no comando da franquia desde 2017, todo o discurso foi direcionado para trazer os Lakers de volta para o holofote, depois de seguidos anos de temporadas horrorosas e free agents nem olhando na direção deles. A direção anterior quis uma mísera reunião com Kevin Durant em 2016 e nem isso conseguiu. É como ter passado sua juventude inteira sendo o John Travolta na balada e no momento que você chega nos 30, ganha 10kg e perde um pouco de cabelo, só de olhar para uma garota ela faz cara de nojo.

Magic, com aquele sorriso dele, conquista quem ele quiser.

Ajudou, claro, ter espaço no teto salarial, um núcleo jovem e provavelmente a promessa de que mais free agents virão. Paul George, surpreendentemente, ficou em Oklahoma City. Mas que tal DeMarcus Cousins? E melhor: Kawhi Leonard parece destinado a jogar em Los Angeles e os Lakers podem oferecer um pacote atrativo para os Spurs.

Claro que Gregg Popovich não vai querer ajudar Los Angeles, mas com Kawhi querendo sair, ele pode se dar ao luxo de recusar Brandon Ingram, Lonzo Ball e/ou Kyle Kuzma e fazer uma reconstrução rápida? Não seria inteligente ficar com um jogador descontente ou aceitar uma proposta inferior e assim abrir mão de uma nova cara só porque você não gosta dos Lakers.

Já do lado de LeBron James, ele escolheu a narrativa mais poderosa, assim como fez em 2014, quando voltou para os Cavaliers. Os Lakers não vão para os playoffs há cinco temporadas, algo que é quase criminoso. O time não tem um franchise player desde Kobe Bryant. Todo mundo olha para os Lakers, até quem não sabe o que é NBA já viu o uniforme roxo e dourado.

E por fim, nos Lakers ele pode montar seu time e tentar bater o Golden State Warriors. Agora, aliás, ele vai enfrentar os Warriors quatro vezes por ano pelo menos, já que não só está na mesma Conferência, como ainda está na mesma divisão.

É a era do super-time. E a franquia que já teve vários quer montar mais uma versão.

E neste texto que vai e volta entre a motivação de LeBron e a visão dos Lakers, termino com a parte que toca ao camisa 23.

Para superar Michael Jordan, o que LeBron poderia fazer nesta offseason? Ele já carregou o Cleveland Cavaliers até as finais e ficou evidente que mesmo passando pelo Leste, o Oeste terá desafios insuperáveis para um time desequilibrado.

Se fosse para Houston, como falei acima, qualquer título sempre teria o argumento “mas ele chegou em um time que já era muito bom”, algo que nem Kevin Durant consegue escapar.

Em Los Angeles a equipe é dele, pronta para ser moldada, no segundo maior mercado e com um histórico recente de vergonhas e até inferioridade para os Clippers, algo que deve deixar Jack Nicholson com uma úlcera.

Levar um título para a cidade de Los Angeles e ganhar pela terceira franquia diferente é o empurrão que LeBron precisa para ser considerado maior que Jordan. Ele já deixou claro que perseguir o fantasma do G.O.A.T. é o que o faz levantar pela manhã. A decisão de hoje é só mais uma prova disso.

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