NBA

Opinião: é duro torcer contra os Cavaliers (e LeBron) e o Real Madrid

LeBron James Cleveland Cavaliers

Quem torce contra ele passa mal

Acabou há pouco mais de 20 minutos o jogo 7 das finais da Conferência Leste entre Boston Celtics e o Cleveland Cavaliers enquanto escrevo este texto. Acabou há umas 30 horas a final entre Liverpool e o Real Madrid. O mal ganhou nas duas.

Calma, é só uma brincadeira.

Os Cavaliers foram nojentos durante a temporada regular. Mais uma vez. Como Tyronn Lue ficou no cargo, só Dan Gilbert, proprietário do Cleveland Cavaliers, pode explicar. O time na defesa era atroz, cedendo pontos como uma equipe que disputaria para ver se ficaria com a primeira escolha no Draft, não como um time três vezes campeão do Leste de forma seguida.

A troca de Kyrie Irving foi péssima. E, de todas as trocas que a equipe fez no meio da temporada, no fim só George Hill serviu. Larry Nance Jr. não foi bem nos playoffs, Rodney Hood mal jogou e ainda se recusou a entrar em quadra quando um dos jogos já estava decidido e Jordan Clarkson foi mal, muito mal.

Resultado: diretoria fazendo cagada, treinador que é um saco de pancadas da mídia e pessoas que acompanham a NBA, colegas de equipe que aparecem em um jogo e somem em cinco e o time está nas finais mais uma vez.

Eu não vou me alongar tanto no Real Madrid, mas o cenário é similar. O time começou a temporada de forma péssima, perdeu o título para o Barcelona quando nem metade do campeonato tinha passado e era o azarão para as casas de apostas já nas oitavas de final da Liga dos Campeões, contra o PSG de Neymar.

Depois de eliminar os franceses, o campeão italiano e o campeão alemão – com uma certa ajuda da arbitragem, até o madridista mais fanático concordará – o time pega o Liverpool na final e vê o melhor jogador rival sair com 30 minutos de campo.

Os torcedores dos Celtics sempre vão poder falar que esse time de Boston chegou longe demais, porque estava sem dois All-Stars, os principais reforços da temporada. E isso é mais do que justo e verídico. Mas a equipe precisava de apenas uma vitória em casa contra uma equipe claramente desequilibrada, que ainda não teria seu segundo maior pontuador (Kevin Love).

No meio da temporada eu fiz este texto falando sobre como os Cavaliers não podiam chegar nas finais da NBA mais uma vez só porque LeBron é basicamente Jesus Cristo andando na Terra neste momento. Eu disse que não torceria contra. Eu admito que no fim torci para os Celtics por achar a narrativa incrível e querer ver Brad Stevens, que eu e Felippe Rodrigues nos nossos podcasts quase erguemos uma estátua, na decisão.

E essa é a beleza do esporte, especialmente quando ele é decidido na melhor forma possível, em um mata-mata: não importa a justiça, se um time fez um planejamento melhor, se uma equipe é carismática e legal e jovem e a outra um bando de veterano cobra em um ambiente tóxico.

Frente a frente, com só um passando, o único que importa está acontecendo dentro das quatro linhas. Por isso odeio o argumento “camisa”, até porque se fosse isso os Celtics tinham amassado os Cavaliers. O principal aqui é experiência e saber o que fazer quando a pressão esmaga de tão forte. LeBron fez isso em 2016, nas finais, e fez de novo em 2018.

Os Cavaliers fizeram basicamente tudo errado na preparação para este ano e até em quadra em 90% do tempo. Mas em 2003, eles tiveram a pior campanha da NBA, ganharam a primeira posição nas bolinhas e decidiram que LeBron James seria o futuro da franquia.

É sempre fácil inventar as desculpas sobre LeBron. Eu mesmo já falei e compartilhei a maioria delas: “ah, mas o Leste é mais fácil”, “ele dá mais andada que um atleta de marcha olímpica”, “tudo nele é falta”.

Uma das críticas mais usadas é que ele forçou a barra para ir para Miami jogar com um monstro (Dwyane Wade) e um All-Star (Chris Bosh) e quando chegou em Cleveland tinha Kyrie Irving e pediu Kevin Love.

Tirando o fato que pedir companhia ou trocar de time não é um crime, ele alcançou as finais da NBA vencendo o time mais tradicional da liga, na casa deles, em um jogo 7, com Tristan Thompson e Jeff Green de principais colegas na noite.

LeBron já teve grandes feitos, nunca nenhum como este. Ele basicamente pegou o que fez em 2007 – um time com muitos jogadores medianos para baixo e levou até as finais – e multiplicou por dois.

O mundo da NBA idolatra Allen Iverson por ter feito isso uma vez. E idolatra de forma merecida. LeBron fez o mesmo em sua 15ª temporada e ela é apenas mais uma em uma carreira com quatro MVPs, três MVPs de finais e mais recordes que Ronaldinho Gaúcho na noite mineira.

Eu torci contra LeBron James. Provavelmente vou torcer de novo nas próximas semanas. É uma das piores sensações possíveis. Ele alcançou o status de inegável, ‘incornetável' e quase inigualável. Vi torcedores no TD Garden sorrindo nervoso depois que ele sofreu uma falta, mesmo assim fez uma cesta e saiu comemorando e quase babando de emoção. Eu também estava sorrindo nervoso, porque não tem nem o que falar ou como odiar mais.

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