NBA

Opinião: Bucks, Sixers e Raptors vivendo o momento, Clippers > Lakers (?)

Marc Gasol Grizzlies

A janela de trocas da NBA está fechada e chegou a hora da opinião. Como sempre, o final foi espetacular e tudo é muito divertido, menos para os jogadores, que entram em quadra jogando por um time enquanto são trocados para outro. Anthony Davis não foi trocado, fazendo a clara patifaria armada pelo empresário de LeBron James não dar certo. A vantagem que os Lakers tinham sobre os Celtics acabou e agora os dois vão brigar pelo homem de uma só sobrancelha na offseason.

Já que comecei nesse assunto então, vou começar pelo Oeste e depois vou para o Leste. Se você quer ler minha opinião sobre Kristaps Porzingis, já escrevi uma coluna sobre isso. É só clicar.

Clippers > Lakers?

Desde que Magic Johnson voltou aos Lakers, agora como manda-chuva da por#* toda, ficou claro, evidente e ululante que o time iria atrás de estrelas. Por um ano todo especulou-se LeBron James e mais um All-Star. No fim veio o camisa 23, mas nada de outro All-Star. Só Rajon Rondo oito anos depois do auge, Michael Beasley depois de oito anos fumando baseados e JaVale McGee oito anos depois de ser o personagem mais hilário da NBA.

Paul George nem se reuniu com Magic antes de surpreendentemente assinar com OKC. Kawhi Leonard forçou a barra, mas Popovich mandou ele para o time mais distante possível de Los Angeles. “Você quer sol, Costa Oeste, franquia de 70 anos e 16 títulos? Toma neve, Costa Leste, franquia de 20 anos e 0 finais”.

Agora, nesta janela, Davis claramente forçou a mão para terminar em Los Angeles. Os Pelicans não aceitaram o que os Lakers queriam, até porque sabem que os Celtics vão ter algo muito melhor a oferecer, seja escolhas de Draft ou até jovens atletas. Isso, claro, se quiserem incluir Jayson Tatum.

Então o cenário na Lakerlândia agora é o seguinte: o time tem espaço para mais um contrato máximo, seu elenco está jogando com uma placa de vende-se na testa, os jovens foram desmoralizados e também não souberam evoluir de forma constante. Kyle Kuzma é a exceção, mas difícil ver seu teto como sendo muito alto (ele seria titular em um time campeão?)

O time não terá escolhas incríveis de Draft, o treinador pode cair a qualquer momento e é jovem, Magic e Rob Pelinka trouxeram LeBron, mas ainda estão longe de terem montado um time campeão e Jeanie Buss não muda muita coisa. Difícil um dono mudar, realmente.

Além disso, os Lakers já carregam um peso. A franquia teve anos horrorosos seguidos e não ganha um título desde 2010. No jejum do final dos anos 80 até 1999/00 foram 12 temporadas, mas o time ainda chegou à final da NBA duas vezes e uma vez na final de conferência. E pisou nos playoffs de forma constante. O passado recente dos Lakers mostra cinco anos seguidos sem playoffs, talvez um sexto agora, muitas escolhas altas que não vingaram e o vídeo caseiro sem nudes mais destrutivo da história.

Ou seja, pressão, muita pressão. Um pum fedido vira notícia. E LeBron James não é dos mais fáceis de jogar e conviver. Kyrie Irving é prova disso, Kevin Love já declarou isso e Chris Bosh teve que abrir mão de muito também.

Enquanto isso temos os Clippers na mesma cidade…

Calma, calma, eu sei o que você está pensando

É claro que o glamour dos Lakers é muito maior que o dos Clippers. É a mesma coisa que comparar tomar um vinho francês de férias na Bahia com fazer shot de vinho químico no Vale do Anhangabaú.

Mas me escuta. Minha opinião será melhor que a dos programas do ‘Fox Sports’, prometo.

Os Clippers têm espaço para DOIS contratos máximos, depois das movimentações de ontem. Kawhi Leonard não precisa pensar em se adaptar a LeBron. Ele pode chegar no time dele e levar um colega de sua escolha. Só conseguir falar mais de duas palavras para tentar convencer esse colega, o que provavelmente será sua tarefa mais difícil na vida.

Os Clippers também estão em Los Angeles. Hollywood, celebridades, contratos maiores de publicidade e sol também brilham para os jogadores dali, especialmente os bons.

Os Lakers têm Luke Walton quase caindo e LaVar Ball empurrando. Os Clippers têm Doc Rivers. Não é meu treinador favorito. Mas desde que ele voltou a ser só treinador, ele faz um bom trabalho sem uma estrela. E os jogadores gostam dele.

Os Lakers têm uma direção que é um pouco fanfarrônica. Magic adora a imprensa e falar um pouco demais. Ele quer vencer agora e pode arriscar demais por isso. O exato oposto é Jerry West, que já montou 500 times do jeito certo. E agora nos Clippers ele está doutrinando. O que o time conseguiu por Tobias Harris, que sairia em quatro meses, foi espetacular.

E os Clippers não têm a pressão exagerada e o hype dos Lakers. O time nunca ganhou nada. Ganhar ali te transforma em eterno. Chegar nas finais de conferência é um feito que será destacado. Perder com LeBron, nos Lakers, nas finais do Oeste é decepção.

E o dono dos Clippers é uma das pessoas mais inteligentes, fascinantes e malucas que têm nesse meio. Uma reunião com ele é muito melhor que a reunião com uma herdeira que está brigada com os outros herdeiros. Isso não importa tanto, é só o famoso PLUS A MAIS.

E deixa eu falar uma coisa final que pode ser pesada, mas precisa ser dita. LeBron James é um tanque de guerra, nunca pode ser duvidado. Mas ele também vai entrar na 17ª temporada em 2018/19, sua carga em playoffs foi absurda por nove anos seguidos e já perdeu bastante desta temporada com uma lesão. Não acho que ele está acabado, mas talvez a reta final tenha começado já.

Então vamos lá: eu ainda acho que os Lakers conseguem sua segunda estrela e ainda confio no poder de Magic Johnson, o meu maior ídolo na NBA. Eu ainda acho que LeBron tem gasolina no tanque e poder de convencimento.

Mas na minha opinião a situação dos Clippers fica melhor a cada dia. E hoje ela é até melhor que a dos Lakers. O vinho químico também deixa bêbado.

Bucks, Raptors e 76ers estão espertos

O Leste sem LeBron James está aberto. Os Raptors lideraram a Conferência por um tempo, os Bucks agora têm a ponta e o Philadelphia 76ers tem talvez o quinteto mais talentoso da conferência. E os três saíram às compras sem medo de serem felizes.

Amei a troca por Nikola Mirotic, que vai trazer arremesso de três e pontuação seja para a rotação ou até sendo titular em alguns momentos. O que ele ajudou os Pelicans na temporada passada vai fazer o mesmo pelos Bucks, que finalmente está achando as peças certas para colocar em torno de Giannis Antetokounmpo. Os tempos de Jabari Parker realmente ficaram para trás.

Adorei de paixão a troca dos Raptors por Marc Gasol. Estamos falando de um dos jogadores mais inteligentes da NBA, ele vai saber atuar com Serge Ibaka.  O pivô ex-Grizzlies tem um arremesso de três para pelo menos enganar e os dois se conhecem da seleção espanhola. Junto com Paskal Siakam, esse frontcourt pode ser um terror.

Jonas Valanciunas teve sua chance, assim como DeMar DeRozan. Masai Ujiri sabe que a janela pode durar apenas este ano, já que Kawhi é um free agent e Sixers e Bucks têm tudo para crescer nos próximos meses e anos. A hora é agora.

E os Sixers tiveram que abrir mão de Landry Shamet, mas tudo bem. O preço por Tobias Harris foi caro, mas estamos falando de um ala que estava jogando como franchise player pelos Clippers e arremessando de forma extremamente eficiente. Agora ele vai ser a terceira peça ofensiva e ainda tem JJ Redick no time.

Enquanto isso Boston preferiu ficar quieto. Provavelmente quer guardar todas as peças para a offseason. Você sabe a razão para isso. E na minha opinião (estou usando essa palavra por causa do SEO) faz bem.

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