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O meu All Star Game 2019 sem escolhas óbvias e VIPs

luka doncic all star

Nesta semana você verá todo mundo votando para o All Star Game da NBA, mesmo quem acha que Kobe Bryant ainda está jogando. E isso fica bastante tedioso no momento que os quintetos são bastante parecidos, a menos que você seja Fabio Sormani e coloque Nenê como titular e capitão do Oeste.

(Calma, também gosto do maior brasileiro da história da NBA. O problema é que o Sormani tem uma paixão maior por Nenê que os seus companheiros de bancada no Fox Sports Rádio têm por camisetas polo três vezes menores que o tamanho certo)

Voltando ao assunto do post, como eu gosto de ser o diferentão e usar uma melancia como apetrecho, eu estabeleci alguns parâmetros. As escolhas óbvias que todos farão eu deixei de fora. São eles:

Os óbvios do All Star Game: 

Kyrie Irving, Victor Oladipo; Kawhi Leonard, Giannis Antetokoumpo e Joel Embiid

Stephen Curry, James Harden; Kevin Durant, LeBron James e Anthony Davis

Eu não estou dizendo que esses serão os escolhidos. Pelo público, Dwyane Wade, Derrick Rose (não escolhi ele, mas não é 100% injusto, só 96%), Luka Doncic (já falo dele) e Paul George estarão entre os titulares. Odeio quando o veterano que vai se aposentar é colocado no All Star Game a fórceps. Odeio isso mais que a cota China para Yao Ming que rolou solta nos 2000.

Sorte que não são só os fãs que escolhem os titulares, tendo “apenas” 50% do peso. O resto é dividido entre o voto dos jogadores e de membros selecionados da imprensa. Os titulares vão ser anunciados no dia 24 de janeiro – depois de serem divididos em times pelos capitães de cada equipe – e os reservas no dia 31 de janeiro.

Quebra de texto para minha introdução que já é longa demais

Muito bem, nos meus quintetos não teremos os óbvios. E também não teremos jogadores que já foram para o All Star Game mais de três vezes, porque nesse pool também posso tirar mais escolhas preguiçosas. Então Russell Westbrook, Paul George, Derrick Rose, Jimmy Butler e Blake Griffin estão fora. Para deixar claro, todos os 10 óbvios e mais esses seis para mim PRECISAM estar entre os 24 em Charlotte no dia 17 de fevereiro.

Falei o suficiente já? Então vamos para as escolhas. Vou explicar a minha falta de critério e patifaria mental em detalhes abaixo.

All Star – Conferência Leste:

Kemba Walker, Bradley Beal; Khris Middleton, John Collins e Nikola Vucevic

All Star – Conferência Oeste:

Damian Lillard, De’Aaron Fox; Luka Doncic, Karl-Anthony Towns e Nikola Jokic

Vamos para as explicações do meu All Star Game

Conferência Leste

Kemba Walker (25,0 pontos, 5,7 assistências e 4,2 rebotes)

Não lembro se era no Orkut ou já no Facebook que tinha um maluco torcedor dos Hornets em uma das comunidades/grupos que eu frequentava  e sempre falava que Kemba Walker era um jogador para o futuro. Sabe qual a diferença entre Kemba Walker e o Brasil? É que Kemba Walker já chegou nesse “futuro” há anos e ninguém percebeu. O Brasil nunca vai chegar no “futuro” e nem todos ainda perceberam.

Os Hornets são uma franquia deprimente, seja ficando na rabeira da liga, ou sendo mais medíocre que eu em uma segunda-feira. Mas Kemba é comprovadamente um jogador de 20 ou mais pontos por jogo, com seus 25 nesta temporada sendo a cereja em um bolo de lixo que são os Hornets mais uma vez (19-23, oitavo no Leste).

Ele sempre teve mais de 5 assistências de média depois de sua temporada de estreia. Até o torcedor dos Hornets, que eu não lembro onde habitava, quer que ele ache um bom lugar nesta offseason, já que ele é um free agent. Pelo menos ele pode ser homenageado por Charlotte antes, indo para o All Star Game.

Bradley Beal (24,8 pontos, 5 rebotes e 5 assistências)

Na briga eterna entre John Wall e Bradley Beal eu sou Team Beal. Só que neste caso eu torço para Beal ser o cara que tem que arrumar as malas e sair de onde está. Os Wizards, ex-Bullets, são um dos times mais fracassados da NBA e não há a mínima chance de uma solução rápida que não envolva trocar um dos dois.

Beal tem valor e é só olhar as médias nesta temporada. Sem Wall, lesionado, ele assumiu ainda mais a bronca . Ele aparece em jogos grandes – 43 pontos na dupla prorrogação contra os Raptors – e teve um triplo-duplo de 40 pontos, 11 rebotes e 15 assistências contra os Suns no meio de uma sequência de seis derrotas em nove jogos.

Aliás, quer uma estatística para mostrar que ele se importa e joga duro? Ele é o líder da NBA em milhas percorridas por jogo: 2,82 milhas (4,5 km por jogo), empatado com Jrue Holiday.

Quer uma opinião forte? O Los Angeles Lakers pode tranquilamente pensar nele como o número 2 para LeBron James e mandar Brandon Ingram e mais alguns jogadores para a capital americana. Bom negócio para os dois times e todos os jogadores envolvidos.

khris middleton bucks

Khris Middleton (17,8 pontos e 5,8 rebotes)

Claro que Giannis chama a atenção com seus braços que podem dar um pescotapa em alguém cinco metros distante. E sua passada que o faria cruzar a estação da Sé às 18h de uma sexta em quatro passos e meio. Só que os Bucks estão 31-12 e à frente de Celtics e Sixers muito por causa de Middleton também.

Tudo bem, ele teve um mês de dezembro ruim e até foi para o banco em um fim de partida por falta de intensidade defensiva. Mas ele segue com 38,3% nos tiros de 3 e voltou a atuar bem na virada do mês, com três jogos acima de 20 pontos. Se você procura um jogador de frontcourt no Leste que subiu de nível e foge dos óbvios citados acima, este é Khris Middleton. E ele deve ser free agent nesta offseason…

John Collins (19,1 pontos e 10,4 rebotes)

Agora vou começar a polemizar. Gosto bastante de Domantas Sabonis, mas ele é reserva. Gosto de Andre Drummond e ele só tem 2 All-Stars, mas vou de John Collins porque quero parecer que manjo (tá, essa é só uma das razões). Se você acha que os Hawks são um pouco melhores do que o lixo flamejante que era previsto, é mais por Collins que por Trae Young.

Desde que ele voltou de lesão seus números são excelentes, sendo uma máquina de duplos-duplos e enfiando 26 na excelente defesa do Thunder nesta terça-feira e 21 com 14 rebotes nos Raptors na semana passada. Defensivamente ele já teve toco como game winner para impedir uma cesta de outro All Star meu, Kemba Walker. Ele não é incrível na defesa, mas é rápido e grande, o que importa bastante nesta NBA que todo mundo troca de marcação a todo momento.

Ele credenciou essa rapidez de momentos e conseguir ver o jogo de outra forma a sua experiência como goleiro de futebol na sua infância/adolescência.

Você está apaixonado? Eu estou. Escolhido na 19ª posição do Draft de 2017, ele já é um steal para os Hawks, que só precisam de mais uns cinco jogadores agora para serem relevantes. Falta pouco!!!

Nikola Vucevic (20,1 pontos e 11,9 rebotes)

Eu já falo de Vucevic há anos, então calma ai que eu vou no banheiro me parabenizar.

Voltei. Estou cheio de confete no cabelo.

O que eu sempre preciso destacar desse pivô suíço-montenegrino é que ele era dos Sixers quando os Sixers decidiram fazer algo que os Sixers faziam: uma troca completamente idiota. Andrew Bynum e Dwight Howard foram os protagonistas dela. Se eu te disser que Andrew Bynum morreu sete meses atrás atropelado por um caminhão, você vai ficar em dúvida se isso aconteceu mesmo. Esse é o nível da troca que os Sixers fizeram.

Vucevic é uma das principais peças que os times podem adquirir ainda nesta temporada, já que seu contrato está acabando. O Magic pode querer algo pela sua saída, porque sabem que ele precisa ser muito burro para continuar em uma das franquias mais sem rumo da NBA. E com 20,1 pontos e 11,9 rebotes, ele está implorando para que alguém ligue para adquiri-lo.

A estatística mais chocante é esta: sem Vucevic em quadra, o Magic é derrotado por 11 pontos a cada 100 posses. Com ele, vence por 1,4. Ele tem 38% de três mesmo sendo um big man e ainda tem visão de jogo, com 3,8 assistências por partida. Não te convenci ainda? Ah, vai pro diabo! Vai para o All Star Game sim. Pelo menos o da minha cabeça.

Conferência Oeste:

Damian Lillard (25,8 pontos, 6,1 assistências e 4,5 rebotes)

Eu poderia dar um jeito de cortar Damian Lillard, já que ele está longe de ser uma escolha revolucionária. Mas eu vou colocar ele porque este post é feito para homenagear um cara como esse, que é simplesmente incrível mas é vítima da safra de armadores-estrela e as forças dominantes da NBA – leia-se Golden State Warriors.

Na prévia dos Blazers eu disse que o time tinha que se livrar dele ou McCollum porque estava preso a um núcleo que não conseguiria vencer o título enquanto os Warriors existissem e não era nem médio e nem ruim o suficiente para ter uma escolha decente no Draft.

Mas a verdade é que os Blazers têm que continuar porque eles seguram a alma da NBA: drafte suas estrelas – Lillard e McCollum – traga um complemento em uma boa negociação – Jusuf Nurkic – e jogue duro sem tankar, mesmo que você não vá a lugar algum. Os Mavericks fizeram isso por anos e Deus premiou eles com o título de 2010/11.

Os Blazers estão em quinto, com o mesmo número de vitórias do 3º (OKC) e Lillard segue com números incríveis. Um mês atrás eles estavam em nono e mais uma vez estávamos tentando responder a pergunta se o armador poderia ser trocado sem Portland queimar nas mãos dos hipsters.  Quer saber uma coisa? Se você me pergunta “Miguel, começa uma franquia. Você quer Lillard ou Westbrook?”, eu penso por pelo menos 15 minutos.

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De’Aaron Fox (17,9 pontos, 7.2 assistências)

Curry, Westbrook, Harden não podem ser escolhidos, Klay Thompson não está tão bem e já foi mais de 3x All Star, assim como D. Rose. Devin Booker até poderia entrar, assim como Collins entrou mesmo estando em um time péssimo. Mas há opções que venceram mais. Chris Paul perdeu muitos jogos.

E o Oeste é tão incrível que mesmo assim sobraram duas alternativas. O veterano injustiçado Mike Conley e o segundo anista sensação De’Aaron Fox. Os dois se enfrentaram pouco antes do Natal em um duelo que pareceu desenhado para eu fazer uma escolha.

Conley estava acertando tudo até o último quarto, quando Fox ligou o turbo na defesa, deu um toco em Jaren Jackson Jr. e fez Conley sair com 0 de 4 nos arremessos no período. O jogador dos Kings ainda teve 5 roubos na partida e terminou com 14 pontos e 8 assistências na vitória de virada de seu time.

Desculpa fãs de Conley, vou de Fox nesta para premiar sua evolução gigante em relação à temporada de calouro. Ele manteve sua rapidez inacreditável, melhorou seu arremesso (30,7% para 37,6% de 3), que ainda pode ser melhor e já teve jogos incríveis, como o triplo-duplo de 31 pontos, 10 rebotes e 15 assistências contra os Hawks e 25-6-9 contra os Warriors. Os Kings já não estão tão bem na tabela, mas com ele, Buddy Hield e Marvin Bagley dá para sonhar com algum futuro.

Luka Doncic (20,2 pontos, 5 assistências e 6,7 rebotes)

Os Kings poderiam sonhar melhor se não tivessem sido imbecis, mas eles preferiram passar Doncic. Claro que ele se beneficia nesta lista pelos jogadores que não posso escolher, mas eu acho que é fundamental que ele seja um All Star. Os Mavericks não estão bem, é verdade. Mas sem ele essa equipe provavelmente estaria ao lado dos Suns.

Vou te dar uma estatística que vai te fazer cuspir o café: Doncic LIDERA A NBA em arremessos para empatar ou virar o placar nos cinco minutos finais de jogos. Não é “lidera entre calouros”. Lidera a NBA.

Vou te dar uma estatística que vai te fazer pedir para ir no banheiro no trabalho/universidade porque você sujou sua cueca. Se a temporada acabasse hoje, Doncic teria a sétima melhor marca da história em porcentagem efetiva de arremessos em situações clutch – placar com diferença máxima de cinco pontos nos cinco minutos finais de jogo – com 60,9%. Os seis à frente?

Kevin Durant (2017/18) – 66,7%
LeBron James (2016/17) – 64,4%
Carmelo Anthony (2008/09) – 64,1%
Steve Nash (2007/08) – 61,9%
LeBron James (2017/18) – 61,2%
LeBron James (2008/09) – 61,1%

Essa porcentagem efetiva de arremessos é um número que pesa a importância e diferença das bolas de 3 e dá um peso diferente quando elas são convertidas. Agora pode ir para o banheiro.

Karl-Anthony Towns (22,4 pontos e 12,6 rebotes)

Towns não é uma escolha hiper-surpreendente também, mas ele se encaixa nos critérios e está tendo uma boa temporada, especialmente depois de ter se livrado de um tumor de quase 100 kg das costas de nome Jimmy.

Sim, tem coisas decepcionantes no jogador dos Timberwolves, que ainda é um marcador abaixo da média e o jogo desta terça contra os 76ers é prova e não conseguiu levar sua equipe ao próximo nível. Mas só exigimos isso porque sabemos que ele é um All Star com médias de jogador top na liga.

E ele tem noites que são inacreditáveis: 27 pontos e 27 rebotes e 28-17-6 assistências e 5 tocos contra os Pelicans, 20-20 e 35-23 contra os Bulls (sim, ele tem suas equipes favoritas). Ele não fala muito? Ele não é líder? Isso não importa, peguem no pé de Andrew Wiggins e não do MEU TOWNS.

Nikola Jokic (19,7 pontos, 10,2 rebotes e 7,5 assistências)

Jokic é meu jogador favorito na NBA hoje. Eu realmente vou causar polêmica entre os old schools aqui, mas o sérvio é a resposta para “e se Arvydas Sabonis tivesse chegado na NBA quando ainda conseguia correr?”.

Os Nuggets estavam em primeiro no Oeste até ontem – derrota para os Warriors fez os atuais campeões passarem – por causa dele e jogos como 39-12-6 contra os Hornets, 19-14 e 15 ASSISTÊNCIAS (ELE É PIVÔ) contra os Knicks e 40-10-8 em uma vitória de três pontos contra os Blazers.

Eu não acho que ele deve ser colocado em conversas de MVP como este colunista da Forbes sugere. Mas os números que ele cita, que aliás são bastante usados por toda essa tal de internet, são embasbacantes.

Nenhum jogador na história da NBA teve médias de pelo menos 19 pontos – com média superior a 50% – , 10 rebotes, sete assistências e um roubo de bola por jogo. Jokic por enquanto tem 19,7 pontos, 10,2 rebotes, 7,5 assistências e 1,4 roubos e 50,6% de aproveitamento.

E por fim, ele tem mais pontos totais na temporada que Russell Westbrook e Jimmy Butler, mais rebotes que Steven Adams e Marc Gasol, mais assistências que Damian Lillard e Kyrie Irving e mais roubos que Giannis Antetokounmpo e Victor Oladipo.

Ele tem 23 anos. Eu tenho 26 e acabei de escrever um texto de 2300 palavras que ninguém vai chegar até aqui. Vou encerrar o texto antes que eu me mate.

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