NBA

Ninguém entende Kawhi Leonard e eu não entendo Kevin Durant

 

kevin durant brooklyn nets

A free agency de 2019 é uma das melhores da história, se não a melhor. E estrelando ela temos dois jogadores já garantidos no Hall da Fama em Kawhi Leonard e Kevin Durant. Ambos têm braços disformes, mãos bizarramente enormes, dois MVPs de finais, dois títulos da NBA na conta, são jogadores excelentes ofensivamente – mais Durant – e sensacionais defensivamente – mais Kawhi.  Mais uma coisa em comum: ambos têm personalidades esquisitas.

Ninguém sabe o que se passa na cabeça de Kawhi. A sua saída do San Antonio Spurs durou um ano e foi a coisa mais traumática que aconteceu naqueles lados do Texas sem Ray Allen estar envolvido. A temporada inteira que ele esteve em Toronto serviu para trazer um título, mas não para responder a pergunta “você quer estar aqui em 2020?”. E agora, 13h39 do Brasil do dia 1º de julho e 17h39 onde estou, não tenho a mínima ideia para onde ele vai.

Já Kevin Durant fechou com o Brooklyn Nets.

Vou desenrolar o que penso agora.

Me ajuda a entender Kevin Durant

Eu não falei à toa no Instagram do Quinto Quarto quando saiu a notícia que KD acompanharia Kyrie em NY. Fiquei totalmente sem palavras.

Quando Durant foi para os Warriors, a intenção era clara. Sair de Oklahoma City, um time que draftou três MVPs, mas não se preocupou em pensar em um estilo de jogo minimamente moderno. Seja colocando Kendrick Perkins em quadra por anos ou criando um ataque “Durant arremessa agora e o resto olha, depois Westbrook e o resto olha, depois Durant…”, é claro que isso ia encher a paciência.

Em Oakland, a companhia era excelente, o sistema de jogo de Steve Kerr é divertido para qualquer um que estiver envolvido e não era um problema estar no meio do Vale do Silício.

Só que os jogadores da NBA atualmente estão envolvidos com mais coisas. Eles pensam em narrativas, em força de marca. LeBron James podia se aposentar em Cleveland como Deus supremo, mas resolveu iniciar um novo capítulo na terra do entretenimento. Agora, ele está filmando Space Jam 2, por exemplo. Se ele levar os Lakers a um título, vai ser o protagonista na volta da franquia mais importante da NBA em quesito estrelas e peso depois de anos horrorosos, inclusive com Kobe Bryant de uniforme.

Quando se falava em Kevin Durant nos Knicks a ideia era similar. Durant seria o salvador de uma franquia gigantesca que está no marasmo há duas décadas e não vence há 40 anos. Estar em Nova York traria enorme visibilidade e ele seria a maior estrela da área, já que os Giants estão péssimos, os Jets são os Jets e os Yankees têm bons jogadores, mas nenhum do calibre de Kevin Durant.

É claro que ele ainda tem a coroa de rei esportivo de NY escolhendo o Brooklyn Nets. Mas, apesar da história dos Nets ser longa e também não ter um título há milênios – eles venceram a ABA em 1974 e 1976 com um tal de Julius Erving – ninguém está perdendo o sono com isso em Nova York. Já os Knicks são a razão para psicólogos em Nova York andarem de Porsche.

Escolher os Knicks faria Kevin Durant ser visto com bons olhos depois de anos sendo o cara da panela, cupcake, fraco. Não que eu concorde com isso, mas é óbvio que essa foi sua imagem e ele até confrontou isso de forma imbecil nas redes sociais. Lá ele ajudaria no desenvolvimento de R.J. Barrett e Kevin Knox e provavelmente jogaria em 2020 com mais uma pick alta, já que o 35 não seria acionado e os Knicks têm um time muito jovem.

Ir para os Nets não muda muita coisa nessa questão de imagem e ele já arranjou a companhia de Kyrie Irving. Sem ele, nesta temporada, Brooklyn deve vencer mais de 45 jogos.

Eu realmente não entendi. Tudo bem que Deus odeia os Knicks, seu dono é o pior da NBA (junto com o dos Suns), eles não quiseram oferecer o máximo mesmo tendo zilhões de espaço na folha…

Ok, dá para começar a entender. Mas não completamente.

Eu não quero que Kawhi vá para Los Angeles (Lakers)

Panelinhas existem na NBA há muito tempo. Depois de bater na trave em Phoenix, Charles Barkley foi para Houston jogar com Hakeem Olajuwon e Clyde Drexler. Sim, ele não tinha mais tanta gasolina no tanque, mas o princípio é exatamente o mesmo: ninguém quer jogar em uma equipe horrorosa se pode escolher entre ela e um candidato ao título. A menos que a diferença de dinheiro seja enorme.

Mas é claro que eu acho que tem limites. Não gostei tanto do que LeBron, Dwyane Wade e Chris Bosh fizeram no Miami Heat. Já o que LeBron fez na sua volta a Cleveland e os Warriors fizeram trazendo Durant não me machucou tanto. Sim, eu chamei a negociação de Durant com os Warriors a mais anti-NBA da história, mas essa geração de jogadores está realmente cagando para a ideia de ter o seu time.

Se Kawhi for para os Lakers, isso vai ser um soco na minha cara.

Primeiro porque ele, LeBron e Anthony Davis basicamente chegariam no teto salarial, o que é um soco na ideia de ter esse mecanismo. Segundo porque é apelativo demais juntar o atual MVP das finais com o MVP das finais de três anos atrás e um jogador que é Top 5 da liga quando saudável.

LeBron quando chegou a Miami era o MVP, mas também era o cara acusado de pipocagem e sem anéis. Wade era excelente, mas Kawhi já tem mais feitos em seus 28 anos recém-convertidos. E Chris Bosh era ótimo, mas Davis faz tudo o que Bosh fazia e melhor.

Mas e se Kawhi for para os Clippers?

Se a outra hipótese é um soco na barriga, esta é um abraço de mãe. Temos mais um time sensacional para ver no Oeste, com Kawhi Leonard sendo o líder de uma equipe extremamente lutadora, absurda defensivamente e interessante ofensivamente, com boas peças jovens (Gilgeous-Alexander e Landry Shamet), o melhor sexto homem da NBA em Lou Williams e o cão de caça Patrick Beverley.

Um bom treinador em Doc Rivers, um excelente front office pronto para trazer peças que importam e a chance dos Clippers finalmente chegarem a uma final de conferência ou da NBA, coisas que nunca conseguiram em quase 50 anos de história.

E mais uma: quatro duelos de temporada regular entre Kawhi e LeBron pelo trono da Conferência, da divisão, da cidade e até do ginásio.

Não há discussão sobre o que é melhor para a NBA, para quem gosta de basquete e para quem não é torcedor dos Lakers. Agora, se você veste Purple and Gold, eu ficaria dando F5 na ‘ESPN’ americana.

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