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Opinião: se com a NBA já está sendo difícil, pense na NFL em tempos de COVID-19

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A NBA vai voltar. Apesar de Kyrie Irving ter apresentado publicamente argumentos contra a volta da NBA e alguns jogadores optando por não jogar em Orlando, por motivos diversos, os grandes nomes da NBA estão na linha de frente pela resolução da temporada 2019/20. A solução de criar uma bolha e reunir todos no mesmo lugar exige infraestrutura e muito cuidado, criando um enorme desafio.

Agora pense na temporada da NFL.

É muito provável que não teremos uma vacina até setembro. Aliás, setembro está logo aí. Faltam apenas dois meses e meio para a abertura da temporada regular da National Football League. Não há nenhum plano como o da ‘NBA de Orlando’, portanto a ideia é similar à das ligas europeias de futebol: viagens para jogar em estádios vazios, testagem e muita, muita atenção.

A Bundesliga, a Premier League e La Liga até agora são um “sucesso” para o argumento que dá para continuar essas competições, com algum controle. Mas todas elas têm poucos jogos restantes. E apesar de seus países terem sido duramente impactados pelo COVID-19, os números estavam em queda nos retornos dos jogos. Quando a liga alemã voltou, tinha menos de 500 casos por dia no país. Os números voltaram a subir por causa da reabertura da economia, mas longe dos picos que teve (6.294 em março). O mesmo se aplica à Espanha. O Reino Unido tem idas e vindas um pouco preocupantes.

Os Estados Unidos ainda têm sérios problemas. No dia 20 de junho, foram registrados mais de 30 mil novos casos, muito próximo do pico de 35 mil casos detectados em abril. O número de mortos é disparado o maior do mundo, superando 100 mil.

A NBA com certeza não está vendo com bons olhos que a Flórida é um dos estados que está levantando esses números, com mais de 4 mil novos casos no sábado e quase 3,5 mil no domingo. Se LeBron James, Giannis Antetokounmpo e Kawhi Leonard vão ficar isolados, quem irá cozinhar, limpar os pratos e os uniformes não estão imunes e protegidos. Se teremos NBA em Orlando, todos os profissionais envolvidos precisam ser isolados. Olha o trampo!

Óbvio que não dá para criar uma situação ideal onde ninguém se contagia e todo mundo é feliz. Porém, criar toda a estrutura e ter a notícia que Dwight Howard tem COVID-19 e três jogadores dos Lakers não estão se sentindo bem é um cenário péssimo em todos os sentidos possíveis para a NBA. Desmoraliza a liga, as equipes e o vencedor de um torneio que todos irão considerar que tem um asterisco.

A NFL ainda tem 80 dias para se preocupar com isso e, até lá, os números podem cair. Mas há uma série de argumentos que complicam o cenário. Segundo Anthony Fauci, epidemiologista da força-tarefa criada pelo presidente dos Estados Unidos e referência no assunto, esse crescimento do número de casos dos últimos dias não faz parte de uma segunda onda e, sim, é uma continuação da primeira.

Ou seja, nós que estamos ouvindo e temendo a segunda onda há algumas semanas, ainda temos que “esperar” por ela.

Segundo, os times da NFL vão estar muito mais expostos. Eles viajam em aviões particulares, mas vão ficar em hotéis, ir até estádios, voltar para casa, ir até os centros de treinamento. E como estamos vendo nesta pandemia, são poucos os seres humanos que conseguem ser 100% fieis ao isolamento social por 100% do tempo. Ainda mais quando você têm amigos, mansões, piscinas e churrasqueiras. Diversos jogadores de Texans e Cowboys, aliás, foram infectados.

Outro fator que complica MUITO para a NFL: os times da NBA têm 15 jogadores e comissões técnicas grandes, mas não tanto. Os times da NFL têm 53 jogadores inscritos, mais uma dezena delas fazendo parte do dia a dia e comissões técnicas maiores que baterias de escola de samba. É muita gente exposta.

Quer mais um fator? A NFL vai ter que fazer uma temporada inteira, não só os playoffs, nestes tempos malditos. É provável que a temporada comece e termine antes de termos a “solução” para voltarmos a ser normais e poder beber uma cerveja na calçada só se preocupando com não pedir uma porção de 25 reais.

Eu posso ficar aqui falando de mil fatores que fazem o futebol americano ser um esporte que não pode usar o que estamos aprendendo com o futebol e o que podemos aprender com o basquete. Então só vou falar mais um para não ficar chato: sabe a recomendação para os jogadores de futebol não comemorarem próximos os gols? Não dá para fazer algo similar com tackles ou os embates entre linha ofensiva e linha defensiva.

Portanto, ainda vamos ouvir muito da NFL sobre protocolos, cuidados e possíveis adiamentos, porque o negócio nos Estados Unidos ainda está muito sério. Os números não devem continuar tão altos até setembro, mas a possibilidade de contágio de basicamente 100 profissionais que irão viajar toda semana para jogar um esporte de altíssimo contato é preocupante por si só.

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