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Milwuakee Bucks e Portland Trail Blazers precisam se benzer

malcolm brogdon milwaukee bucks

Crédito: Instagram/reprodução

Nunca, jamais, subestime o poder destrutivo de uma lesão. Não digo destruição no sentido do que rolou na perna de Jusuf Nurkic, mas sim dos efeitos que ela têm sobre o jogo de uma equipe. Todo mundo viu isso nas finais de Conferência Oeste na temporada passada. Foi Chris Paul sair para os Rockets afundarem em um mar de desespero, com cada bola de três errada das 27 seguidas sendo uma braçada no Oceano Atlântico congelante.

Eu já disse aqui várias vezes, mas digo de novo: hoje se você sabe arremessar de três e é bom defendendo, prepare-se para um belo contrato, vaga de estacionamento coberta e vale-refeição de 25 reais. E saber defender na NBA atual não é ser o Draymond Green, mas sim ter o mínimo de noção de posicionamento e ter braços longos para fechar avenidas para a cesta e tentar impedir arremessos de três.

Sabe quem está aprendendo isso? Nosso querido Bruno Caboclo.

Os Bucks perderam um desses caras em Malcolm Brogdon. Esse cara não parece fundamental, ainda mais em um time com Giannis Antetokounmpo. Mas com 42,6% nas bolas de três e boa defesa, ele é vital para TODAS as pretensões dos Bucks, especialmente as que envolvem Giannis com a bola e quatro arremessadores abertos esperando seu passe ou comemorando sua última enterrada.

Brogdon está fora com uma lesão no calcanhar/pé e pode perder boa parte da primeira série do time. Tudo bem, os Bucks vão ficar em primeiro, provavelmente, e pegar uma equipe bem mais fraca. Mas lesões fazem jogadores não voltarem no ritmo e possivelmente não estarem 100% fisicamente.

A mesma coisa se aplica a Nikola Mirotic, que até deve voltar a tempo para os playoffs, mas pode enfrentar essa falta de ritmo na primeira série. E aqui falamos de um jogador que precisa desse ritmo, já que ele é o big que arremessa de longe. Se ele não meter de três, não há muito com o que contar.

Donte DiVincenzo não é essa ameaça de três. Aliás, com 26,5% de aproveitamento, ele realmente não contribui nessa área. Mas o calouro comia 15 minutos por jogo do relógio e agora só vai comer a pasta da mamãe, porque ele está fora da temporada, também com uma lesão no pé.

Isso que é duro de times que se superam e conseguem campanhas sensacionais na temporada regular: o desgaste é enorme e muitas vezes o melhor basquete fica em dezembro, janeiro, novembro…. e não aparece em abril, maio. Torço para os Bucks não serem assim, mas essas lesões no fim da temporada são uma desgraça para a franquia.

Blazers precisam mais do que se benzer

Eu se fosse um time do Oeste adoraria perder alguns joguinhos para pegar o Portland Trail Blazers na primeira fase. Não me entenda mal, vou passar o próximo parágrafo inteiro para explicar que não sou um anti-Blazers.

Sempre gostei da franquia. E amo seu franchise player. No meio de toda a vergonha que foi a saga Anthony Davis, Damian Lillard foi a público dizer que não queria formar um super-time e sair do Oregon para um mercado enorme com maior holofote. E ele teria argumentos para fazer isso, já que Portland é a cidade dos hipsters, não dos rappers. Além disso, entre as 400 razões para Kurt Cobain ter se matado, pelo menos uma tem a ver com a chuva que cai 300 dias por ano no Noroeste dos Estados Unidos.

Só que além da já citada lesão de Nurkic, o terceiro jogador mais importante do elenco, C.J. McCollum, o segundo jogador mais importante, tem uma contusão no joelho que o fará perder os próximos jogos. Ele é a última pessoa que estaria dando migué: ele jogou 80, 80 e 81 jogos nas três temporadas anteriores a esta.

Tudo bem, ele deve voltar já para a primeira série dos playoffs. Mas ele voltará 100%?  Duvido.

A rotação dos Blazers ficou um pouco mais forte desde a cacetada que o time tomou dos Pelicans nos playoffs da temporada passada. Mas não é Rodney Hood que vai salvar a lavoura e Seth Curry, que era uma boa peça vindo do banco, não serve para ser titular em um palco tão grande assim. Enes Kanter é outra boa peça que chegou, mas já vimos séries em que sua falta de competência na defesa o varreu da quadra.

A situação é feia. Bastante feia. Damian Lillard vai precisar ser ainda mais milagroso nos playoffs. E os Blazers, nestes jogos finais, não podem cair na tabela e ter um duelo assassino contra os Warriors logo de cara. Deixa isso para quando McCollum estiver pelo menos mais inteiro, em uma possível segunda rodada.

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