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Quem são os mais beneficiados e prejudicados na NBA de Orlando?

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Quando começamos a temporada 2019/20 da NBA com todo o problema da China e Daryl Morey mal sabíamos que aquilo seria fichinha perto do que estaria por vir. Pois bem, aqui estamos, há quatro meses sem NBA e todos os playoffs serão feitos em Orlando. Não porque o Magic é incrível, mas porque todo mundo estará em uma bolha na Disney jogando sem torcida e isolados do mundo.

Por isso, falar em beneficiados e prejudicados é meio estranho. Todos foram prejudicados.

Então, boa noite…

Não, é brincadeirinha! O que queremos falar com beneficiados e prejudicados é que todo esse cenário será mais problemático para alguns do que seria se tudo rolasse normal. E o mesmo serve para outro lado: talvez existam alguns benefícios interessantes para equipes marotas.

Confira nosso videopodcast com a volta da NBA, MVP da temporada, possíveis surpresas e favoritos na bolha de Orlando.

Já antecipamos que nada do que vamos falar serve como desculpa para desmerecer uma futura conquista. Mas são coisas que são interessantes notar.

Vamos começar pelos prejudicados, porque sempre gostamos de uma desgraça.

Os prejudicados nessa volta da NBA

Todos esses times vão ficar com um gostinho acima da média de “preferia que tudo continuasse normal”.

Philadelphia 76ers

Pelo visto Joel Embiid está em forma, então não é isso. O difícil para os 76ers sobre jogar em Orlando, sem torcida, na Disney, é que não será em Filadélfia, com a torcida (que é corneta, mas apaixonada) e no Wells Fargo Center. O time estava 29-2 em seus domínios em casa, a melhor campanha como mandante na NBA. Fora de casa? 10-24, a pior entre os 22 times que estarão em Orlando.

Essa situação não será como a de um visitante para os 76ers, já que não terá torcida rival, mas se aproxima muito mais de ser “fora de casa” do que em casa, com toda a pressão de Philly nos rivais e o conforto de seus aposentos. Em uma série de sete jogos, os 76ers seriam osso duro de roer por esse fator casa, além de Joel Embiid motivado – top 7 da NBA nesse estado – e um time que, defensivamente, seria um terror (se focado).

Brooklyn Nets

O Brooklyn Nets poderia ser um enorme beneficiado com o adiamento dos jogos e a nova situação imposta se Kevin Durant conseguisse voltar a tempo. Essa hipótese foi descartada rapidamente. Ainda por cima o time não terá Spencer Dinwiddie – contraiu o COVID-19 -, assim como DeAndre Jordan e Taurean Prince. Wilson Chandler preferiu ficar com a família. Kyrie Irving não jogará também, já que ainda se recupera de cirurgia no ombro.

Ou seja, o time que já tinha poucas chances pela maneira como jogou na temporada, mas podia sonhar com Durant. De repente, acordou sem metade do elenco basicamente. Melhor esquecê-los.

Indiana Pacers e Washington Wizards

Esse recomeço da temporada não é um reboot. Mas possibilitaria reviravoltas com maior facilidade do que se tudo rolasse normalmente. Por exemplo, um time que ficou em sétimo não terá que encarar a chatice de jogar contra o segundo da conferência em dois jogos fora logo de cara e ainda ter a desvantagem do mando em um possível jogo 7. Uma zebra parece mais fácil de rolar pelo menos por causa do fator psicológico.

Mas os Wizards nem vão poder sonhar porque Bradley Beal está fora. Já o Indiana Pacers até teria mais chances, ainda mais porque fez uma boa temporada regular. Mas sem Victor Oladipo, tudo fica mais difícil. O ala-armador voltou abaixo e admitiu isso depois de perder basicamente um ano de jogos. Porém, se ele assumisse o papel de sexto homem, e os Pacers voltassem à melhor fase da temporada, com Sabonis comendo a bola e Brogdon competente, seria bem chato encarar esse time. Uma pena.

Los Angeles Lakers

Pode parecer estranho colocar os Lakers aqui. Mas há algumas razões. A primeira é a temporada ter parado onde parou. A equipe estava em sua melhor fase, tendo vencido o Los Angeles Clippers e o Milwaukee Bucks em um fim de semana iluminado. LeBron James estava voando e não é mais uma criança. Fisicamente ele estará 100%, mas o embalo e a química alcançada podem não estar lá nessa volta ou demorar um pouco. Veremos. Avery Bradley será uma ausência sentida, especialmente na defesa. J.R. Smith é outro “veremos”, mas este tamanho XXL.

Mas a principal razão para mim é a perda de um dos pontos que poderiam impactar muito nos playoffs. Uma possível final de conferência contra os Clippers, em Los Angeles, seria totalmente pró-Lakers. A cidade é purple and gold e o Staples Center provavelmente teria metade de torcedores dos Lakers nos jogos com mando dos Clippers. Nos jogos com mando dos Lakers, depois de seis anos sem playoffs – maior sequência negativa da história – e dez anos sem final de conferência, o Staples Center seria uma panela de pressão.

Agora, todo esse peso some. Além, é claro, da vantagem do jogo 7 “em casa”.

Os favorecidos nessa volta da NBA

Não dá para falar que esses times gostaram que o vírus tenha dado sua cara, obviamente. Mas essa volta, do jeito que está sendo, dá uma forcinha para seus sonhos.

Los Angeles Clippers

Para quem focou no descanso dos seus atletas, quatro meses parado é o máximo de descanso possível. Piadas à parte, Kawhi Leonard e Paul George também terão que trabalhar sua química e voltar ao ritmo pré-parada, mas ao mesmo tempo descobrir como colocar a quarta marcha, sair do banho-maria, deixar de 1 a 0 e partir para o segundo gol. Enfim, parar de ser blasé como eles foram durante a temporada regular em diversos momentos. Um tiro rápido, hiper-focado como esse de Orlando pode ajudar. Não tem Los Angeles para distrair. Além disso, o fator torcida, que pesaria contra os Clippers durante todos os playoffs, sumiu. O mando de quadra será igual (e chato) para todos.

Toronto Raptors

Os Raptors jogaram a temporada mais longa possível em 2018/19, chegando até as finais e conquistando o título. Na temporada seguinte, também conhecida como esta, a equipe manteve o ritmo intenso e as vitórias, apesar de ter perdido seu MVP, Kawhi Leonard. Só que as lesões pipocaram – Marc Gasol atuou em 36 partidas, Serhe Ibaka em 50, Fred VanVleet em 48 e Pascal Siakam em 53. O time fez 64 jogos na temporada antes da pausa.

Todo mundo está saudável agora. Novamente, nunca vai dar para falar que o COVID-19 ajudou alguém, mas os Raptors estão completos e tiveram um descanso maior do que necessário. Olho neles.

E o resto?

Milwaukee Bucks, Boston Celtics, Denver Nuggets e muitos outros times não me parecem ter grande impacto para serem colocados em categorias como os times acima. Talvez o Utah Jazz tenha se ferrado de verde e amarelo por Rudy Gobert ter sido negacionista, Donovan Mitchell ter pego o vírus e ficado P da vida com o francês. Talvez o Houston Rockets se beneficie deste momento de concentração máxima e com sua escalação maluca, sensacional e empolgante consiga pegar todo mundo de calça arriada e ganhe o título.

Em suma: volta logo, NBA.

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