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LeBron, Carmelo, free agency e a liga dos amigos

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crédito: instagram/Reprodução

Chamar os parceiros para formar um time não é novidade na NBA. Assim como também não é novidade formar big threes e coisas do tipo para entrar na via rápida e ganhar um campeonato sem precisar construir pelo draft e ficar anos e anos batendo na trave. Só para citar alguns exemplos:

– Shaquille O'Neal chama o “parça” Karl Malone para reforçar o Los Angeles Lakers. Malone tinha 400 anos (ok, só 10% disso). Se não fosse o Detroit Pistons fazendo 4 a 1, o título viria em 2004.

– Charles Barkley desiste de carregar o Suns e vai para Houston jogar com Clyde Drexler e Hakeem Olajuwon em 1996. Utah Jazz do já citado Malone e John Stockton impede o ala-pivô de ganhar o seu anel.

– Boston Celtics finalmente resolve dar uma companhia para Paul Pierce e traz Kevin Garnett e Ray Allen. Já no primeiro ano (2007-08) vêm o título.

E claro, o Miami Heat de LeBron James, Chris Bosh e Dwyane Wade. Assim como ganhou vários torcedores, a franquia da Flórida ganhou vários detratores, já que os três amigos descaradamente combinaram seus movimentos para unir forças e conquistar as vitórias que não conseguiam. Para ser justo com D-Wade, ele já tinha um título, mas o Heat teve temporadas pífias após a conquista em 2006. A diferença para os big threes anteriores é que tanto Bosh como James deixaram as franquias que os draftaram para receber menos e ter as vitórias que não conseguiam sozinhos, no auge de suas carreiras.

Uma das razões para o sucesso da NBA, desde sua popularização com Magic Johnson e Larry Bird foi justamente que cada equipe teria sua pedra fundamental, o seu craque, que ganhando ou não, levaria sua equipe até onde desse. O próprio Magic declarou diversas vezes que nunca faria o que LeBron fez, já que a graça era poder vencer seus amigos, e não se juntar a eles para vencer. Poderia dar certo, como deu para Magic e seus cinco anéis, ou não dar. Reggie Miller e seus 40 quilos ficaram de 1987 até 2005 no Indiana Pacers. Ainda temos exemplos assim, mas que já estão nas últimas: Tim Duncan, nos Spurs desde 1997, e Kobe Bryant, Laker desde 1996.

Resumindo: pouco a pouco as grandes estrelas tem menos a ideia de dar ao time que o draftou o tão sonhado título de campeão. E digo isso não com um ranço saudosista anti-capitalista. Até porque como franchise players em suas franquias, esses jogadores ganham muito mais que combinando um destino em comum. Digo porque movimentos assim tendem a criar abismos entre os melhores e os piores que a NBA e a NFL sempre souberam conter bem.

Dito tudo isso, chego a 2014. LeBron é novamente free agent, já que optou por isso ao invés de continuar automaticamente com o Heat, como previsto em contrato. Dwyane Wade e Chris Bosh tem o mesmo poder, mas ainda não divulgaram o que farão. A organização ainda é favorita para segurar os três, mas obviamente surgem os boatos e um The Decision 2.0 se aproxima.

Porém, nesses próprios boatos se vê que os tempos mudaram e as rivalidades esfriaram. O Los Angeles Clippers é um dos postulantes. As razões? Claro que ter um bom time ajuda. Mas a franquia de Los Angeles já tem um franchise player. Dois aliás. Mas a própria ESPN destaca algo que pode ajudar: LeBron e Chris Paul são muito amigos e o armador é padrinho do filho mais velho do camisa 6. O veículo americano também destaca que a possibilidade de Bosh, Wade e James arrumarem juntos as malas para outro destino também não está descartada.

Tudo isso são boatos. O que não é boato é o interesse de Pat Riley, presidente do Heat, em manter os três e ainda trazer Carmelo Anthony. Melo é mais um exemplo da liga de amigos que se tornou a NBA. Líder dos Knicks, ele deixou a dever para o contrato de mais de 100 milhões e as diversas picks que New York abriu mão. Agora que bateu o tempo de seu contrato, ele deve embarcar para seu terceiro time. Mais uma vez, a amizade pode ser determinante: ele e LeBron já teriam combinado em jogar juntos em um time além da seleção americana.

Ainda bem que no meio do caminho tem um salary cap que fará cada jogador pensar dez vezes antes de abrir mão de milhões apenas pela amizade. Dallas e Houston tem mais a oferecer para a carteira de Carmelo, além do Texas ser um paraíso para esportistas devido a seus impostos reduzidos. Mas o principal e plausível destino de Melo é Chicago.

Na cidade do vento, a fome de Melo pela bola o fará comandar um ataque famélico devido à falta de joelhos de Derrick Rose. E sua má vontade na defesa será tapada por um time que defende excepcionalmente bem (Joakim Noah, Taj Gibson e Jimmy Butler principalmente) e tem um técnico especialista nisso. Um time titular com Rose, Butler, Anthony, Gibson e Noah será completo e assustador no Leste enfraquecido.

A free agency promete bastante, já que nomes de peso e possíveis franchise players não faltam. Um jogador que não estará disponível é Tim Duncan. Sem grande alarde, exerceu sua player option e ficará em San Antonio, com seu parça divertido, Gregg Popovich. Falando em big three, o atual campeão tem o único trio que pode ser legitimamente dito: “construído, não comprado”. No final das contas, uma dinastia só se constrói dessa forma.

 

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