COLUNAS

Lance Livre: um obrigado para os “apenas bons” Grizzlies, Hawks, Clippers…

Memphis Grizzlies

Crédito: Instagram/reprodução

A temporada 2016/17 da NBA está terminando. Só falta uma série para sabermos quem é o campeão e ela tem dois envolvidos que eram óbvios antes mesmo da primeira bola ao alto, em outubro de 2016. Mas se os playoffs não entregaram muita coisa, a temporada regular reservou uma compilação espetacular de Russell Westbrook, o renascimento de James Harden em um casamento com Mike D’Antoni, Kawhi Leonard se tornando dominante ofensivamente e muitas outras histórias interessantes: Joel Embiid estreando e impressionando, Giannis Antetokounmpo destruindo, a guerra civil no Chicago Bulls que alcançou uma trégua, a guerra civil no New York Knicks que continua a toda…

Tudo isso sem citar os dois finalistas. E não vou citá-los nesta coluna e sim na próxima, quando farei uma prévia da grande decisão. Esta coluna é uma ode aos medíocres e os eternos semifinalistas de conferência.

A NBA é cruel

Gregg Popovich disse depois da eliminação para o Golden State Warriors (ok, citei uma vez, mas só) que no fim da temporada, apenas uma equipe estaria verdadeiramente feliz. Isso é verdade: nós até podemos dizer que time X teve uma temporada boa, mas daqui 50 anos, quem importa é quem levou o caneco.

Além da crueldade de só um time poder ser campeão e só ter uma competição (nada de estadual, nacional, outro nacional, dois torneios continentais no mesmo ano), a história da NBA ainda reserva algo ainda pior: se você não tem uma mega-estrela, você não vai ganhar o título. O Boston Celtics dos anos 60 tinha Bill Russell. Nos anos 70, Bill Walton liderou os Blazers a um troféu, Rick Barry fez o mesmo com os Warriors, os Knicks tinham Willis Reed e Walt Frazier, nos anos 80, Magic e Larry Bird foram os vencedores. E ainda teve Isiah Thomas, muitas vezes injustiçado porque seu time é lembrado por descer o cacete na concorrência e em jogadores com nome “Michael Jordan”.

Jordan nos 90, Hakeem Olajuwon quando Jordan se aposentou, Kobe e Shaq, Tim Duncan, Dwayne Wade e Shaq, Kobe sozinho, Kevin Garnett e Paul Pierce, Dirk Nowitzki, LeBron James, Stephen Curry… enfim.

Sim, eu sei o que você está pensando. Mas o Detroit Pistons de 2004 tinha Chauncey Billups, o duas vezes All-Star até aquele momento, Rasheed Wallace, e o duas vezes melhor defensor do ano até aquele momento, Ben Wallace. Ou seja, não era um time de pregos contra uma equipe de estrelas que estava mais rachada que as paredes dos prédios da Cracolândia.

Então…

Ou seja, o que isso significa em 2017? Como só há algumas superestrelas na NBA, só esses times podem cheirar a possibilidade de um título. E como o plano do Philadelphia 76ers de ser horroroso por anos só para juntar escolhas monstruosas de Draft parece estar encontrando a luz no fim do túnel, os times medianos que não podem disputar o caneco nem ficar lá em cima no Draft têm todos os motivos do mundo para trocar suas estrelas e ser um lixo por pelo menos uma temporada.

Só que isso significa o fim da NBA como uma liga interessante e competitiva. Por isso…

Uma ode aos medianos e pouco acima disso

Obrigado, Memphis Grizzlies. Mike Conley é bom demais. Marc Gasol é bom demais. Mas ambos não vão conseguir levar os Grizzlies para o título. Mas por favor, pelo bem da NBA, continuem tentando e falhando. É um dos times que mais gosto de ver, especialmente quando o ataque morre e a defesa precisa ceder o mínimo de pontos para a equipe ter chance.

Gracias, Los Angeles Clippers. Não explodam o núcleo de Chris Paul, DeAndre Jordan e Blake Griffin. Claro que eles se odeiam, já que jogar com Paul é como fazer um trabalho em grupo com um tirano que acha que faz tudo certo. E o pior é que algumas vezes ele está certo mesmo.

Mas alguém, além de Warriors e Spurs, precisa empolgar por um certo período de tempo. Os Clippers são os reis do começo com tudo, da crise no meio da temporada e da decepção certeira na pós-temporada.

Merci, Atlanta Hawks. Salários para 2017/18:

Dennis Schroder – US$ 15,5 milhões

Kent Bazemore – US$ 16,9 milhões

Dwight Howard – US$ 23,5 milhões

E ainda vai ter que pagar muito por Tim Hardaway Jr. Ou seja, mais 45 vitórias em 2017/18, com margem de erro de dois triunfos a mais e cinco a menos.

E por fim, Danke, Oklahoma City Thunder. Esse é o melhor tipo de “equipe mediana ou pouco acima disso” porque há uma superestrela. Mas por causa dessa mesma superestrela e alguns de seus companheiros, o time não vai ser um candidato a título. Mais ou menos como o Philadelphia 76ers do fim dos anos 80, liderado por Charles Barkley.

“Mas Miguel, o Thunder não pode subir de produção em relação a este ano e conseguir dar um título para Russy?”

Enes Kanter: US$ 17,8 milhões em 2017/18, mais uma temporada de contrato e uma cláusula pró-jogador para outro ano

Victor Oladipo: US$ 21 milhões em 2017/18, mais quatro anos de contrato

Steven Adams: US$ 22,4 milhões em 2017/18, mais quatro anos de contrato. US$ 27,5 milhões em 2020/21.

Ou seja, a menos que o teto salarial tenha outra subida enorme, o Thunder está enforcado por esses grandes contratos, mais o merecido acordo de Westbrook, que pode ganhar um super max em 2018 (cinco anos, US$ 200 e muitos milhões) e ainda tendo que reforçar o resto do elenco. Se você achava deprimente Derek Fisher com 53 anos sendo o melhor jogador vindo do banco, espere por mais disso. Talvez até Derek Fisher de novo, agora com 63 anos.

Ou seja, Sam Presti, o cara das decisões em Oklahoma City, já deve estar ligando para as outras 29 franquias para oferecer Enes Kanter. Logo quando ele estava chamando OKC de “casa”…

 

Comments
To Top