Lance Livre

Lance Livre: três jogos, três lavadas nas finais e (certa) falta de basquete

Green James

Crédito: Instagram/reprodução

Depois de três jogos das finais da NBA, Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers ainda não duelaram. As três partidas foram lavadas: 15 na primeira (pareceu mais, pode admitir), 33 na segunda e 30 na terceira, as duas primeiras para os californianos e a terceira para a equipe do Ohio.

Vamos admitir: não estão sendo grandes jogos. Muitos turnovers (92), estrelas sumidas por grandes períodos e a falta de emoção nos minutos finais, que faz o basquete e, mais especificamente, o basquete da NBA tão sensacional. Vamos ponto a ponto.

Curry e Thompson anulados

Uma coisa que ninguém pode acusar Tyronn Lue de não fazer direito; Stephen Curry e Klay Thompson estão anulados nestas finais. Foram míseros 84 pontos dos Splash Brothers nas três partidas, com Curry cometendo 15 turnovers e apenas 13 assistências no total até o momento.

Só que a marcação dos Cavaliers não é algo revolucionário que outros 28 treinadores e suas equipes nunca conseguiram fazer. Eles simplesmente colocaram todo o backcourt mais LeBron James patrulhando os dois. Kyrie Irving não aprendeu a ser Gary Payton em um cursinho online. E troca atrás de troca atrás de troca na marcação, normal de marcação por zona. Quando Curry está sendo marcado por LeBron ou até por Tristan Thompson, ele tem um tanque de guerra na sua frente, ficando mais difícil ele enxergar o jogo e ter espaço para arremessar.

Só que tudo tem um ponto positivo. Um lance marcante para os otimistas aconteceu no jogo 3, quando Klay Thompson foi marcado por Tristan Thompson na linha de três e espertamente não tentou o arremesso; deu um drible, partiu para dentro e fez uma bandeja com a maior das facilidades. ‘Mismatch', a palavra preferida de Eduardo Agra nas transmissões da ESPN, acontecem e vão continuar acontecendo com essas zonas.

E mismatch mais a atenção redobrada nos dois do backcourt criou jogo para os coadjuvantes dos Warriors. Harrison Barnes e Andre Bogut no começo do jogo 1, Shaun Livingston no segundo e terceiro quartos da partida inicial, Draymond Green no jogo 2, Barnes no jogo 3…

Só que por que os espaços surgiram muito mais no jogo 1 e 2 e não tanto no jogo 3? A resposta tem uma concussão na cabeça.

Kevin Love

Eu sempre fui o maior fã de Kevin Love do mundo. Jogando em um time horroroso ele fazia pontos, pegava rebotes, dava passes de 30 metros e ainda é sobrinho do vocalista da minha banda favorita (Beach Boys). Não vou falar que ele era perfeito porque posso ser mal compreendido.

Em Cleveland, com a camisa 0, nós vemos um sósia daquele Love. Culpa dele e culpa do sistema que David Blatt e Tyronn Lue criaram, que faz o ala-pivô ser um cara que está no canto da quadra arremessando três e só. E ainda todas suas deficiências são expostas.

Love nunca foi um grande jogador de garrafão, apesar de todos os rebotes. Love, até porque tem 2,10 m, não é dos mais rápidos. E Love nunca foi um grande marcador.

Ou seja, com a marcação trocando, trocando e trocando, ele sempre estava um passo atrás, permitindo buracos e em quintetos com Tristan Thompson – dois caras altos que não são bailarinas -, inviabilizando o plano de jogo que Lue queria. Com ele fora e Richard Jefferson no lugar, os Cavs conseguiram patrulhar Klay e Curry e impedir que os bloqueios de Green e Bogut gerassem espaços para os dois arremessarem. Ou seja, basicamente a perfeição na marcação dos Warriors.

Caso Lue coloque Kevin Love de volta ao quinteto titular será puramente por nome, já que na função “cone que arremessa no canto da quadra”, Love fez 7 de 17 no primeiro jogo e 2 de 7 no segundo. Com Jefferson os Cavaliers marcam melhor e sobram mais bolas para Irving e J.R. Smith, ambos mais inspirados nos arremessos de média e longa distância. Vindo do banco, o sobrinho do vocalista dos Beach Boys pode ser a fagulha ofensiva que inexiste hoje.

A mentira da agressividade

“Então Zezinho jogador da NBA, porque no jogo passado você arremessou 1 de 30 para 2 pontos e hoje você acertou até bola de três de costas e fez 20 pontos?”

“Ah, eu só fui lá, fui agressivo e consegui impor meu estilo de jogo”.

ENTREVISTA, toda.

Não são só os jogadores de futebol que dão respostas óbvias e entrevistas que não servem para nada. Quando um arremessador diz que foi lá e foi agressivo é a mesma coisa que não dizer nada. Nos dois primeiros jogos, as bolas de J.R. Smith e Kyrie Irving não caíram. E como eles não são idiotas, eles pararam de jogar o time no buraco e deram a bola para o dono do time, LeBron James.

Eles são agressivos no dia ruim também. Não é questão de agressividade, é de medo. Irving funciona como um celular pré-pago e seus créditos são bolas na cesta. Se a bola não entra, o crédito acaba. E a TIM é LeBron James. Se ele continuar sendo agressivo, LeBron, o GM, manda ele para a Sibéria. No caso da NBA, a Filadélfia.

Para Cleveland ganhar, os créditos têm que continuar fluindo. E Irving mais Smith não têm que ser “agressivos”. Se eles estiverem arremessando mal, para e entrega a bola, pensa o jogo e tenta impactar positivamente de outro jeito. É assim que LeBron gosta. E o que ele gosta, em Cleveland, vale mais que a palavra do presidente dos Estados Unidos.

E para os Warriors, o que fazer?

Parece até que são os Warriors que estão 2 a 1 atrás na série pelo tom desta série. Os Warriors ainda estão de boa. Caso percam o jogo 4 fora de casa, duas vitórias na Oracle Arena ainda dão o bi para os californianos. Mas não é sempre que Shaun Livingston aparece iluminado do banco ou os Cavaliers jogam tão pifiamente como no jogo 2. Está na hora de uma mudada na escalação titular.

E o bom é que Steve Kerr não tem medo de fazer isso. O pau para toda obra Iguodala pode aparecer, e não no lugar de Barnes como na final do Oeste, e sim no lugar de Bogut.

Venha comigo: caso Lue faça o certo e mantenha Jefferson, a tendência é o jogo 3 se repetir. Com Iguodala, o time ganha rapidez, pontuação, bola de 3 e um marcador para LeBron, com Barnes em Jefferson, Thompson em Kyrie e Curry com J.R. Smith.

Sim, Tristan Thompson seria um problema, mas seus rebotes ofensivos não são só um posicionamento incrível do cavalier, mas também erro de fundamento. O box out no basquete para impedir o rebote ofensivo é como o “NÃO CRUZA A BOLA NA FRENTE DA SUA ÁREA ” que todo jogador de futebol ouve desde que tem 5 anos de idade. E Draymond Green compensa sua estatura baixa com físico, garra e inteligência e nos cansamos de ver isso nos últimos 18 meses.

A série ainda é dos Warriors. E nem precisa Curry ou Thompson aparecerem, por mais que seja desejável para não termos que começar a ouvir que o primeiro é “pipoqueiro”, “não é tudo isso” ou outras coisas degradantes à condição humana. O banco está anos-luz à frente, o time tem várias opções de pontuação e mesmo mal – como foi no primeiro tempo do jogo 3 – a equipe consegue se manter próxima no placar.

LeBron James

Terminei esta coluna e percebi que nada tinha falado dele. Antis, apreciem o melhor ala da história da NBA. O cara é um show mesmo jogando mal e com sete turnovers nas costas.

Conclusão

O basquete das finais da NBA ainda está decepcionando. Mas mesmo assim está 2 a 1. Melhor que ter uma equipe voando rumo a um 4 a 0.

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